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Segunda, 21 Junho 2021

Movimento se articula contra a militarização de escolas no Espírito Santo

2escolamilitar_CreditosDivulgacao_PrefeituraDeViana Divulgação/Prefeitura de Viana

Entidades da sociedade civil, mandatos parlamentares e pessoas físicas se uniram no movimento Não à Militarização na Escola (Name), que se mobiliza contra a implantação de escolas cívico militares no Espírito Santo. O grupo também quer se articular com outros estados para fortalecer a mobilização em nível nacional. "Criar escola cívico-militar é alterar o modelo das escolas públicas, passando por cima da Constituição Federal e da Lei de Diretrizes e Bases [LDB]", aponta uma das integrantes do movimento, Mariléia Tenório Dionísio.

Mariléia, que também é representante do segmento de mães, pais e responsáveis no Conselho da Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Éber Louzada, em Jardim da Penha, Vitória, afirma que escola cívico-militar "é um nome bonito, pomposo, para enganar as pessoas".

Segundo ela, "não existe escola cívico-militar na educação. Na verdade, o que querem é fazer com que as escolas públicas passem por um processo de militarização. Por causa do nome, muita gente confunde com escola militar, que é para formação de quadros para as forças armadas e da Polícia Militar [PM], mas não é", ressalta.

A integrante do Name afirma que a ideia que se vende é de que as escolas cívico-militares resolverão os problemas da violência e da qualidade da educação. Entretanto, isso não vai acontecer. "Não vai resolver e ainda vai causar outros problemas. Colocar militares na gestão das escolas é desvio de função, uma irregularidade. As escolas serão principalmente nas periferias e a gente sabe como a Polícia Militar trata os bairros periféricos. A PM já está lá todo dia e não resolve. Vai entrar na escola e resolver?", questiona. Para Mariléia, os militares não têm preparo nem habilitação para gerir escolas. "Vão criar um ambiente de autoritarismo", critica

O Espírito Santo já conta com duas escolas cívico-militares. Uma em Viana, na Grande Vitória, e outra em Montanha, norte do Estado. Ambas foram inauguradas em 2020. Vitória e Vila Velha estudam a possibilidade de fazer o mesmo, sendo que a capital já abriu consulta pública sobre o assunto. Em Cariacica, foi dada ordem de serviço para a criação de uma escola cívico-militar no bairro Itanguá e realizada consulta para uma em Jardim América.
Escola Cívico Militar de Viana. Foto: Prefeitura de Viana

No município de Cariacica, a consulta pública tem sido alvo de críticas por parte da comunidade da Escola Municipal de Ensino Fundamental Professor Cerqueira Lima, em Jardim América, e de entidades da sociedade civil, como a Federação das Associações de Moradores de Cariacica (Famoc). As críticas são pelo fato de que não houve diálogo sobre a implantação do modelo cívico-militar nem transparência na consulta pública, com falta de clareza sobre quem era apto a votar e na divulgação dos votos favoráveis e contrários.

Foto: Elaine Dal Gobbo

A consulta pública de Vitória é questionada pelo movimento Não à Militarização na Escola (Name). Em manifesto contra a militarização, o grupo relata que grande parte das comunidades escolares foi descartada. De acordo com o Name, somente pais e mães de alunos dos 6º ao 9º anos foram ouvidos, havendo, também, exclusão dos conselhos escolares de cada unidade de ensino da rede municipal, do Conselho Municipal de Educação de Vitória (Comev), do Fórum Municipal de Educação, do Fórum de Diretores, e de pesquisadores em educação.

Repúdio expresso em manifesto

O manifesto divulgado pelo Name foi assinado, até o momento, por 36 entidades da sociedade civil, além de mandatos, manifestando repúdio à militarização das escolas no Espírito Santo. O documento está aberto para adesões. Nele, o grupo afirma que as escolas cívico-militares atendem à lógica da "disciplina e obediência, sem reflexão e criticidade, da hierarquização que pactua com abuso de poder, da intimidação, da ameaça, do punitivismo, do medo, de apologia às armas e seu uso arbitraria e indiscriminadamente".

Trata-se, segundo o manifesto, da "transformação das escolas em ambientes de delegacias de polícia, de prisões e de quartéis". O documento aponta, ainda, que em outros estados as experiências de militarização das escolas foram ruins, não resolvendo falhas e criando "outros problemas, promovendo seletividade, constrangimento e, não menos grave, exclusão - EJA [Educação de Jovens e Adultos] e estudantes com necessidades especiais, sobretudo - chegando mesmo à expulsão de estudantes questionadores de um jeito ou de outro da 'ordem normal' imposta ou daqueles que ficam abaixo dos índices e notas/metas das avaliações".

