Segunda, 27 Setembro 2021

Chocolate muito amargo – Nestlé vende alegria, mas cresce oprimindo seus trabalhadores

ato_nacional_sindialimentacao_elifas_medeiros Elifas Medeiros
Elifas Medeiros

Alegria, cores e doçura por fora; ganância, opressão dos trabalhadores e perda de direitos por dentro. A triste contradição entre o produto vendido e o modo como ele é feito marca a trajetória recente da Nestlé e, no Espírito Santo, da Garoto, que desde 2002 integra o rol de empresas da multinacional. 

A escalada de ataques à legislação trabalhista brasileira nos últimos anos abriu caminho para que a direção da gigante mundial passasse a retrocessos inimagináveis no ambiente de trabalho da capixaba Garoto, que durante toda a sua história teve como elementos principais da sua identidade a valorização efetiva e o diálogo com o trabalhador. 

Ato nacional realizado nesta terça-feira (27) pelos sindicatos dos trabalhadores em alimentação e afins do Espírito Santo e Bahia (Sindialimentação) mostrou a greve como uma possibilidade de luta em breve, caso a postura autoritária da empresa não se alterar.

Em pauta, nos dois estados, duas questões essenciais à dignidade das famílias trabalhadoras: o pagamento integral da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e a manutenção do valor do tíquete-alimentação, com correção dele e dos salários segundo a inflação do período.

A posição da Nestlé é de anular grande parte do PLR, especialmente junto aos trabalhadores de salários iniciais, e de cortar pela metade o valor do tíquete, aceitando apenas o ajuste inflacionário. Após meses de reuniões e diversas rodadas de negociação, a posição é a mesma. 

Em pesquisa técnica, 99% dos trabalhadores capixabas não aceitam a redução do auxílio-alimentação e 97,32% ficar sem o pagamento da PLR. Na unidade baiana, a situação é semelhante, com a Nestlé insistindo nas mesmas condições, e 75% dos trabalhadores recusando os cortes da Nestlé.

Na Bahia, o ato teve formato de uma "assembleia de repúdio" e começou às 5h, se estendendo até a tarde, com a participação dos sindicatos de petroleiros, celulose e telecomunicações, numa "solidariedade de classe", acentuou a diretora do Sindialimentação/BA, Ana Gabriela Xavier de Carvalho Barreto.

"Causou impacto na fábrica, mesmo a empresa segurando o turno de cinco até às 6h30, como forma de retaliação, então a gente não deixou nenhuma carreta entrar. Eles sempre fazem isso, mas a gente só inicia a assembleia quando libera os trabalhadores", conta.

Antes do ato, a Nestlé foi notificada pelo sindicato. "Notificamos a empresa para negociar, propondo uma data, só que ela não respondeu e mandou o preposto dela pra coagir os trabalhadores dentro da fábrica", relata a diretora sindical, contando que o preposto da direção, que é a pessoa sempre escalada para representar a empresa nas reuniões de negociação, passou a se reunir com os trabalhadores dentro da fábrica.

"Ele chegou a dizer para os trabalhadores que se não aceitarem, o caso vai para dissídio e nós vamos perder o que já temos, como se ele tivesse certeza que os juízes vão decidir em favor da empresa", conta. "E ainda zombou: 'eu vou pegar o meu jatinho pra comer a minha moqueca e se alguém estiver insatisfeito, que aproveite o programa de demissão voluntária e vai vender alguma coisa na Feiraguai'", repudia, referindo-se ao nome popular como é chamada uma feira de produtos importados feita por pessoas humildades da cidade de Feira de Santana.

Diante da gravidade da situação, Ana Gabriela acredita que a categoria caminha para realizar uma greve, até onde o sindicato tem conhecimento, a primeira da Nestlé no Brasil. "Se a gente perder, vai perder de pé, não podemos nos curvar diante dessa gigante multinacional. Essa está sendo a pior negociação que eu já vi na minha vida. É muita falta de reconhecimento e de humildade e de bondade por parte da Nestlé", lamenta.

A condição da greve, acredita a sindicalista, se de fato posta, pode enfim fazer a empresa negociar. "Eu posso estar errada, porque as leis estão do lado deles, mas o pessoal lá em cima, da direção acima da Bahia e do Brasil, que envolve a Colômbia também, acho que não vai querer sujar o nome da empresa por causa de 50% de tíquete-alimentação", pondera.

Linda Morais, presidente do Sindialimentação/ES, conta que sua entidade só realizou uma greve em 2001, antes da compra da Garoto pela Nestlé. E compartilha do mesmo pensamento dos colegas baianos.

"Nossa linha é semelhante. A Nestlé chegou num ponto que não temos outra saída senão a resistência coletiva, se a Nestlé não ouvir a categoria. O protesto foi muito bem recebido pelos trabalhadores, contamos com apoio da categoria. A Nestlé não tem proposta, vem apenas com corte, uma decisão de cortar direitos. Diante desse quadro, o sindicato não vê outra saída", explana.

