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Após denúncias, PMV diz que avalia construção de rampa no Morro do Jaburu

Caso de idosa de 70 anos que repercutiu nas redes reforçou cobrança antiga da comunidade

A Prefeitura Municipal de Vitória (PMV) avalia a construção de uma rampa de acessibilidade no Morro do Jaburu após a repercussão do caso de uma idosa de 70 anos que precisou se arrastar por uma escadaria da comunidade, no acesso que liga o Beco José Bonnis ao Beco João Rosa Neto, para conseguir chegar à rua principal. A informação é do presidente da Associação de Moradores do Jaburu, Sebastião Luiz do Carmo, com base em reunião realizada nesta semana com a prefeita Cris Samorini (PP) e representantes da Secretaria de Obras.

Cosme Santos

Segundo Sebastião, a gestão municipal informou que a área passa por análise técnica para verificar se há viabilidade de execução da obra. A proposta defendida pelos moradores prevê a construção de uma rampa ligando a escadaria Felício Ferreira de Medeiros ao beco João Rosa Neto, facilitando o deslocamento de idosos, pessoas com deficiência, mães com crianças e moradores que enfrentam dificuldades diárias para subir e descer o trecho.

O caso ganhou repercussão após imagens mostrarem Dona Dila, moradora do bairro, se arrastando na escadaria devido às dificuldades de locomoção causadas por artrose nos joelhos. A cena gerou indignação entre moradores e reacendeu cobranças por melhorias de acessibilidade em regiões de morro da Capital.

De acordo com Sebastião, a situação não é isolada e afeta a maioria da comunidade. Ele afirma que a reivindicação da obra não é recente e a comunidade cobra melhorias estruturais há anos. “Desde 2017 a gente vem fazendo um trabalho mais forte de cobrança. Já teve promessa, abaixo-assinado, mas nunca saiu do papel”, critica.

O líder comunitário explica que o trecho é considerado estratégico para o deslocamento de moradores e apresenta riscos frequentes. “Eu mesmo já caí ali e torci o pé. Quando chove, escorrega muito. É perigoso para qualquer pessoa”.

Cosme Santos

Além do impacto na mobilidade, moradores dizem que a falta de acesso adequado interfere no funcionamento de atividades econômicas e comunitárias do bairro. “Já teve igreja que fechou porque as pessoas tinham dificuldade de chegar. Tem gente que trabalha com salão e perde cliente por causa do acesso”, conta Sebastião.

“A sensação é de descaso do poder público com o sofrimento das pessoas e ninguém resolve. As pessoas estão ficando idosas e chega um ponto em que precisam abandonar suas casas porque não conseguem mais se locomover”, acrescenta Cosme Santos, outra liderança comunitária. Ele recorda que a comunidade já se uniu em um abaixo-assinado para cobrar melhorias durante a gestão de Luciano Rezende (Cidadania), mas não tiveram o resultado almejado.

A mobilização em torno da pauta também envolve o Fórum do Território do Bem, articulação de lideranças comunitárias da região, que é formada por nove comunidades situadas na área central de Vitória, incluindo além de Jaburu, São Benedito, Consolação, Itararé, Bonfim, Bairro da Penha, Gurigica, Floresta e Engenharia. Sebastião ressalta que a questão da mobilidade urbana é uma das principais demandas discutidas pelo grupo. “O que mais a gente debate é acessibilidade, porque a maioria dos bairros é em morro. Então tudo depende de escadaria, rampa e abertura de vias”, diz.

Outro caso que representa a dificuldade de acesso enfrentada pelas comunidades em áreas de morro e repercutiu recentemente ocorreu em Jesus de Nazareth, durante o sepultamento de um morador da comunidade da Matinha. Sem uma via adequada de acesso, familiares e amigos precisaram carregar o caixão pelas escadarias da região. Assim como no Jaburu, moradores afirmam que a precariedade da infraestrutura impacta diretamente a dignidade e o cotidiano das famílias, até em momentos de despedida.

Cosme Santos

A cobrança ocorre em meio à divulgação, pela Prefeitura de Vitória, do Programa Escada Acessível, que prevê investimentos de R$ 60,7 milhões em obras de reconstrução e reforma de escadarias e rampas em áreas de morro da cidade. A administração municipal aponta que o programa contempla recuperação de degraus danificados, instalação de corrimãos, obras de drenagem e reestruturação das redes de esgoto, e que Vitória tem 612 escadarias, totalizando cerca de 54 quilômetros, sendo aproximadamente 40% do município formado por morros.

A gestão municipal afirma que obras já foram concluídas em bairros como Tabuazeiro, Gurigica, Resistência e São Benedito, enquanto outras seguem em andamento em regiões como Bonfim, São Pedro, Consolação e Vila Rubim. Moradores do Jaburu, no entanto, afirmam que ainda não há obras em execução na área reivindicada pela comunidade. “No Jaburu não tem nem um prego sendo martelado”, contesta Sebastião.

De acordo com ele, a expectativa é de que a prefeitura apresente um posicionamento mais definitivo dentro de um mês. “A gente espera ter uma resposta mais concreta logo, porque é uma necessidade antiga da comunidade”, reitera. Caso a demanda não avance, moradores já discutem a possibilidade de realizar manifestações públicas para pressionar a gestão municipal. “Se não atenderem ao nosso pedido, a comunidade vai se mobilizar”, pontua.

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