O manifesto repudia o argumento de que os bairros periféricos são inseguros e sem boas escolas, sendo beneficiados pela militarização. "Ao contrário, suas crianças e jovens pobres e pretos em sua maioria, já sentem na pele o que significa a presença da polícia e de militares entre eles. É necessário que a militarização saia sobretudo das periferias, erradicando a criminalização de pobres e pretos", aponta.

Além disso, o grupo afirma que as escolas cívico-militares fragilizam "a autonomia dos trabalhadores da educação"  e "criam espaço para um ambiente de subalternalizações, infringindo o que está prescrito na legislação regulamentadora das atribuições dos servidores públicos".

Outro problema apontado é que, de acordo com as entidades, a militarização das escolas "é um desrespeito ao trabalho dos profissionais da educação, desprestigiando todo acúmulo teórico-prático da educação no Brasil".

Uma das preocupações do Name é o aumento do risco de profissionais sem condições de trabalho atuando, armados, nas escolas, como parte de militares na reserva "afastados por ausência de saúde e, legítimo, requerendo apoio na forma de afastamento e tratamentos psicológicos e psiquiátricos".

O manifesto finaliza destacando a necessidade de defesa "da escola pública, gratuita, laica, inclusiva, socialmente referenciada, de qualidade, como espaço de vivência criativa, acolhedora, respeitando a pluralidade, que valoriza os conhecimentos historicamente produzidos, propiciadora do desenvolvimento pleno, preparando para o exercício da cidadania e qualificação para o trabalho, garantidora do acesso universal e da permanência e, por fim, com gestão democrática".

Já assinaram o manifesto a Associação Intermunicipal Ambiental em Defesa do Rio Formate e Seus Afluentes (Asiarfa); Casa América Latina (Calles); Centro de Estudos Bíblicos do Espírito Santo (Cebi/ES); Coletivo Disparada; Coletivo Educação pela Base; Coletivo Inventando Moda e Produzindo Artes; Coletivo Luta Unificada dos Trabalhadores da Educação (Lute/ES); Comitê Capixaba da Campanha Nacional pelo Direito à Educação ; Comitê Resistência de Vila Velha em apoio a Lula e em Defesa da Democracia; Conselho Estadual de Ensino Religioso do Estado (Coneres); Cursinho Popular Tereza de Benguela; Central Única dos Trabalhadores (CUT/ES); Diretório Central dos Estudantes da Ufes (DCE/Ufes); e Federação das Associações de Moradores de Cariacica (Famoc).

E, ainda, Fórum de Mulheres do Espírito Santo (Fomes); Grupo de Estudos e Pesquisas Paulo Freire ; Instituto Raízes; Juntos pela Educação Pública; Kizomba-ES; Marcha Mundial de Mulheres do Espírito Santo; Movimento Nacional Quilombo Raça e Classe/ES; Movimento Sobreviva Brasil; Movimento Unificado de Desenvolvimento Alternativo (MUDA); Observatório de Direitos Humanos do Espirito Santo; Psol Cariacica e Vila Velha; PT Vitória e ES; Resistência Feminista; Resistência Psol-ES; Sindicato dos Trabalhadores na Ufes (Sintufes); Travessia - Coletivo Sindical e Popular; mandato da deputada estadual Iriny Lopes (PT); mandato deputado Federal Helder Salomão (PT); e mandato da vereadora de Vitória, Karla Coser (PT).

Escolas cívico-militares na Grande Vitória preocupam profissionais da educação

Viana inaugurou uma, Cariacica deu ordem de serviço, e Serra e Vitória já sinalizaram possibilidade de implantar o modelo
https://www.seculodiario.com.br/educacao/escolas-civicos-militares-sao-pautadas-no-autoritarismo

Vitória realiza consulta sobre escolas cívico-militares

Ação faz parte do processo de implementação do modelo escolar que é questionado por movimentos sociais e educacionais
https://www.seculodiario.com.br/educacao/vitoria-realiza-consulta-sobre-escolas-civico-militares

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Comentários: 6

BRUNO G. ELIAS em Quinta, 13 Mai 2021 13:25

SÓ FALTAVA ESSA. PORÉM, COM A ELEIÇÃO CHEGANDO AGORA EM 2022, ESSE PESSOAL MILITAR VOLTA TUDO PARA O QUARTEL DE NOVO.

