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Sexta, 23 Outubro 2020

Se as aulas não chegam a todos não deveriam existir, reivindicam estudantes

ensino_remoto_alvaro_henriques_secretaria_de_educacao_distrito_federal Governo Distrito Federal

Como é possível que um secretário de Estado de Educação determine a realização de aulas remotas e a contagem delas como dia letivo, sem atuar para que todos os estudantes tenham, no mínimo, a tecnologia necessária? 

Para os estudantes, absolutamente invisibilizados pelo Estado na tomada de decisões sobre suas próprias vidas, esse grande despautério da gestão da Educação capixaba durante a pandemia de Covid-19 precisa ser parado.

A compra e distribuição de tablets – ou equipamentos similares, como Google books – e pacotes de internet suficientes para as pesquisas e downloads necessários aos estudos à distância são as condições mínimas para se pensar no encaminhamento do ensino remoto como alternativa ao distanciamento social necessário em unidades escolares, um dos ambientes mais perigosos para a transmissão do SARS-CoV-2.

"Tem que ter equipamento para todos os alunos. Se não chegar em todo mundo, que não faça", argumenta a estudante Elisama Barreto Seguro, do Grêmio do Colégio Estadual, em Vitória, uma das convidadas a participar da reunião online que o deputado Sergio Majeski (PSB) realiza nesta quarta-feira (19), às 18h, com estudantes de diversas instituições e coletivos.

Com o tema "A Educação e a pandemia na visão dos alunos – percepções e perspectivas relacionadas ao cumprimento das metas dos planos Nacional e Estadual de Educação", a reunião integra as atividades da Frente Parlamentar em Defesa do Cumprimento dos Planos Nacional e Estadual de Educação, e terá transmissão ao vivo pela TV Assembleia e pelos canais no Facebook e YouTube.

"O secretário [de Estado da Educação, Vitor de Angelo] fez uma fala em que ele disse, não exatamente com essas palavras, mas que significa basicamente que o EscoLAR não consegue atingir todo mundo mesmo", rememora Elisama. Ora, contrapõe a estudante, "se não chega em todo mundo, não deveria existir. A gente está chegando a essa conclusão entre muitos grêmios", expõe.

O programa EscoLAR, explica, tem acontecido por meio de videoaulas gravadas por um grupo de professores selecionados pela Sedu e transmitidas pela televisão. Já as atividades a serem feitas pelos alunos são preparadas pelos seus respectivos professores, que os atendiam nas aulas presenciais, e postadas na plataforma do programa, abrigada no Google Sala de Aula, cujo acesso é possível sem cobrança de dados de internet, por meio de um contrato feito entre o governo do Estado e a empresa de tecnologia.

O problema, conta Elisama, é que não há uma sincronia satisfatória entre o conteúdo gravado nas vídeoaulas e o que é postado pelos professores. "Muita gente não está nem aprendendo com esse modo de fazer as coisas", afirma. Entre os estudantes secundaristas, principalmente da educação pública, há um contingente importante que está tendo que trabalhar ou que "ajuda em casa como pode", descreve. "O ensino à distância, bom a gente não pode chamar assim, mas é isso, enfim, esse ensino é problemático por si só, por essas características dos alunos. E pra piorar, a plataforma não é 100% eficaz", relata.

"O estudante não têm o suporte que precisa. O que tem são as aulas da televisão, mas é uma solução falha. Muitos estudantes não têm televisão em casa ou não podem fazer uso naquele horário. Para funcionar, teria que ter uma aula por semana no mínimo, aulas que cheguem aos estudantes", reafirma.

O debate sobre o ensino remoto é urgente, ressalta Elisama, pois o retorno das aulas presenciais está fora de cogitação pelos estudantes por um tempo ainda impossível de prever, assim como para os professores, as famílias e os especialistas em epidemiologia e saúde coletiva. "Somos totalmente contra as aulas presenciais. Nós temos muitos professores em idade de risco. E os alunos, quando não têm problemas de saúde, têm sempre uma pessoa em casa em grupo de risco. Deveria estar fora de cogitação voltar as aulas. E estão investindo nisso em vez de outra situação, do ensino remoto", critica.

O pedido feito pelos grêmios secundaristas coincide com uma ação em curso por alguns campi do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo (Ifes), por iniciativa dos estudantes, de distribuição de tablets e internet para os alunos. É o que conta Pedro Coser, do coletivo Rebele-se ES, criado neste mês no Espírito Santo, seguindo uma onda nacional.

"A gente conquistou isso, com muito diálogo com os professores e a direção da escola", diz, citando pelo menos 100 tablets doados no Ifes de Cariacica. A instituição iniciou as aulas remotas em maio e conclui o primeiro semestre em outubro. O segundo semestres dos Ifes no País deve ser concluído até fevereiro, pouco depois do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), marcado pelo governo federal para janeiro de 2021, apesar do apelo para maio, feito em consulta pública. "Não adiantou em nada nos consultar", reclama.

A medida deveria ser implantada em todo o ensino médio e também no fundamental, acredita Pedro. "Se no ensino médio já é complicado ter aula remota, imagina no fundamental", aponta, considerando a menor autonomia dos alunos mais novos para estudarem sem o apoio físico dos professores.

Outros convidados confirmados são: Thompson Griffo (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas - UBES), Wallace Vargas (União Nacional dos Estudantes - UNE), Luís Augusto Mendonça (União dos Estudantes Secundaristas do Espírito Santo - Ueses), Mayrianne Mattos (Grêmio do Ifes Vitória), Nathalia Martins (Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal do Espírito Santo - DCE Ufes), Romulo de Barros Marvila (Educação de Jovens e Adultos da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Desembargador Carlos Xavier Paes Barreto), Gabriely Costa Pimentel (Escola Municipal de Ensino Fundamental em Tempo Integral Professora Eunice Pereira Silveira), e Jonas Lube (UVV).

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