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Terça, 02 Março 2021

Suspensão dos cobradores também prejudica população, diz Sindirodoviários

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As manifestações dos cobradores estão sendo apoiadas pela população, segundo o diretor do Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Rodoviário do Estado do Espírito Santo, Valdecy Dulcilina. De acordo com ele, a entidade tem buscado diálogo com a sociedade, que, afirma, também está sendo prejudicada pela suspensão das atividades dos cobradores. O sindicato confeccionou um jornal para distribuir nos terminais e nos bairros, falando sobre as reivindicações dos trabalhadores e dando outras informações para esclarecer os capixabas. 

Por enquanto, paralisações e manifestações dos cobradores estão impossibilitadas de acontecer. A determinação foi feita durante audiência no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), ocorrida nessa quinta-feira (7), com participação dos trabalhadores, representantes do governo do Estado e das empresas de transporte coletivo. Uma nova audiência está prevista para o início da semana que vem, mas a data ainda não foi definida. De acordo com Valdecy, também foi determinado que as empresas parem de promover cobradores para outras funções e de dar férias fora de época, já que, segundo o diretor do sindicato, elas estavam adotando essa prática como forma de enfraquecer as mobilizações dos trabalhadores. 

Segundo Valdecy, alguns dos prejudicados com a suspensão dos cobradores são as pessoas com deficiência visual, que sempre contaram com apoio desses trabalhadores para pedir informações sobre os pontos de chegada da viagem. Desde a suspensão dos cobradores, há sete meses, o pagamento das passagens está sendo feito exclusivamente por meio do Cartão GV por causa da alegação da gestão de Renato Casagrande (PSB) de que a utilização de dinheiro poderia aumentar a propagação da Covid-19. De acordo com Valdecy, muitas pessoas encontram dificuldade de recarregar o cartão. 

Ele destaca que, principalmente nas comunidades periféricas, há escassez de pontos de recarga, fazendo que as pessoas tenham que se deslocar para outros lugares para recarregar, entretanto, estão impossibilitadas de fazer isso por não terem como pegar transporte público, pois o dinheiro não é aceito. Entidades da sociedade civil, como o Fórum em Defesa dos Direitos dos Trabalhadores Capixabas e Brasileiros Durante e Depois da Pandemia também defendem que restringir o pagamento da passagem ao cartão impossibilita a mobilidade de muitos passageiros. 

Clemilde Cortes, que além de integrar o Fórum também preside a Central Única dos Trabalhadores no Espírito Santo (CUT), contesta o fato de que se uma pessoa se deslocar do interior do Espírito Santo para a Grande Vitória, terá que adquirir o cartão mesmo que seja para utilizá-los apenas por um dia. Também foram feitas críticas ao reajuste da tarifa do Sistema Transcol, anunciado nessa quinta-feira (7). A nova tarifa começa a vigorar neste domingo (10), passando de R$ 3,90 para R$ 4,00, ou seja, um reajuste de 2,56%. A tarifa com desconto no domingo, passará de R$ 3,40 para R$ 3,50. O Bike GV passará de R$ 1,95 para R$ 2,00.

O diretor do sindicato acredita que as empresas buscam somente o lucro, sem pensar na população e nos trabalhadores. Ele recorda que elas estão pagando apenas 30% dos salários dos cobradores, cabendo os outros 70% ao governo Federal. Além disso, em outubro de 2020 a gestão de Renato Casagrande (PSB) comprou mais de R$ 40 milhões em combustível para socorrer as empresas durante a pandemia da Covid-19. O recurso foi utilizado para a compra de 11,2 milhões de litros de diesel. 

As manifestações ocorridas durante esta semana tiveram início com uma greve relâmpago na manhã dessa segunda-feira (4), havendo protestos de rua todos os dias, até a quinta-feira (7). Os cobradores reivindicam seu retorno às atividades, que foram suspensas há sete meses com a alegação de que não seria possível utilizar dinheiro para pagar as passagens para evitar propagação da Covid-19, devendo o pagamento ser pelo Cartão GV. Eles afirmam que a suspensão seria até 31 de dezembro, mas foi estendida. 

Os trabalhadores temem que as empresas possam dispensar, futuramente, os cerca de 4 mil cobradores.

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