Quarta, 29 Junho 2022

Após 72 horas, greve de fome é encerrada em penitenciária de Vila Velha

grade-agencia-brasil-1 Agência Brasil

A greve de fome dos internos da Penitenciária Estadual de Vila Velha (PEVV III) foi encerrada nesta quarta-feira (30), após 72 horas de duração. A mobilização teve o objetivo de alertar, mais uma vez, para a alimentação precária nos presídios capixabas, o que tem sido alvo de denúncias recorrentes, sem providências. O Conselho Estadual de Direitos Humanos (CEDH) se comprometeu a elaborar um relatório com as denúncias feitas pelos presos.

O ato começou no último domingo (27), para protestar contra a precariedade da alimentação servida na unidade por meio do contrato firmado pelo governo do Estado com a empresa Alimentares Refeições LTDA.

"Com o tempo em que denunciamos esse descaso com a alimentação dos internos, não era nem para ter chegado a esse ponto, de ser preciso os próprios internos botarem as marmitas azedas para voltar. É um problema que, se a Sejus [Secretária de Estado de Justiça] quiser, ela resolve", ressalta Eliana Valadares.

Ela aponta a necessidade de fiscalização das empresas responsáveis por esse serviço, já que os problemas denunciados não se restringem à PEVV III. "A cadeia que tem cozinha, não recebe comida azeda, mas em pouca quantidade. Sempre tem um problema. O interno tem que se virar como pode para não morrer de fome", afirma.

O Conselho de Direitos Humanos foi acionado após denúncias de uma entrada truculenta da Diretoria de Operações Táticas (DOT) na unidade, na noite de segunda-feira (28). "Os relatos foram que os internos gritaram quase a noite toda, que estavam tacando bomba de efeito moral e gás de pimenta. Teve familiar que virou a noite lá", informa Eliana.

Nesta quarta-feira, a vereadora de Vitória Camila Valadão (Psol) falou sobre a greve, apontando que a mobilização entre os internos é um sinal de alerta para a situação do sistema prisional capixaba.

"São três dias que homens privados de liberdade se manifestam para denunciar as péssimas condições da alimentação dentro do presídio. Há relatos de comida estragada e até da presença de insetos nas refeições. Há também denúncias sobre o tratamento desumano que os familiares sofrem sempre que visitam seus filhos, irmãos ou maridos no cárcere", enfatizou Camila nas redes sociais.

A vereadora chamou a atenção da Sejus e do governador Renato Casagrande (PSB), para que a demanda dos internos seja atendida.

"Ainda é recente em nossa memória coletiva um triste e revoltante capítulo da história do Espírito Santo envolvendo violação de direitos no sistema carcerário. No período de 2004 a 2010, o Estado estampou os principais jornais do país com denúncias de violações dentro dos presídios capixabas. Ainda temos na memória o que ficou conhecido como as 'masmorras do ES' e não podemos permitir que a história se repita", apontou, em referência ao período dos governos Paulo Hartung (sem partido).

Ela prossegue: "Precisamos que a dignidade da população privada de liberdade no nosso Estado seja respeitada. Que eles tenham garantido um tratamento justo e o acesso à uma alimentação adequada. Todo preso é o amor na vida de alguém. Todo preso é uma pessoa com direitos, assim como eu, assim como você. Todo preso merece respeito!", declarou.

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