Terça, 25 Junho 2024

Decretada prisão preventiva de PMs envolvidos em assassinato em Pedro Canário

fachada_tjes_2_divulgacao Divulgação

Os cinco policiais militares envolvidos no assassinato de Carlos Eduardo Rebouças Barros, de 17 anos, em Pedro Canário, norte do Estado, tiveram sua prisão em flagrante convertida para preventiva após audiência de custódia realizada nesta quinta-feira (2). Será instaurado inquérito policial militar, sendo analisada a conduta dos policiais desde o que foi escrito no Boletim de Ocorrência (BO) até a morte do adolescente. Os PMs serão julgados na justiça comum, na cidade onde o crime ocorreu.

Os nomes dos PMs foram divulgados: Leonardo Jordão da Silva, Samuel Barbosa da Silva Souza, Thafny Da Silva Fernandes, Tallisson Santos Teixeira e Wanderson Gonçalves Coutinho. Os acusados se valeram do direito de permanecer em silêncio durante a audiência. Eles estão presos no Quartel da Polícia Militar, em Maruípe.

O documento da audiência diz que, "para resguardar a investigação e inclusive a vida dos indiciados, em virtude da comoção que o caso gerou, o MP entende que há elementos para converter o flagrante em prisão preventiva. Requer, portanto, a conversão do flagrante em prisão preventiva e a instauração do inquérito policial militar". A apuração também será feita por meio de ação penal que será instaurada e tramitará no juízo competente. 

O assassinato aconteceu no bairro São Geraldo e foi flagrado por uma câmera de segurança. O rapaz aparece sentado. Depois se levanta, é baleado, e seu corpo é levado para um terreno atrás do muro. No mesmo dia, os cinco policiais, que são dois cabos e três soldados, foram detidos pelo crime de homicídio e ouvidos no 13º Batalhão da PM, em São Mateus, no norte.
Reprodução

A deputada estadual e presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa, Camila Valadão (PSOL), encaminhou na tarde desta quinta-feira (2) ao Ministério Público do Estado (MPES) e à Secretária de Justiça (Sejus), ofícios solicitando imediatas providências dos órgãos competentes em relação ao assassinato.

No ofício entregue ao Ministério Público, pede o imediato afastamento dos agentes de segurança até o final das investigações; publicização do nome, patente e número funcional dos militares presentes na ocorrência; reunião junto ao MPES para formulação e execução de ações conjuntas de Direitos Humanos; e a intervenção do órgão ministerial para adiantamento do processo de instalação de câmeras nos uniformes de todas as polícias do estado.

"Estamos ainda estarrecidas com as imagens e notícias vindas do município de Pedro Canário. É inadmissível que situações como essa ocorram em nosso Estado. Não podemos tolerar a normalização da violência e da violação de direitos nas nossas instituições. É urgente o afastamento dos cinco agentes envolvidos", diz a deputada.

"Entendemos que a implementação das câmeras nos uniformes das polícias será um instrumento essencial para coibir os maus profissionais de atos manifestamente ilegais e autoritários contrários aos valores da instituição policial", completou.

À Secretaria de Justiça, Valadão cobra, além do afastamento dos policiais; a criação de uma ouvidoria externa das polícias para recebimento de denúncias e a reativação do Comitê e Mecanismo Estadual para Prevenção e Erradicação da Tortura no Espírito Santo; indicação de ações para evitar a letalidade e abuso de agentes públicos no uso de suas atribuições legais e em representação estatal; criação de uma ouvidoria externa das polícias com o fim de recebimento e tratativa de denúncias da população; e reunião com a secretaria de Estado para formulação e execução de ações conjuntas de Direitos Humanos.

Mãe contesta versão de policiais sobre assassinato de jovem em Pedro Canário

Cleia Louza Rebouças, em entrevista à TV Gazeta Norte, disse que vítima foi morta algemada e já havia sido ameaçada pelos PMs
https://www.seculodiario.com.br/seguranca/mae-contesta-versao-da-pm-sobre-assassinato-de-jovem-em-pedro-canario

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Comentários: 1

Araujo em Terça, 07 Março 2023 10:07

O policial fez errado? Não há dúvida que ele fugiu do padrão do treinamento e do ensinado.

Uma coisa que precisa ser discutida é o que leva o policial fazer esse tipo de ato? É um problema de treinamento? Da falta de continuidade de formação que é o problema? Pode ser uma questão de Burnout? Problemas de saúde mental não identificado pela falta de cuidado com o efetivo das tropas? Pode até ser um desvio individual de conduta, mas a questão sempre é tratada culpabilizando ou a vítima ou o agressor, e não a identificação, gestão ou causa de fatores geradores desses eventos, pois no fim é um pobre e um trabalhador que andaram fora da norte, e todos dormem tranquilos quando estes saem de cena, no cemitério ou numa cela, esquecidos.

O policial fez errado? Não há dúvida que ele fugiu do padrão do treinamento e do ensinado. Uma coisa que precisa ser discutida é o que leva o policial fazer esse tipo de ato? É um problema de treinamento? Da falta de continuidade de formação que é o problema? Pode ser uma questão de Burnout? Problemas de saúde mental não identificado pela falta de cuidado com o efetivo das tropas? Pode até ser um desvio individual de conduta, mas a questão sempre é tratada culpabilizando ou a vítima ou o agressor, e não a identificação, gestão ou causa de fatores geradores desses eventos, pois no fim é um pobre e um trabalhador que andaram fora da norte, e todos dormem tranquilos quando estes saem de cena, no cemitério ou numa cela, esquecidos.
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