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‘Casagrande saiu sem cumprir promessa e Ricardo evita diálogo’

Tadeu Nicoletti critica dificuldade de reunião dos peritos com atual governador

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Tati Beling/Ales

“O atual governador, Ricardo Ferraço [MDB], tem plena ciência de que Renato Casagrande [PSB] deixou o cargo sem cumprir com o que ele havia se comprometido, que era a aplicação, no Espírito Santo, da média salarial nacional dos peritos. A gente tenta de todas as formas agendar uma reunião com o Ricardo, mas a categoria está bem ciente de que ele evita se comprometer”.

A avaliação é do presidente do Sindicato dos Peritos Oficiais do Espírito Santo (Sindiperitos), Tadeu Nicoletti. A aplicação da média salarial nacional para a categoria, que hoje é de R$ 17 mil para o salário inicial, está entre as principais demandas dos trabalhadores.

No ano passado, o Governo do Estado promoveu um reajuste de 10%, e o salário inicial ficou em R$ 5 mil, sendo R$ 17 mil o final, medida considerada muito aquém pelos peritos, que chegaram a apresentar uma proposta de aumentar o salário gradativamente, em quatro vezes de R$ 1,6 mil, sendo uma vez a cada seis meses, mas não houve êxito. “Ricardo Ferraço está evitando entrar nesse diálogo, com a intenção clara de deixar a perícia capixaba como a mais desvalorizada do país”, critica Tadeu.

Apesar disso, os peritos tiveram algumas vitórias recentes. Avança a construção do Centro Integrado de Perícia Técnico-Científica (CIPTC), em uma área de mais de 8,5 mil metros quadrados doada pela Prefeitura de Cariacica, na Avenida Mário Gurgel, no bairro Alto Laje, às margens da BR-262.

De acordo com informações divulgados nesta semana pelo Governo do Estado, a previsão é que a obra – um investimento de R$ 88,4 milhões a partir de empréstimo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) – seja finalizada no primeiro semestre de 2027.

Tadeu Nicoletti afirma que a construção segue dentro do cronograma, mas lembra que foram necessários muitos anos de luta para que a obra saísse do papel. A entidade sempre defendeu que os peritos tivessem um local próprio, com condições adequadas para desenvolver o trabalho.

“O que a gente espera é que fique pronto o mais rápido possível, de forma a garantir a eficiência do serviço que a Polícia Científica presta e o acesso da população a esse serviço. A valorização da Polícia Científica no Espírito Santo está bem atrasada em relação aos outros estados. Um Estado que realmente quer uma resolução de crimes baseada na produção da prova material também precisa valorizar seus servidores”, comenta.

Outras conquistas mais recentes, após intensas mobilizações, foram a desvinculação em relação à Polícia Civil; a sanção da Lei Complementar Estadual nº 1062/23, que criou a Polícia Científica; e, por fim, a aprovação do Estatuto da categoria, em dezembro passado, porém sob críticas e falta de diálogo.

No início deste ano, os peritos iniciaram novas mobilizações visando avançar nas pautas da categoria, e não descartam retomar as manifestações de rua. Em 2025, as chefias chegaram a anunciar, em carta aberta, disposição em entregar seus cargos caso o governo não atendesse às reivindicações. Com a retomada das negociações, a possibilidade foi descartada, mas o diálogo não foi retomado, o que levou a categoria a realizar, novamente, protestos semanais, como tem ocorrido desde que Casagrande prometeu a valorização dos peritos, ainda na campanha eleitoral de 2022.

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