A utilização do painel eletrônico para favorecer a imagem dos deputados, fazer discursos fora dos temas em pauta na sessão ordinária, utilizar a transmissão da TV Assembleia para as reuniões das comissões permanentes e especiais e frentes parlamentares. Tudo isso faz parte de um jogo bem conhecido dos capixabas. É um clássico do período eleitoral na Assembleia Legislativa.
Todo ano eleitoral é a mesma ladainha. O presidente convoca reunião de líderes, os deputados discutem o método para evitar propaganda de deputado A ou B, fala-se até em cortar o microfone dos parlamentares, mas, no final das contas, a estrutura da Assembleia Legislativa é sempre utilizada como instrumento de campanha.
É muito difícil estabelecer o limite entre o interesse público na atividade parlamentar e quando há abuso. A única regra que vale mesmo é a perda automática do mandato em caso de 25% de faltas no período legislativo. Mas sabe como é, as Assembleias ficam no Brasil, então sempre se dá um “jeitinho” de justificar faltas injustificáveis.
A produção cai, embora essa coisa de produção legislativa seja bem subjetiva. Os ânimos se exaltam com facilidade. Muitos deputados são adversários políticos em seus municípios e a briga não fica do lado de forma do plenário.
Este ano, os deputados estão preocupados, já que há muitas ameaças às suas cadeiras. Coligações de nanicos que prometem abocanhar uma parte das cadeiras das grandes coligações, instabilidades nos palanques majoritários, o desgaste dos prefeitos aliados e a própria imagem do legislativo que nunca foi uma maravilha.
A eleição tem ainda um componente pitoresco este ano, deixando o clima inda mais denso na Casa. A polarização da disputa ao governo do Estado deve deixar o plenário bastante dividido e além de suas candidaturas, os deputados passarão ainda a defender seus candidatos majoritários.
Nos próximos meses, a população pode esperar muitos embates, muitas farpas. Mas isso não tem nada a ver com a população. É uma briga de poder. É entre eles.
Fragmentos:
1 – Pelo menos no registro do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), os novos nomes colocados para a disputa eleitoral do Psol não aparecem na listagem de candidatos. Os pré-candidatos tucanos também não são lembrados na pesquisa do Futura.
2 – O PCdoB capixaba vai lançar o vereador de Vitória Namy Chequer para a disputa ao Senado. Como ele continua vereador se perder a eleição e o campo está aberto com a saída de Hartung da disputa, o que o comunista tem a perder, não é?
3 – O ex-prefeito da Serra, Audifax Barcelos não gostou desta história de ele ter pedido para ser vice de Casagrande, reagiu, afirmando que foi o governador quem tocou no assunto.

