Monumento Bike Ghost, na orla de Camburi, vai ser revitalizado durante evento

No próximo dia 15, a morte da modelo Luisa da Silva Lopes, atropelada por uma motorista embriagada em Vitória quando tentava atravessar a rua de bicicleta, completará quatro anos, e sem nenhuma resposta definitiva do Poder Judiciário sobre o crime. Para celebrar a memória de Luisa e reforçar o apelo por justiça, haverá um ato neste domingo (12), às 9h, em frente ao Clube dos Oficiais, na orla de Camburi.
Na ocasião, o monumento Bike Ghost vai ser revitalizado. A bicicleta branca instalada em um poste, em homenagem a Luisa, será trocada por um novo equipamento, e haverá nova pintura, recolocação de imagens e adesivos e uma nova faixa, ressaltando os quatro anos do crime. O evento também vai abrir espaço para falas de familiares e cicloativistas, contando ainda com a apresentação do grupo Maracatu Santa Maria.
Em fevereiro de 2025, a Justiça determinou que a corretora de imóveis Adriana Felisberto Pereira, que dirigia o carro que atropelou Luisa, deve ir a júri popular, respondendo pelo crime de homicídio qualificado, bem como a sanções previstas no Código de Trânsito. A defesa contestou, mas o primeiro recurso foi negado em abril do mesmo ano.
“A partir do momento em que a motorista ingeriu a bebida alcoólica, ela assumiu o risco de matar, e por isso precisa ir a júri popular. Já está comprovado que ela bebeu antes de dirigir, não tem nem como contestar isso”, defendeu na ocasião o advogado Ildo Almeida, que acompanha a família de Luisa no caso. Entretanto, Adriana conseguiu o direito de responder em liberdade, e a ação penal contra ela não teve mais avanços na tramitação.

Adriana Felisberto Pereira dirigia embriagada, acima da velocidade permitida, e vitimou Luisa fatalmente em frente ao Clube dos Oficiais, onde chegou a arrastar seu corpo por cerca de 40 metros. O crime aconteceu em abril de 2022. A irmã de Adriana estava com ela no carro. Antes, as duas tinham ido a dois bares, um em Jardim Camburi e outro no Triângulo, na Praia do Canto.
Câmeras de videomonitoramento de um dos bares em que Adriana esteve com a irmã e a comanda de consumo atestam que ela bebeu antes de dirigir. A Polícia Civil identificou que ela levou um copo de cerveja à boca 23 vezes em cerca de 30 minutos, e também ingeriu vodka.
Em dezembro de 2022, oito meses depois do crime, Adriana Felisberto foi denunciada à Justiça pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES). Entretanto, não foi pedida sua prisão, o que foi contestado pela mãe da vítima. “Diante de tantas provas, meu sentimento é de indignação”, desabafou na ocasião.
Além das provas de que a corretora foi responsável pelo atropelamento, Adriani recordou as palavras ditas pela mulher que atropelou sua filha, que se preocupou muito mais com o estado em que se encontrava seu carro do que com a vítima, inclusive, referindo-se a Luisa com frieza e discriminação, ao proferir frases como “ela provavelmente era uma empregada doméstica sem importância” e “não quero saber dela, não”.
A morte da modelo causou grande comoção, o que motivou a realização de protestos. A jovem estudava Oceanografia e participava de projetos de Carnaval, capoeira e dança. Em dezembro de 2022, foi inaugurado, no Centro de Ciências Humanas e Naturais (CCHN) da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), o prédio Luisa da Silva Lopes, dedicado ao Módulo III da Pós-Graduação, no campus de Goiabeiras. O nome foi uma escolha da própria comunidade universitária, por meio de edital cultural.

