Fim da aprovação automática; defesa de Universidade Estadual; escolas cívico-militares em pauta; e outras ideias

O Espírito Santo tem se destacado nos últimos anos no Índice de Educação Básica (Ideb), figurando entre as primeiras posições nacionais na etapa do Ensino Médio. Por outro lado, existem sérias críticas de profissionais que atuam na área, apontando para uma política muito voltada para o desempenho dos alunos em avaliações externas. Há também pesquisas importatnes sobre a influência de fundações empresariais no perfil pedagógico implementado pela Secretaria de Estado da Educação (Sedu) – o que pesquisador Israel Frois chama de “fast food educacional”. Outro problema dos últimos anos é a política de fechamento de escolas do campo, dificultando o acesso para comunidades rurais.
Entre as propostas dos candidatos a governador para Educação, o atual governador, Ricardo Ferraço (MDB) defende uma continuidade das políticas atuais, mas dando ênfase em investimentos em tecnologia aplicadas à área. As duas outras candidaturas de direita (Lorenzo Pazolini e Breno Barcelos) têm como foco a melhoria da aprendizagem. Os dois nomes da esquerda (Helder Salomão e Rafael Demuner) enfatizam estratégias para superar desigualdades educacionais. Três concorrentes (Helder, Rafael e Breno) defendem implantação de Universidade Estadual (ainda que na fase de estudos, como Salomão). Escolas cívico-militares são citadas nos planos de Demuner (para acabar com modelo) e Barcelos (para expandir o modelo).
Veja as principais propostas de cada um para a área.
Continuidade e modernização
Para um eventual novo mandato, o governador Ricardo Ferraço (MDB) propõe: universalizar a Educação de Tempo Integral; promover qualificações em infraestrutura e tecnologia nas escolas; aprimorar a qualificação de profissionais da Educação; consolidar o Pacto pela Aprendizagem no Espírito Santo (PAES) e os sistemas de monitoramento e avaliação; promover respostas às “transformações do século XXI” (educação ambiental, uso ético de inteligência artificial, programa de intercâmbio); investir em iniciativas de equidade e inclusão (busca ativa, enfrentamento ao racismo, acessibilidade). Também há propostas específicas para educação profissionalizante, incluindo: ampliação de matrículas em cursos técnicos; aumentar a concessão de bolsas; garantir a continuidade da formação no ensino superior; modernizar quatro Centros Estaduais de Educação Técnica (CEETs); criar laboratórios de fabricação digital e espaços de robótica em 110 escolas da rede estadual; e investir em programas de requalificação para trabalhadores de setores afetados pela automação.
“Desigualdade educacional”
Helder Salomão (PT) sustenta em seu plano de governo que “o modelo atual, excessivamente focado em aprovação automática, reforça desigualdades em vez de reduzi-las”, e que “escola virou produtora de indicadores, não espaço de formação crítica e emancipadora”. Sendo assim, propõe: atualizar sistema de gestão democrática e participativa; garantir piso salarial nacional; reduzir burocracia escolar; intensificar política de formação permanente; criar política de saúde mental para profissionais; fortalecer programa preparatório para Enem e vestibulares; fortalecer políticas de permanência, inclusão e acessibilidade; fortalecer as escolas do campo, programas de apoio em assentamentos e parceria com o Movimento de Educação Promocional do Espírito Santo (MEPES); garantir políticas de equidade e inclusão; articular expansão do Ifes com o Governo Federal; fortalecer bolsas para jovens talentos; investir em laboratórios maker e de programação e expandir feiras e olimpíadas de ciência e clubes de robótica; criar grupo de trabalho sobre Universidade Estadual; expandir e qualificar Educação em Tempo Integral.
“Desafios estruturais”
O plano de governo de Lorenzo Pazolini (Republicanos) aponta “desafios estruturais de aprendizagem” entre os estudantes capixabas. Sendo assim, propõe: colaboração com municípios para políticas de alfabetização e aprendizagem no Ensino Fundamental; garantir que os jovens concluam o Ensino Médio com aprendizagem adequada, consolidando a implementação do “Novo Ensino Médio”; fortalecer a política de Educação Especial; integrar ensino médio, tecnologia e formação técnica às vocações econômicas regionais; implantar o sistema estadual de prevenção e acompanhamento das violências; valorizar os profissionais para tornar a carreira docente “mais atrativa”; universalizar acesso à internet de alta velocidade e capacitar alunos e professores; instituir programa permanente de modernização da infraestrutura física das escolas; ofertar uma refeição a mais para os alunos da rede estadual.
“Fim do lucro”
O plano de governo de Rafael Demuner (UP) defende “educação pública e gratuita para todos e em todos os níveis” e “fim do lucro na educação”. Seguindo esse paradigma, propõe: esgotar a lista de espera por vagas em creches públicas em todos os municípios do Estado e garantir atendimento em tempo integral na Educação Infantil; defender “educação pública, gratuita, laica, presencial e de qualidade em todos os níveis”; ampliar investimentos em infraestrutura; implementar Lei do Grêmio Livre e fortalecer gestão democrática; realizar reforma popular visando revogar “Novo Ensino Médio”; defender educação do campo; garantir passe livre estudantil irrestrito no transporte coletivo; criar Universidade Estadual; trabalhar junto à União pela ampliação de vagas na Ufes e Ifes; integrar educação com outros serviços públicos; garantir equipes multiprofissionais nas escolas; realizar formações para combater violência contra minorias; ampliar rede de ensino; dar fim às escolas cívico-militares; criar programa estadual de combate ao analfabetismo; garantir EJA integrada à formação continuada de trabalhadores; ampliar instituições de pesquisa e investimento em ciência e tecnologia; realizar concursos públicos para professores; restringir número de alunos por sala de aula; implantar Programa de Fortalecimento Integral da Escola; ampliar recursos para alimentação escolar; e instituir programa com entrega de cesta básica mensal a famílias de estudantes em situação de desemprego;
“Tirania das aprovações automáticas”
Breno Barcelos (Missão) afirma que a divulgação de dados positivos sobre educação no Espírito Santo é “falaciosa”, e que há problemas graves relacionados à deficiência na aprendizagem. Os professores também seriam vítimas da “tirania das aprovações automáticas”. Diante disso, ele propõe: força-tarefa pelo fim da defasagem educacional, em parceria com os municípios; integrar, “ao máximo”, o Ensino Médio com o técnico; expandir o modelo de escolas cívico-militares; fornecer auxílio financeiro a alunos com base em “desempenho”;l incentivar, “ao máximo”, a aplicação de diversas metodologias específicas nas escolas, como método fônico, abordagem CPA (Concreto, Pictórico, Abstrato), soroban e ábaco mental, RTI (Resposta à Intervenção); acabar com aprovação automática; valorizar magistério, fazendo com que fique metade do tempo de trabalho em atividades de planejamento; implementar políticas de desestímulo ao uso de telas entre os alunos; instituir sistema escalonado de prevenção e resposta disciplinar; reativar programa Escola Aberta; criar Universidade Estadual.

