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Após pressão de moradores, Cesan promete revisar contas em Montanha

Distrito de Vinhático sofre com água escura, falhas no abastecimento e contas de R$ 1 mil

A Companhia Espírito-Santense de Saneamento (Cesan) assumiu o compromisso de revisar cobranças consideradas abusivas e enviar uma equipe técnica ao distrito de Vinhático, em Montanha, no norte do Estado, após moradores denunciarem água escura, falhas no abastecimento e contas que chegam a R$ 1 mil. O anúncio foi feito durante reunião da Comissão de Saúde e Saneamento da Assembleia Legislativa, realizada nesta segunda-feira (25), após vereadores e a prefeita Iracy Baltar (Podemos) cobrarem soluções para os problemas históricos enfrentados pela comunidade.

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A Cesan também ficou de definir uma data para realizar limpeza na barragem que abastece a região e avaliar a inclusão de moradores na tarifa social. As medidas ocorrem em meio ao novo processo de regionalização do saneamento pelo governo do Estado, criado a partir do novo marco regulatório do saneamento.

Em dezembro de 2025, Montanha aderiu ao modelo de gestão compartilhada da Microrregião de Águas e Esgoto do Espírito Santo e assinou, junto com a Cesan e a Agência de Regulação de Serviços Públicos do Espírito Santo, um Termo de Transação Judicial para garantir a continuidade temporária dos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário até a implantação definitiva do modelo regionalizado.

O acordo foi necessário porque o município não conseguiu concluir a regularização da política pública municipal de saneamento e renovar os antigos contratos de programa com a Cesan dentro das exigências do novo marco legal do setor. Sem um Plano Municipal de Saneamento Básico aprovado e contrato regular vigente, a companhia ficou impedida de realizar investimentos estruturais de maior porte, passando a operar sob um modelo transitório e considerado precário pela própria companhia e gestão municipal.

Segundo Iracy Baltar, o acordo atual prevê cerca de R$ 100 mil por ano para manutenção em todo o município, valor apontado como insuficiente diante dos problemas históricos enfrentados em Vinhático. Durante a reunião, representantes da Cesan afirmaram que apenas a substituição de parte da tubulação antiga do distrito demandaria cerca de R$ 112 mil em insumos.

A proposta do Estado é que a microrregião assuma gradualmente a coordenação dos serviços em um sistema de governança compartilhada entre municípios e governo estadual. Enquanto a nova modelagem avança, moradores de Vinhático afirmam que os problemas seguem afetando diretamente o cotidiano da população. “Todo mês a conta chega, e por sinal muito cara. Todo mês o povo paga. Mas quando abre a torneira dentro de casa, o que encontra é uma água escura, preta, sem qualidade e segurança para usar no dia a dia”, descreveu a vereadora Maine Brito (Rede), moradora do distrito.

Os relatos envolvem roupas manchadas, eletrodomésticos danificados e dificuldades até para atividades básicas. “Quem sofre é o trabalhador, é a mãe de família que perde a roupa lavada, é o pai que vê seus eletrodomésticos sendo danificados”, destaca, afirmando que parte dos equipamentos do sistema de abastecimento tem mais de 40 anos sem substituição completa.

Durante a reunião, representantes da Cesan reconheceram que trechos antigos da tubulação sofrem com incrustações internas, o que provoca episódios de água escura durante manutenções na rede. A companhia informou ainda que o atual contrato temporário firmado com o município limita a capacidade de investimento estrutural. Segundo o gerente de Interior Norte da Cesan, Raffael Zaidan, a troca de parte da rede teria custo estimado em cerca de R$ 112 mil apenas em insumos.

Para a prefeita Iracy Baltar, a situação atual é consequência de entraves criados nos últimos anos em torno da aprovação do Plano Municipal de Saneamento Básico. Segundo ela, o município chegou a ter previsão de aproximadamente R$ 13 milhões em investimentos para saneamento, principalmente voltados ao distrito de Vinhático, mas os recursos acabaram direcionados para outros municípios após o plano não avançar no período previsto.

“O problema já poderia ter sido resolvido há muitos anos. Estamos falando de saúde pública, dignidade humana, meio ambiente e segurança hídrica”, defendeu, durante a reunião da Comissão. Ela considera que a resistência à possível cobrança de taxa de esgoto contribuiu para o adiamento da aprovação do plano municipal, que impediu posteriormente a renovação regular do contrato com a Cesan.

Apesar das limitações contratuais, moradores e vereadores cobram que o novo modelo regionalizado resulte em investimentos concretos para resolver os problemas históricos do distrito. “A população tem todo o direito de cobrar qualidade e uma solução definitiva, não algo paliativo. Isso não é luxo, não é favor. Água limpa é o mínimo”, argumenta Maine Brito.

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