"O mais grave é querer cortar 50% do auxílio-alimentação e não querer pagar participação nos lucros. O lucro da Nestlé no Brasil foi de 18,2% no primeiro semestre de 2020, fora os investimentos milionários que ela anunciou", ressalta Linda.

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Comentários: 5

Gabriel Simões Martins Coelho em Terça, 27 Outubro 2020 20:13

Nestlé quer lucrar cada dia mais, cortando alimento da mesa da família dos seus trabalhadores, depois que pagar de empresa modelo nas redes sociais, mais nos estamos aqui para denunciar para o mundo todo, quem e a Nestlé, ótima matéria feira pelo século diário, obrigado pelo apoio, que mais órgãos de comunicação, de apoiou aos trabalhadores.

Nestlé quer lucrar cada dia mais, cortando alimento da mesa da família dos seus trabalhadores, depois que pagar de empresa modelo nas redes sociais, mais nos estamos aqui para denunciar para o mundo todo, quem e a Nestlé, ótima matéria feira pelo século diário, obrigado pelo apoio, que mais órgãos de comunicação, de apoiou aos trabalhadores.
Elifas Medeiros em Terça, 27 Outubro 2020 21:37

Absurda a proposta de cortes da Nestlé, numa estratégia global de desmerecimento daqueles que produzem sua riqueza, os trabalhadores. A categoria está indignada e pelo andar da carruagem, disposta a traduzir toda está raiva em luta. Nossa resposta será a resistência! Ninguém tira nossas conquistas. À luta!

Absurda a proposta de cortes da Nestlé, numa estratégia global de desmerecimento daqueles que produzem sua riqueza, os trabalhadores. A categoria está indignada e pelo andar da carruagem, disposta a traduzir toda está raiva em luta. Nossa resposta será a resistência! Ninguém tira nossas conquistas. À luta!
Elzineia em Terça, 27 Outubro 2020 23:38

Nestlé só visa lucro, não reconhece o esforço, dedicação de seus trabalhadores, pelo contrário, quer cortar 50% de sua alimentação, é gananciosa teve aumento no Brasil 18,2% no primeiro semestre de 2020, e vem com estas proposta indecente imoral..
Parabéns trabalhadores da Bahia, em NÃO aceitar essa proposta que a Nestlé impõe..
Em Vila Velha E.S, vai ter luta, vai ter resistência, Nestlé deixa de ser covarde e vamos para mesa negociar...
RETROCEDER NUNCA, RENDER-SE JAMAIS....

Nestlé só visa lucro, não reconhece o esforço, dedicação de seus trabalhadores, pelo contrário, quer cortar 50% de sua alimentação, é gananciosa teve aumento no Brasil 18,2% no primeiro semestre de 2020, e vem com estas proposta indecente imoral.. Parabéns trabalhadores da Bahia, em NÃO aceitar essa proposta que a Nestlé impõe.. Em Vila Velha E.S, vai ter luta, vai ter resistência, Nestlé deixa de ser covarde e vamos para mesa negociar... RETROCEDER NUNCA, RENDER-SE JAMAIS....
Renato figueiredo em Quarta, 28 Outubro 2020 01:59

Muito indignado com a postura dessa Nestlé, somos a favor do crescimento sim, geração de empregos sim, mas muito mais somos a favor do reconhecimento de cada trabalhador, e não com tapinhas nas costas, e não querendo cortar o poder de alimentação daquele que muito comtribui para o seu crescimento, inclusive em meio a pandemia, que empresa é essa que prega sobre uma boa alimentação e quer tirar o alimento da mesa do seu trabalhador, não incista, valorize , reconheça pois vai ter resistência......

Muito indignado com a postura dessa Nestlé, somos a favor do crescimento sim, geração de empregos sim, mas muito mais somos a favor do reconhecimento de cada trabalhador, e não com tapinhas nas costas, e não querendo cortar o poder de alimentação daquele que muito comtribui para o seu crescimento, inclusive em meio a pandemia, que empresa é essa que prega sobre uma boa alimentação e quer tirar o alimento da mesa do seu trabalhador, não incista, valorize , reconheça pois vai ter resistência......
Samuel Reis em Quarta, 28 Outubro 2020 10:16

O esloga Nestlé é
Compre Baton
"seu filho merece"
De outro lado quer cortar alimento das familia , afinal seu filho merece o que?
50% a menos na alimentaçao ?
#VergonhaNestle...

O esloga Nestlé é Compre Baton "seu filho merece" De outro lado quer cortar alimento das familia , afinal seu filho merece o que? 50% a menos na alimentaçao ? #VergonhaNestle...
Visitante
Segunda, 27 Setembro 2021

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