Terça, 25 Junho 2024

Gilvan da Federal se torna réu por injúria racial e violência política de gênero

gilvanReproducao Reprodução

O deputado federal Gilvan da Federal (PL) se tornou réu em uma denúncia ofertada pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES) por violência política de gênero e injúria racial contra a deputada estadual Camila Valadão (Psol). O caso ocorreu em dezembro de 2021, quando ambos ainda eram vereadores de Vitória. A notícia foi divulgada pela parlamentar em suas redes sociais. Camila manifestou emoção com o posicionamento do Ministério Público e destacou que "essa decisão no dia de hoje, na semana do Dia Internacional da Mulher, é uma vitória de todas nós!".

O fato da denúncia ocorreu quando, durante uma manifestação dos professores da rede municipal de ensino na Câmara de Vitória, Camila pediu respeito ao momento de fala do vereador Anderson Goggi (PP). Foi aí que Gilvan, fora do microfone, a mandou calar a boca. A vereadora reagiu dizendo "você não vem me mandar a calar a boca aqui dentro, você não vem me xingar, porque eu não baixo bola para você. Você me respeita, não me manda calar a boca".

Nesse momento, a transmissão ao vivo da sessão foi interrompida, impossibilitando os cidadãos de terem conhecimento do que se passou a partir daí. Porém, na ocasião, Camila publicou em suas redes sociais vídeos feitos por pessoas que estavam no local, que a mostram, ao microfone, dizendo "eu exijo respeito, não caio em provocação não. Como que um homem eleito pode mandar uma vereadora no exercício de sua atividade parlamentar calar a boca?!".

Ao contrário de Camila, Gilvan não falou ao microfone, impossibilitando que sua fala fosse ouvida com clareza, mas as imagens mostram que ele estava muito alterado e apontando o dedo para a vereadora, inclusive fazendo o gesto de "arminha". Entre as acusações, chamou Camila de "satanista" e "assassina de bebês e crianças".

Nesta terça-feira (5), quando noticiou em suas redes sociais que Gilvan da Federal se tornou réu, Camila Valadão lembrou que os dois anos em que esteve como vereadora na Capital foram de agressões por parte dele. "Fui interrompida, desqualificada, insultada, chamada de 'covarde', 'canalha', 'maquiavélica', entre outros", recordou.

Ela acrescentou: "nunca me calei diante dessas violências pois sempre tive certeza dos seus objetivos: impedir ou dificultar o pleno exercício político das mulheres, a partir da criação de um ambiente hostil, intimidador e degradante para nos excluir, silenciar e até desestimular a nossa participação política". 

No início de fevereiro, Gilvan passou por uma condenação na Justiça por calúnia e difamação contra a secretária estadual das Mulheres, Jaqueline Moraes (PSB), quando ela era vice-governadora. A notícia da condenação foi anunciada por ela no Twitter. "Um ex-vereador da nossa capital, hoje deputado, foi condenado pela Justiça por me caluniar, difamar e injuriar. Para mim, minha família e todas as mulheres, detestadas pelo grupo político do qual ele faz parte, um alívio. Sigo confiando na Justiça, como tem que ser".

Jaqueline processou Gilvan após discurso em plenário que foi divulgado nas redes sociais, acusando-a de "enriquecimento acelerado" e dona de "fazendas e fazendas". A secretária já tinha conseguido, também via Justiça, a retirada do conteúdo do ar.

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