É preciso reconhecer que o governador Renato Casagrande tem se saído muito bem no comando das ações emergenciais de combate à tragédia causada pelas chuvas. Uma parcela de críticos vai dizer que é preciso desenvolver projetos preventivos para solucionar o problema de vez e evitar que a tragédia se repita todos os anos ou um ano sim outro não. Estão cobertos de razão. Os fatos mostram que os governantes, de maneira geral, adiam enfrentar um problema de configuração tão complexa, tanto no sentido social como financeiro. Mas o caos instalado se tornaria ainda mais agudo se o governo não agisse com a celeridade que a crise pede. Afinal, a catástrofe devastou 54 dos 78 municípios capixabas, deixando um rastro de mortes e destruição.
Desde que a chuva virou tragédia, o governador arregaçou as mangas e, sem titubear, meteu a mão na massa sem medo. O próprio chefe do Executivo estadual tem anunciando, nas últimas semanas, as medidas de mitigação dos prejuízos causados pelas chuvas.
Já tinha sido assim durante as chuvas que castigaram o Estado entre 2010 e 2011. Antes mesmo assumir o mandato, em janeiro de 2011, Casagrande começou a acompanhar os estragos da chuva, mostrando que é um governante sensível ao sofrimento da população.
Nesta quinta-feira (2), primeiro dia útil de 2014, Casagrande não perdeu tempo e anunciou o plano de reconstrução do Espírito Santo. Ele confirmou o investimento de mais de meio bilhão de reais nas obras de reconstrução do Estado. Boa parte desse recurso será destinada a gastos com infraestrutura: 375 pontes e 12 mil quilômetros de estrada vicinais.
Casagrande anunciou, entre os principais investimentos, a construção de 1,5 mil casas populares. Ele ainda confirmou que o governo irá destinar R$ 2,5 mil para as famílias vitimadas. Esse dinheiro poderá ser usado para compra de móveis, eletrodomésticos e materiais de construção. O dinheiro que irá circular também ajudará a dar um sopro no comércio, que também contabiliza os prejuízos da chuva.
As medidas são acertadas e vão, na medida do possível, confortar um pouco o sofrimento das famílias que tiveram prejuízos materiais e precisam de um “empurrão” para reconstruir suas vidas.
A resposta do governo está sendo dada com a rapidez que a população precisa. Casagrande não ficou perdendo tempo fazendo chororo e passando o pires em Brasília para conseguir recursos. Todas as medidas anunciadas estão sendo fiadas a partir de recursos do próprio governo. Se mais tarde o governo federal resolver abrir o caixa e mandar dinheiro para o Estado, ótimo, será bem-vindo. Mas é importante neste momento mais vulnerável da população atingida pela tragédia, que o governo estadual tenha autonomia para socorrer às vítimas sem precisar depender de ninguém.
Muitos observadores políticos diziam que Casagrande, depois de completar mais de dois terços do mandato, ainda não tinha uma marca. Por capricho da natureza, Casagrande será reconhecido com a marca do governador que reconstruiu o Espírito Santo.
Obviamente que o socialista preferiria estar investindo em novas obras, e não reconstruindo o que foi devastado pelas chuvas. Mas, de qualquer maneira, é um trabalho que, neste momento, passa a ser imprescindível para as pessoas que buscam um alento para recomeçar.

