Sexta, 24 Setembro 2021

'Lutem como uma professora', diz docente ameaçada por vereador

prof_rafaella_foto_facebook_camila_valadao Facebook/ Camila Valadão

Organizado em menos de 24 horas, o ato em apoio à professora Rafaella Machado nesta segunda-feira (21) surpreendeu como uma resposta contundente às tentativas de intimidação capitaneadas por pais de alunos e pelo vereador de Vitória, Gilvan da Federal (Patri), por utilizar em suas aulas de inglês um conteúdo que falava sobre a questão LGBTQIA+. Cerca de 350 pessoas compareceram em frente à Escola Estadual de Ensino Médio Renato Pacheco, no bairro Jardim Camburi.

"Rafaella Machado, estamos com você", foi um dos gritos que ecoaram com força durante a ação, que teve início por volta de 17h na Praça Nilze Mendes, que fica a uma quadra da escola. Com máscaras de proteção e cartazes em punho, os manifestantes seguiram até a entrada do colégio para receber a professora depois do trabalho, já que Gilvan havia afirmado que a iria "aguardar na saída" nesta segunda-feira. O vereador não foi visto no local.

Facebook/ Iriny Lopes
Às 18h25 a professora saiu da escola sob gritos de apoio vindos do lado de fora. Sua camisa dizia "Lute como uma garota" e logo Rafaella recebeu flores e empunhou uma bandeira LGBTQIA+. Uma aluna leu uma curta nota de apoio, que foi repetida em jogral pelos presentes. "Queremos dizer que repudiamos qualquer tipo de intimidação e ameaça contra qualquer pessoa. Defendemos a liberdade de expressão e de ensino".

Ao final, a professora se manifestou aos presentes. "Eu não sou o tipo de professora que se acua facilmente. Eu confesso que é estranho, é assustador no começo. É assustador num estado democrático permitirmos que isso siga acontecendo com professores. Não é a primeira vez que o vereador Gilvan ataca professores. E ele tem uma preferência por mulheres", disse Rafaella emocionada.

Ela afirmou que Gilvan sabia que o diretor da escola não estaria presente na última sexta-feira, quando foi à EEEM Renato Pacheco. "Ele iria tentar nos acuar porque somos todas mulheres, eu, a coordenadora e a pedagoga. Mas o que acontece é que o tiro saiu pela culatra. Porque nós somos todas mulheres fodas e não abaixamos a cabeça para racismo, machismo, misoginia e todo tipo de preconceito", falou em discurso aos presentes.

"Eu sou combatente do discurso de ódio. Eu combato discurso de ódio dentro da minha sala de aula desde sempre. Quem é meu aluno está aqui de prova para falar", afirmou, acusando o vereador de disseminar esse tipo de discurso nas escolas. "Não podemos permitir censura. Os documentos oficiais da educação estão aí para isso. Estou respaldada pela lei e além da lei, por vocês", afirmou a professora aos manifestantes.

Facebook/ Camila Valadão

Rafaella fez um Boletim de Ocorrência (B.O) e afirmou que entrará com ação no Ministério Público Estadual (MPES) para resguardar sua integridade física e sua imagem. Também apontou que atitudes como a de Gilvan só se dão por conta da certeza da impunidade.

A professora lamentou que a identidade de uma das alunas tenha sido exposta na internet  e defendeu os estudantes. "Ao contrário do que disse o vereador, eles não são influenciáveis, eles são seres críticos, têm pensamento crítico", considerou a educadora, que confessou ter se surpreendida com o tamanho da rede de apoio construída de um dia para o outro. "Isso é importantíssimo. Quando essas coisas acontecem, a gente tem que apoiar, porque senão, nós professores, estaremos mudando nosso planejamento para evitar esse tipo de situação. E educação não se faz abaixando a cabeça. Educação crítica não se faz a partir do medo".

Rafaela Miranda, que estuda na EEEM Renato Pacheco e foi aluna da professora no ano passado, foi uma das que ajudou a construir o ato, planejado inicialmente a partir de estudantes. "A gente começou a pensar o que podia fazer juntando os alunos, dentro da escola mesmo, algo que contribuísse para ajudar a professora nesse momento difícil", contou. O grupo que iniciou na internet com cinco pessoas foi crescendo e logo se incorporou com grupos de outras séries que também haviam sido criados em paralelo. Depois somou-se o apoio de dezenas de entidades sociais.

Pelo caráter dos ataques, o ato aglutinou estudantes, professores, movimento LGBTQIA+ e também outras pessoas e grupos que quiseram não só apoiar a professora mas também repudiar a ação que interfere diretamente na liberdade de ensino. "Mexeu com uma, mexeu com todas" foi outro dos gritos presentes no ato.

Facebook/ Iriny Lopes
Além do fato de Gilvan ser vereador e não ter prerrogativa de fiscalização de escolas estaduais, as entidades que divulgaram nota em apoio a Rafaella Machado questionaram as ameaças e defenderam as leis que garantem a liberdade de ensino da professora e a abordagem dos temas trazidos por ela em sala de aula.

A ação do vereador ainda foi criticada pelo secretário de Educação do Espírito Santo, Vitor de Angelo, que afirmou que o Ministério Público foi acionado para apurar as ameaças contra a servidora da educação. Deputados estaduais como Sergio Majeski (PSB) e Iriny Lopes (PT) também repudiaram a atitude do legislador, assim como as vereadoras de Vitória Camila Valadão (Psol) e Karla Coser (PT), também alvos constantes de Gilvan no plenário da Câmara.

