Mobilização repete o que ocorreu no ano passado; tarifa zero também está na pauta
Estudantes e movimentos sociais mobilizam para esta sexta-feira (9), em Vitória, um ato em defesa da tarifa zero no transporte público e contra o aumento da passagem do Sistema Transcol, na Grande Vitória, que será votado no mesmo dia pelo Conselho Gestor do Transporte Público Metropolitano (CGTRAN). A mobilização está marcada para a sede do Departamento de Edificações e de Rodovias do Espírito Santo (DER-ES), na Ilha de Santa Maria, local onde ocorrerá a reunião do CGTRAN que deve deliberar sobre o reajuste da tarifa do sistema Transcol. O aumento proposto, se aprovado, elevará o valor de R$ 4,90 para R$ 5,10 em dias úteis, além de impactar as tarifas praticadas aos domingos e feriados.

O ato visa denunciar que o reajuste aprofunda desigualdades sociais e atinge de forma mais dura a juventude negra, periférica e a classe trabalhadora da Grande Vitória, que dependem diariamente do transporte público para acessar trabalho, estudo e serviços básicos. O provável aumento ocorrerá em um contexto de precariedade do sistema, como destaca o coordenador-geral do Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal do Espírito Santo (DCE-Ufes), Pedro Lucas Fontoura. Segundo ele, estudantes apontam problemas recorrentes, como superlotação, frotas em más condições, longos tempos de deslocamento e redução da oferta de ônibus nos fins de semana, especialmente em bairros periféricos de municípios como Cariacica, Serra e Vila Velha.
Para o Diretório Central dos Estudantes (DCE), a discussão sobre a tarifa precisa ser tratada como política pública e não apenas sob a lógica econômica. A entidade defende a ampliação do passe livre estudantil e a implementação da tarifa zero como medida estruturante. “Transporte público é direito, não mercadoria. Não aceitaremos mais aumentos enquanto a qualidade segue precária”, afirmou o DCE, em convocação para o ato nas redes sociais.
O DCE também destaca que experiências de tarifa zero já foram adotadas de forma pontual no Espírito Santo, como em dias de eleições e durante a aplicação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), o que, segundo a entidade, demonstra a viabilidade da política em situações específicas. Além de barrar o reajuste, a mobilização cobra mais transparência nas decisões do CGTRAN. De acordo com os estudantes, as reuniões do conselho ocorrem a portas fechadas, sem acesso da imprensa ou da população. “É preciso demarcar a nossa posição contrária a esse abuso”, reforça o chamado do ato.
Diante desse cenário, o DCE, por meio de sua representante no conselho, encaminhou um ofício ao CGTRAN com quatro pedidos centrais: a transmissão online da reunião ou a abertura do espaço para espectadores; a inclusão em pauta de uma audiência pública sobre o reajuste; a adoção da tarifa zero no Transcol durante o Carnaval; e o acompanhamento, pelo conselho, dos estudos de viabilidade da tarifa zero indicados pelo deputado estadual João Coser ao governo do Estado.
Representantes do movimento estudantil apontam que o Espírito Santo segue na contramão do debate conduzido pelo governo federal sobre o financiamento do transporte público. Em 2025, o governo federal determinou ao Ministério da Fazenda a realização de estudos para viabilizar economicamente o modelo em todo o país. Integrante do Conselho Tarifário e representante do Diretório Central dos Estudantes (DCE), Maria Isabel avalia que a gestão estadual tem se limitado a aplicar reajustes previstos em contrato, sem abrir espaço para discutir alternativas estruturais ao modelo atual.
Em janeiro de 2025, movimentos estudantis e sociais, sindicatos e organizações de trabalhadores realizaram protestaram em frente ao DER-ES, contra o aumento da tarifa do Sistema Transcol durante a reunião do Conselho Tarifário, que aprovou o reajuste de 4,26%. Na ocasião, os manifestantes denunciaram que o modelo atual penaliza os usuários do transporte coletivo, que já enfrentam dificuldades com as condições do serviço e o impacto do custo no orçamento familiar. Além disso, moradores de áreas periféricas relataram dificuldades adicionais de acesso, que agrava desigualdades na região.
A necessidade de uma auditoria do contrato vigente, que prevê reajustes anuais até 2044, foi uma das reivindicações apresentadas na ocasião pelo Movimento Passe Livre (MPL) e o Diretório Central dos Estudantes da Ufes (DCE), que articularam o protesto. As organizações também cobraram a realização de um estudo de viabilidade para a implementação da tarifa zero no Sistema Transcol e a construção de políticas públicas que garantam o direito ao transporte para todos, assim como a elaboração de um plano gradual para viabilizar a tarifa zero até o fim do contrato atual.

