Quarta, 12 Junho 2024

Ato em Aracruz resgata memória das vítimas de atentado e pede justiça

atirador_escolas_aracruz_reproducao_policia_civil Reprodução PCES

Uma manifestação irá marcar os quatro meses do atentado a escolas de Aracruz, norte do Estado, em novembro último. O protesto será no próximo dia 25, em Coqueiral, para preservar a memória das vítimas e pedir justiça e reparação. 

A concentração será às 9h30, na Praça da Amizade. De lá, os manifestantes sairão pelas ruas do bairro com um carro de som, fazendo falas e apresentações culturais, com músicas, poesias e outras manifestações artísticas. Os organizadores são o Coletivo de Mulheres Dona Astrogilda, o Fórum Antifascista e o 8M Unificado, que conta com entidades como o Fórum de Mulheres do Espírito Santo (Fomes). 

O atentado ocorreu primeiro na Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio (EEEFM) Primo Bitti, onde, após arrombar o cadeado, um adolescente de 16 anos entrou e fez diversos disparos na sala dos professores, vitimando fatalmente as docentes Maria da Penha Banhos, Cybelle Bezerra e Flavia Amoss. Outras três professoras baleadas sobreviveram, mas estão com sequelas. Depois o atirador seguiu para o Centro Educacional Praia de Coqueiral (CEPC), escola da rede privada de ensino, onde efetuou mais disparos e matou a estudante Selena Sagrillo. Outros dois alunos também foram baleados, mas conseguiram sobreviver. Uma adolescente se encontra na cadeira de rodas. 

Leilany Santos Moreira, professora da Primo Bitti, afirma que o ato "quer manter a memória viva para não acontecer de novo em outras escolas e espaços da sociedade". Também reivindica justiça, pois, para ela, "tem muito mais coisa envolvida nesse crime".

A professora recorda que o atirador usava uma suástica e que 
tanto ele quanto o pai faziam postagens de apologia ao nazismo. "Não se pode dizer que a família não tem responsabilidade diante do ocorrido, principalmente o pai, que comprou um livro de Hitler para o filho ler. É preciso combater as células nazistas que existem no Espírito Santo e no restante do país", defende Leilany, que integra o Coletivo Astrogilda e o Fórum Antifascista.

A reparação, defende a professora, deve ser para as famílias que perderam seus entes queridos, as vítimas que sobreviveram e a comunidade escolar. "Nada vai trazer as pessoas de volta, mas as famílias daquelas que morreram precisam ser indenizadas de forma justa", pontua. E acrescenta: "elas estavam em seu local de trabalho, uma escola estadual, deveriam estar protegidas pelo Estado, mas foram mortas ali, por uma arma do Estado", aponta, referindo-se ao fato de que a arma utilizada pelo atirador era de seu pai, tenente da Polícia Militar (PM).

Leilany reivindica que os sobreviventes tenham assistência em seus tratamentos diante das sequelas, necessitando de cuidados para questões não somente físicas, mas também psicológicas, psicológicas, e na sua garantia de sobrevivência.

Quanto a toda a comunidade escolar, lembra que após o atentado, em parceria com a Prefeitura de Aracruz, o governo do Estado disponibilizou no posto de saúde de Coqueiral de Aracruz um psicólogo e um psiquiatra para atender esse público. O quantitativo, contudo, é considerado insuficiente. Para piorar a situação, o contrato dos profissionais era de três meses e, passado esse período, não foi renovado.

Leilany relata que até hoje a rotina da escola não voltou ao normal. A sala dos professores, onde o adolescente efetuou os disparos, foi desativada. Hoje, esses profissionais se encontram em um espaço improvisado. O banheiro dos docentes continua sendo ao lado da antiga sala, mas ninguém usa por não conseguir chegar perto "daquela porta", que é a que o atirador adentrou. Há casos de professores que choram ao ir para o local de trabalho, de gente que quando chega na escola tem aumento de pressão, acrescenta. 

Os alunos também apresentam mudanças de comportamento, estando mais dispersos, demonstrando medo e tristeza A docente narra que uma estudante confidenciou que fica nervosa quando toca o sinal do recreio, pois foi depois dele que o atirador invadiu a escola. "Assim como ela sente isso, muitos outros devem sentir, por isso, devemos ser ouvidos e assistidos", reivindica.

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