quarta-feira, fevereiro 11, 2026
28.9 C
Vitória
quarta-feira, fevereiro 11, 2026
quarta-feira, fevereiro 11, 2026

Leia Também:

‘Rapaz confessou assassinato de Dantinho Michelini’

Delegado-geral da PC, José Arruda, afirma que caso está “praticamente solucionado”

jose_darcy_arruda_FotoRedesSociais.jpg
Redes Sociais

A Polícia Civil do Espírito Santo (PCES) prendeu o suspeito de assassinar Dante Brito Michelini, o “Dantinho”, um dos homens que foi acusado de raptar, estuprar e matar a menina Araceli Cabrera Crespo em 1973. O suspeito, que não teve a identidade divulgada, teria confessado o crime.

Em comunicado à imprensa nesta quarta-feira (11), o delegado-geral da PCES, José Darcy Arruda, afirmou que a polícia localizou um “rapaz” na tarde dessa terça (10) que “supostamente poderia ter sido o autor do crime”. “Ao ser interrogado”, relatou Arruda, “ele confessa o crime e, de fato, foi ele o autor”.

O delegado-geral afirma que faltava apenas encontrar a cabeça decepada de “Dantinho”, o que já teria ocorrido, segundo informações preliminares, após diligências realizadas em Guarapari na manhã desta quarta-feira. Não há informações sobre a motivação do crime. Segundo a PCES, mais detalhes serão divulgados em uma coletiva de imprensa.

O corpo de “Dantinho” Michelini foi encontrado decapitado e parcialmente queimado em um sítio de Meaípe, no último dia 3. O caso reacendeu as disputas em torno do Caso Araceli. Nessa segunda-feira (9) a Câmara de Vereadores voltou a discutir propostas que visam a renomeação da avenida Dante Michelini.

A avenida Beira-Mar, em Vitória, foi denominada Dante Michelini por meio da Lei 1.701/1967, fazendo referência ao influente comerciante de Vitória que teria “doado” a área ao Poder Público. Seis anos depois, ocorreu o crime brutal contra a menina Araceli Cabrera Crespo, de apenas 8 anos.

Na época, o promotor Wolmar Bermudes chegou a três principais suspeitos: Dante de Barros Michelini, conhecido como “Dantinho”, e seu pai, Dante de Brito Michelini, neto e filho do homem que deu nome à avenida, respectivamente; e Paulo Constanteen Helal. Todos em membros de tradicionais e influentes famílias do Espírito Santo.

A acusação alegou que Araceli foi raptada por Paulo Helal no bar que ficava entre os cruzamentos da rua Ferreira Coelho e César Hilal, após sair do colégio. Além disso, foi afirmado que no mesmo dia, a menina teria sido levada para o Bar Franciscano, na Praia de Camburi, pertencente a Dante Michelini, onde foi estuprada e mantida em cárcere privado sob o efeito de drogas. Devido ao excesso de substâncias em seu corpo, Araceli teria entrado em coma e foi levada ao hospital, local onde já chegou morta. Paulo Helal e Dante Michelini teriam jogado o corpo da menina em uma mata atrás do Hospital Infantil.

Os três chegaram a ser condenados em primeira instância, mas depois foram absolvidos pelo Tribunal de Justiça do Estado (TJES) por “falta de provas”. A investigação também enfrentou diversos obstáculos, inclusive mortes misteriosas de testemunhas-chave.

Ao longo dos anos, cresceu a luta para que a avenida Dante Michelini trocasse de nome, como forma de reparação simbólica pela impunidade. O assassinato de Araceli também foi denunciado à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA). O Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH), o Centro de Defesa dos Direitos Humanos da Serra (CDDH) e a Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (Fase-ES) cobram “reparação histórica” e que o Estado brasileiro seja responsabilizado internacionalmente por omissão e violações.

Mais de 50 anos depois, “Dantinho” também morreu de forma violenta. Entretanto, ao contrário do Caso Araceli, o mistério sobre a sua morte, ao que tudo indica, foi rapidamente solucionado.

Mais Lidas