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Lei do silêncio

Faz 20 meses que o professor da Ufes Valdenir José Belinelo foi assassinado na localidade de Rio Quartel, em Linhares, norte do Estado. Belinelo, que à época do crime estava dirigindo o Hospital Roberto Silvares, foi morto de forma misteriosa. 
 
Durante esses quase dois anos, a polícia adotou a lei do silêncio: ninguém sabe, ninguém viu. Esse silêncio inexplicável só reforça a tese de que o crime não estaria ligado a um motivo banal. Um dia após o crime (22/03/2012), o delegado responsável pelas investigações, Fabrício Lucindo, chegou a apresentar duas linhas de investigação para o crime – talvez essa tenha sido a única vez que a polícia apresentou algo mais concreto sobre o assassinato, depois disso, o delegado virou um túmulo. 
 
 
À Rádio CBN Vitória, porém, Lucindo afirmou que a polícia trabalhava com duas hipóteses: crime passional ou de mando. No crime passional, havia uma insinuação de que o professor era homossexual. O delegado chegou a afirmar que a vítima conhecia o assassino, o que reforçaria a tese de que o crime fora passional.
 
Na segunda linha de investigação, o delegado admite que a tese de mando estaria relacionada às atividades do professor na direção do Roberto Silvares. Belinelo estaria investigando irregularidades no hospital.
 
Essa tese gerou, à época, uma imediata repercussão em São Mateus. Pelos corredores do Silvares e pelas ruas dos municípios comentava-se que Belinelo havia dado um “chega pra lá” no deputado Freitas (PSB), que estaria por trás do controle de fornecimento de medicamentos para o hospital. Especulação? Boato? Não se sabe, porque a polícia não esclarece nada. O fato é que a tese do delegado automaticamente pôs o nome do deputado Freitas em suspeição. E o silêncio da polícia só faz aumentar essa suspeição.
 
Não bastasse a polícia se recusar a dar satisfação sobre o caso (se já há uma linha de investigação definida; se há suspeitos; se há testemunhas), agora foi a vez da própria Secretaria de Segurança Pública se negar a fornecer informações sobre o crime que tirou a vida do professor. 
 
A negativa foi dada formalmente ao deputado Euclério Sampaio (PDT), que vem cobrando sistematicamente esclarecimentos sobre o crime. Em agosto último, o pedetista chegou a protocolar um requerimento na Assembleia pedindo informações ao secretário de Segurança. Em vão. O chefe da pasta, André Garcia, depois de enrolar o deputado por mais de três meses, recorreu à desculpa do “sigilo” para mandar um sonoro não à demanda de Euclério que, como familiares, parentes, amigos e a população mateense, quer apenas saber quem matou e por que motivo o professor. 
 
O “não” de Garcia corrobora ainda mais para reforçar a tese de que há algo “malcheiroso” por trás da morte de Belinelo. Toda essa falta de transparência aumenta a suspeita de que querem esconder alguma coisa ou alguém. 

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