SÓ FALTAVA ESSA. PORÉM, COM A ELEIÇÃO CHEGANDO AGORA EM 2022, ESSE PESSOAL MILITAR VOLTA TUDO PARA O QUARTEL DE NOVO.
Jefson Coelho Correia em Sexta, 14 Mai 2021 06:09

Olhem os resultados obtidos pelos alunos das escolas cívico-militares em outros Estados e comparem.
O índice de aprovação dos alunos dessas escolas, em vestibulares, concursos e as notas do ENEM, são altíssimos.
Existem filas de espera enormes.
Os professores civis são respeitados e não se ouve acerca de maus tratos aos alunos.

Olhem os resultados obtidos pelos alunos das escolas cívico-militares em outros Estados e comparem. O índice de aprovação dos alunos dessas escolas, em vestibulares, concursos e as notas do ENEM, são altíssimos. Existem filas de espera enormes. Os professores civis são respeitados e não se ouve acerca de maus tratos aos alunos.
Seu Madruga em Sexta, 14 Mai 2021 11:24

PT, PSOL e outras tranqueiras contra?! Se essas porcarias, dentre outras, são contra, então eu apoio, não só eu, mas as filas enormes dos pais responsáveis quando se abre vaga para uma escola cívico-militar, que apoiam escolas sérias que querem ensinar, português, matemática, respeito e não ideologias nefastas desses pseudo-professores. QUE VENHAM MAIS ESCOLAS CÍVICO-MILITARES.

PT, PSOL e outras tranqueiras contra?! Se essas porcarias, dentre outras, são contra, então eu apoio, não só eu, mas as filas enormes dos pais responsáveis quando se abre vaga para uma escola cívico-militar, que apoiam escolas sérias que querem ensinar, português, matemática, respeito e não ideologias nefastas desses pseudo-professores. QUE VENHAM MAIS ESCOLAS CÍVICO-MILITARES.
Henrique em Sexta, 14 Mai 2021 13:52

Qual a relevância e isenção nas entidades, mandatos e demais que só MILITAM uma ideologia? É sabido muito bem o que querem e temem com apenas algumas escolas nesse formato.
Sabem da procura e sucesso de cidadania aplicado nas escolas civico-militares ao contrario do falido método convencional.

Qual a relevância e isenção nas entidades, mandatos e demais que só MILITAM uma ideologia? É sabido muito bem o que querem e temem com apenas algumas escolas nesse formato. Sabem da procura e sucesso de cidadania aplicado nas escolas civico-militares ao contrario do falido método convencional.
Fabio em Sexta, 14 Mai 2021 19:54

Democracia é assim. Vc escolhe o que quer. O modelo de escola cívico militar tem que ser uma opção. Os esquerdopatas totalitários da anarquia sabem que a educação nesse modelo é bem melhor. Estão com medo de ficar mais claro ainda o tamanho da desordem que causaram na educação durante o tempo nefasto que ficaram no poder. Por isso esse movimento ridículo. Se essa escola vingar menos chances tem a esquerdalha de voltar ao poder. Simples assim. Jogo de poder. Querem nem saber de educação não . Papo furado

Democracia é assim. Vc escolhe o que quer. O modelo de escola cívico militar tem que ser uma opção. Os esquerdopatas totalitários da anarquia sabem que a educação nesse modelo é bem melhor. Estão com medo de ficar mais claro ainda o tamanho da desordem que causaram na educação durante o tempo nefasto que ficaram no poder. Por isso esse movimento ridículo. Se essa escola vingar menos chances tem a esquerdalha de voltar ao poder. Simples assim. Jogo de poder. Querem nem saber de educação não . Papo furado
Dr. KUKA B. LUDO em Quarta, 19 Mai 2021 15:18

Essa Mariléia só falou asneiras. Se ela mora em Jardim da Penha, bairro de pequenos burgueses, sou capaz de apostar que os filhos dela estudaram em escolas particulares, acertei?

Essa Mariléia só falou asneiras. Se ela mora em Jardim da Penha, bairro de pequenos burgueses, sou capaz de apostar que os filhos dela estudaram em escolas particulares, acertei?
Visitante
Segunda, 21 Junho 2021

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