Durante o ato de solidariedade, moradores do prédio em frente ao colégio atiraram ovos nos manifestantes. A Polícia Militar, que estava presente com cinco viaturas, foi questionada mas não tomou nenhuma atitude. Havia policiais com armamento pesado em punho, o que foi considerado abusivo pelo advogado André Moreira, que estava presente no ato.

"Farei um requerimento ao governador Renato Casagrande com base na Lei de Acesso à Informação para saber quem deu a ordem para um destacamento de policiais armados acompanhar um movimento de estudantes, com crianças e adolescentes. E quem era o policial e que arma estava utilizando", comentou o advogado, que viu a ação como intimidadora.

Elisângela Melo

Apesar disso, não houve maiores incidentes e a manifestação se dispersou após uma caminhada de volta para praça onde ocorreu a concentração. "Houve um sentimento profundamente caloroso. Como educador fiquei emocionado de felicidade por ver a nova geração continuando essa luta. Vi ex-alunos meus presentes, vibrei por ver uma colega ser defendida por um bloco de compreensão. Fiquei contente, foi muito forte", disse o professor Gessé Paixão, que compareceu para apoiar a companheira de profissão.

Sobre uma das mesas de xadrez da praça, Rafaella concluiu seu discurso aos presentes com a seguinte frase: "Lutem como uma professora!".

Setenta entidades repudiam mais um ataque de Gilvan a professores

Um ato de solidariedade acontecerá em escola onde vereador de Vitória ameaçou docente que abordou questão LGBTQIA+ em aula
https://www.seculodiario.com.br/educacao/entidades-repudiam-mais-um-ataque-de-gilvan-a-professores

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Comentários: 7

Fabio a em Terça, 22 Junho 2021 04:31

Parabéns Gilvan!! Pela turma que estava lá, percebe-se que estava correto. Os pais e alunos estão reféns dessa turma do PSOL que estão usando os alunos como massa de manobra. Casos como esses precisam ser tragos a luz. E a sociedade q decida.

Parabéns Gilvan!! Pela turma que estava lá, percebe-se que estava correto. Os pais e alunos estão reféns dessa turma do PSOL que estão usando os alunos como massa de manobra. Casos como esses precisam ser tragos a luz. E a sociedade q decida.
Daniel Sousa Negreiros em Terça, 22 Junho 2021 15:43

O interessante é que eles são a favor da liberdade do ensino, mas estão com o tema: 'Não à Escola Cívico-Militar!'. Isso não é ser a favor de liberdade, isso é ser reacionário; comunista; chinesinho; chinezista; etc. O Brasil não precisa de vocês! Agora eu entendo toda essa repulsa contra o Vereador, pois eu sou homo fóbico, com muito orgulho; não o orgulho gay que eles assumem; mas com o orgulho de Brasileiro.

O interessante é que eles são a favor da liberdade do ensino, mas estão com o tema: 'Não à Escola Cívico-Militar!'. Isso não é ser a favor de liberdade, isso é ser reacionário; comunista; chinesinho; chinezista; etc. O Brasil não precisa de vocês! Agora eu entendo toda essa repulsa contra o Vereador, pois eu sou homo fóbico, com muito orgulho; não o orgulho gay que eles assumem; mas com o orgulho de Brasileiro.
LEVI PARANHOS DA SILVA em Terça, 22 Junho 2021 08:47

Professora com palavreado chulo!

Professora com palavreado chulo!
Dona Florinda em Terça, 22 Junho 2021 11:09

Continue assim Gilvan!!! Você foi eleito para fiscalizar . Pelo naipe dos presentes, vejo que vc está no caminho certo

Continue assim Gilvan!!! Você foi eleito para fiscalizar . Pelo naipe dos presentes, vejo que vc está no caminho certo
Daniel Sousa Negreiros em Terça, 22 Junho 2021 15:46

Levi! não se impressione, pois todos têm esse mesmo tipo de linguajar.

Levi! não se impressione, pois todos têm esse mesmo tipo de linguajar.
Daniel Sousa Negreiros em Terça, 22 Junho 2021 15:49

As setenta entidades que repudiaram as atitudes patrióticas de Gilvan, são Entidades formadas, na sua maioria, por Gays!

As setenta entidades que repudiaram as atitudes patrióticas de Gilvan, são Entidades formadas, na sua maioria, por Gays!
Seu Madruga em Quinta, 24 Junho 2021 00:45

Parabéns vereador, não te conhecia, agora vou seguí-lo nas redes sociais porque você defende pautas que defendem a família, os bons costumes e tudo o que uma família decente quer para seus filhos, não o que essas turma psolista/PTralha quer incutir em nossas crianças, ganhou meu voto, minha família também, para próximas eleições, continue assim, defendendo os conservadores que somos a maioria em Vix.

Parabéns vereador, não te conhecia, agora vou seguí-lo nas redes sociais porque você defende pautas que defendem a família, os bons costumes e tudo o que uma família decente quer para seus filhos, não o que essas turma psolista/PTralha quer incutir em nossas crianças, ganhou meu voto, minha família também, para próximas eleições, continue assim, defendendo os conservadores que somos a maioria em Vix.
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