Deborah Sabará comemora contrato com a Mitra para espaço no Centro de Vitória
Após meses em busca de um imóvel, a Associação Gold (Grupo Orgulho, Liberdade e Dignidade) firmou um contrato de comodato com a Mitra Arquidiocesana de Vitória para instalar o Equipamento Cidadania PopRua no Centro da Capital. A iniciativa, vinculada ao Governo Federal, será a única do Estado entre mais de 40 projetos selecionados no país para atendimento à população em situação de rua.
O equipamento será instalado em um prédio de sete andares ao lado da Igreja de São Gonçalo, atrás do Palácio Anchieta, e oferecerá serviços como banho, lavanderia, corte de cabelo, oficinas, atendimento psicossocial especializado para mulheres, apoio a pessoas acompanhadas de animais de estimação e encaminhamentos para a rede de assistência social. O funcionamento está previsto para todos os dias da semana, incluindo sábados, domingos e feriados.
A presidente da Gold, Deborah Sabará, afirma que o novo espaço foi pensado para complementar os serviços já existentes e ampliar as possibilidades de acolhimento e garantia de direitos para a população em situação de rua. “Esse projeto é um contraponto até dos serviços que já existem. É para receber a população em situação de rua e vai funcionar todos os dias da semana. Muitos serviços da prefeitura não funcionam sábado e domingo, e o nosso vai funcionar”, destacou.

O Cidadania PopRua integra o Plano Nacional Ruas Visíveis, e é desenvolvido por meio de parceria entre o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), por intermédio da Diretoria de Promoção dos Direitos da População em Situação de Rua, e o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). O programa prevê a implantação de equipamentos em diferentes regiões do país com foco na promoção da cidadania, acesso a direitos e inclusão social.
Segundo Deborah, a Gold participou do edital federal e foi selecionada para executar o projeto no Espírito Santo. A maior dificuldade, entretanto, surgiu após a aprovação da proposta: encontrar um espaço adequado para a instalação do equipamento. “Nós ficamos procurando um local desde que saiu o resultado, em dezembro do ano passado. Encaminhamos ofícios para diversos lugares, procuramos alternativas, mas não encontramos. A prefeitura não nos respondeu, o governo do Estado não nos respondeu, e vários lugares para os quais enviamos ofícios também não responderam”, relata.
A solução veio por meio da Arquidiocese de Vitória. Após receber uma solicitação da entidade, a Igreja Católica manifestou interesse em conhecer a proposta e decidiu ceder o imóvel sem cobrança de aluguel. “Por incrível que pareça, quem respondeu foi a igreja. Ela entendeu a importância desse projeto para a população em situação de rua e ofertou o espaço para que ele pudesse acontecer”. O imóvel foi cedido por um período inicial de dois anos. Pelo contrato de comodato, a Arquidiocese disponibiliza o prédio para uso da associação, enquanto toda a execução do projeto ficará sob responsabilidade da entidade. “As melhorias necessárias, pintura e qualquer adequação que precisar ser feita, serão de nossa responsabilidade”, explicou.
Deborah avalia que a decisão da Igreja representa um gesto importante diante dos desafios enfrentados pela população em situação de rua. “Para mim, é um marco da Igreja Católica mostrando seu compromisso também com as pessoas mais pobres e mais carentes. Havia um espaço disponível, que foi colocado à disposição para ajudar quem mais precisa”.
De acordo com a proposta apresentada pela Gold, o equipamento funcionará das 13h às 19h, em horário complementar aos serviços já ofertados pela rede municipal. A intenção é atender demandas que muitas vezes não encontram respostas em outros equipamentos públicos. Além de espaços para banho e higienização pessoal, o local contará com lavanderia, corte de cabelo e atividades voltadas para fortalecimento de vínculos e inclusão social. Um dos diferenciais será o atendimento psicossocial específico para mulheres em situação de rua, segundo Deborah, “para compreender as situações em que elas vivem e construir encaminhamentos em conjunto”.
O projeto também prevê acolhimento para pessoas acompanhadas de animais de estimação. A presidente da entidade destaca que muitos moradores de rua deixam de acessar determinados serviços por não terem onde deixar seus animais. “A pessoa poderá levar seu cachorro, seu pet, para tomar banho e se alimentar. Isso é uma realidade da população em situação de rua e precisa ser considerada”.
A Gold também pretende abrir espaço para participação de voluntários interessados em oferecer oficinas e atividades. “Já estamos construindo essa rede. Queremos que pessoas que gostam de trabalhar com a população em situação de rua possam contribuir com oficinas, atividades e serviços voluntários”, menciona.
A escolha do Centro de Vitória foi considerada fundamental para o sucesso da iniciativa. Débora afirma que, durante a busca por um imóvel, foram avaliadas possibilidades em diferentes regiões da cidade, mas a prioridade sempre foi instalar o equipamento próximo aos locais onde há maior concentração de pessoas em situação de rua.
“Nós encontramos possibilidades em outros bairros, mas nosso interesse era que o equipamento ficasse no Centro de Vitória. É onde há uma concentração maior dessa população e já existem outros serviços de referência”, observa. A proximidade com o Centro Pop e com outras estruturas públicas de atendimento é apontada como um fator positivo para fortalecer o trabalho em rede. “Nós vamos trabalhar em parceria com os serviços que já existem, encaminhando pessoas e buscando soluções para as demandas que aparecerem”, acrescenta.
Para a Associação Gold, o impacto mais imediato do novo equipamento será ampliar as condições de acolhimento e promover mais dignidade para pessoas que vivem nas ruas. Deborah avalia que a falta de acesso a serviços básicos de higiene acaba contribuindo para processos de exclusão e discriminação. “Muito do preconceito que a população em situação de rua sofre acontece por falta de acesso a coisas simples, como um banho ou um local para se higienizar. O equipamento vai possibilitar isso”, destaca.
Ela acredita que o projeto poderá gerar efeitos que vão além dos serviços ofertados diretamente. “A pessoa vai poder tomar um banho, cortar o cabelo, cuidar de si mesma e participar de atividades da cidade com mais dignidade. É mais um equipamento que vai contribuir para o atendimento e para o acolhimento dessa população”, celebra.
As adequações necessárias para o início das atividades ainda serão avaliadas por profissionais técnicos, mas, de acordo com Deborah, o prédio está em boas condições estruturais e não deve exigir grandes intervenções. “Acho que as adequações serão mínimas. O prédio está em ótimas condições e atende ao que o projeto exige”, aponta.
Com a formalização do contrato de comodato, a expectativa da entidade é iniciar os preparativos para colocar o equipamento em funcionamento e divulgar o novo serviço entre organizações, movimentos sociais e órgãos que atuam com população em situação de rua em Vitória. “Eu ainda não consigo medir o tamanho do impacto que esse projeto pode ter. Tenho certeza de que muitas pessoas e parceiros vão querer ajudar a construir esse trabalho junto com a gente”, exalta a liderança.

