No Estado, a deputada Camila Valadão se posicionou contra federação e a favor de Lula

O Diretório Nacional do Partido Socialismo e Liberdade (Psol) rejeitou, em votação realizada nesse sábado (7), a proposta de se integrar à Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB, PV), e encaminhou renovação da aliança com a Rede Sustentabilidade. No mesmo dia, os psolistas confirmaram que vão apoiar a tentativa de reeleição do presidente Lula (PT) desde o primeiro turno das eleições de 2026. As decisões se alinham com o que defende a deputada estadual Camila Valadão, uma das principais lideranças do partido no Espírito Santo.
“Eu sou contra a federação com o PT em vários aspectos. Mas, entre eles, defendo a autonomia do Psol em relação ao governo [do presidente Lula, do PT], para votar, defender, se posicionar em diversos temas favoráveis, quando beneficiar a classe trabalhadora, e de forma contrária também, quando não beneficiar”, comentou Camila, em entrevista para Século Diário.
De acordo com informações de filiados do Psol, 75% do diretório rejeitou a incorporação a federação liderada pelo PT. Entre os petistas, a ideia era vista com bons olhos, mas diversas lideranças, como o deputado federal Helder Salomão, pré-candidato a governador do Espírito Santo, já consideravam difícil que fosse aprovada para as eleições deste ano. Dentro do Psol, a aliança era defendida principalmente pela Revolução Solidária, corrente liderada por Guilherme Boulos, deputado federal licenciado e ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República – que esteve em Vitória no último dia 27.
A resolução aprovada pella Nacional destaca que “a atual legislação que trata das federações não apresenta qualquer salvaguarda democrática que proteja os partidos menores que optam por federar com partidos maiores e que isso teria reflexos em decisões muito importantes como, por exemplo, as alianças e táticas eleitorais que já estão em curso nos estados, comprometendo nossa autonomia”.
No que diz respeito às táticas eleitorais deste ano, a resolução aponta que “nosso objetivo nesta eleição não será o de utilizar a disputa com o único intuito de projeção ou construção de figuras públicas. Os estados deverão, quando possível, priorizar a unidade do campo progressista, desde o primeiro turno, em torno da disputa de Governo que represente o melhor nome para derrotar a extrema-direita, guardadas as devidas especificidades quando isso for inviabilizado por composições ou posicionamentos que comprometam o perfil partidário”.
No caso do Espírito Santo, já existe um acordo bem alinhado entre o Psol e a federação liderada pelo PT em torno das pré-candidaturas de Helder Salomão a governador e Fabiano Contarato a senador (reeleição). O PT pretende apoiar, como um segundo candidato ao Senado, o governador Renato Casagrande (PSB), mas ainda não há confirmação se o Psol vai seguir nesse mesmo posicionamento ou colocará candidato próprio para senador.
Mas a principal dúvida que resta é sobre como ficará o posicionamento da Rede Sustentabilidade em caso de confirmação da continuidade da federação com o Psol. Em 2022, a Rede lançou o ex-prefeito da Serra Audifax Barcelos como candidato a governador, mas os psolistas não embarcaram na campanha.
Na Assembleia Legislativa, enquanto Fábio Duarte (Rede) se alinha com a base governista, Camila Valadão nunca hesitou em votar contra projetos do governo. A própria deputada já disse que os dois partidos funcionam de forma autônoma, e a tendência é que essa configuração permaneça.

