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Até quando? (Muito mal representados II)

O Brasil, que já foi referência mundial em políticas de combate a Aids, está em pleno retrocesso, inclusive com o significativo aumento do número de casos. Segundo o Ministério da Saúde, a expectativa é de que atualmente 700 mil pessoas vivam com a doença e pelo menos 150 mil estejam contaminadas e ainda não saibam disso. Esse fato reflete o perigo da invasão religiosa fundamentalista nas políticas de esclarecimento de doenças sexualmente transmissíveis, os DSTs.
 
Segundo o médico sanitarista e epidemiologista Pedro Chequer, que é considerado um dos maiores especialistas brasileiros nesse assunto, o Brasil precisa urgentemente rever campanhas de prevenção ao HIV, se posicionando numa abordagem social e cientifica, ultrapassando entraves dogmáticos religiosos, que estão provocando a marcha à ré no combate à epidemia.
 
Desde a suspensão do governo federal, por força de coação política feita pela inconstitucional bancada cristã fundamentalista que aconteceu no primeiro semestre, da campanha direcionada a adolescentes com distribuição de farto material educativo, que abordava desde como evitar doenças até a gravidez prematura, vem aumentando assustadoramente os casos de jovens contaminados. Isso é mais preocupante no caso da Aids, já que ao contrário de outras doenças, leva um tempo relativamente longo para se manifestar e quando isso acontece os sintomas são devastadores.
 
As campanhas eram pautadas em fundamentos científicos e voltadas para a chamada “população vulnerável”. Sem meias palavras ou confusas metáforas, o material foi rapidamente absorvido e provocou o efeito previsto, ou seja: o aumento do uso de preservativos e cuidados, o que reverberou imediatamente no controle das doenças e num menor índice de diagnósticos positivos.
 
Com a intromissão religiosa, várias ações foram suspensas, inclusive em datas de alta periculosidade como carnaval, por exemplo. Com um discurso moralista e totalmente fora da realidade, esses políticos provocaram um grande retrocesso. Essa falsa preocupação social pode ocasionar danos irreversíveis, isso sem contar o problema financeiro, já que é muito mais barato prevenir do que remediar.
 
Até quando vamos tolerar esse tipo de puritanismo que em nada contribui para o bem-estar social? Até quando vamos assistir passivamente esse retrocesso promovido pelo desrespeito, preconceito e intolerância, sem nenhum fundamento cientifico que o justifique? Até quando?
 
A força do controle desse contágio está nas campanhas de esclarecimento, um procedimento que deve partir do Ministério da Saúde, que, de certa forma, tem planejado as campanhas que são logo retiradas de circulação pela pressão da demagogia do preconceito e falsamente religiosa, pois muitas delas eram dirigidas à população LGBT.
 
Essa semana, por ocasião do dia mundial de combate a Aids, aproveitamos para retomar o debate. Pense nos nossos jovens, seus filhos, seus netos. Ninguém está imune. A Aids ainda representa sofrimento, perda de qualidade de vida e principalmente a morte. O perigo está cada vez maior, com esse retrocesso voltou a impactar a sociedade, colocando o Brasil na lista dos países onde esse risco é iminente. Até quando você vai permitir isso? Mais uma vez, caros evangélicos, vocês estão muito mal representados. Lembrem-se das eleições ano que vem.
 

Luiz Felipe Rocha da Palma (Phil Palma) é publicitário. Nas “horas vagas” (às quartas) comanda o programa “Praia do Phil” pela Rádio Universitária FM, onde defende os LGBTs e denuncia a homofobia. Fale com o autor: [email protected]

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