A classe política aguarda com ansiedade a disputa de 2016, sobretudo na disputa para a prefeitura mais importante do Estado, a de Vitória. Estarão em disputa não apenas os candidatos a prefeito. Ela servirá de pano de fundo para a disputa mais significativa para o jogo político do Estado. Após o racha entre Paulo Hartung (PMDB) e Renato Casagrande (PSB), a curiosidade é saber como se comportarão as duas principais lideranças nesse cenário.
E desde outubro do ano passado, as duas lideranças arrumam suas peças no tabuleiro para mais esse enfrentamento. E nesse jogo, até aqui, a movimentação de Hartung é mais agressiva. Ele vem investindo em um processo de desconstrução política do socialista muito forte. Dinâmica que deve se estender durante todo o ano de 2015. Mas, depois do planejamento estratégico investir nesse discurso pode ser prejudicial ao peemedebista.
Além desse ataque direto, Hartung prepara um campo desfavorável para Casagrande em Vitória. O ex-prefeito de Vitória João Coser (PT), que é secretário de governo de Hartung, vem preparando sua candidatura à prefeitura, mas os respingos dos escândalos envolvendo o PT nacional pode fazer com que Hartung mantenha uma distância segura do petista, embora sua participação no pleito seja importante para o governador, para povoar o campo eleitoral.
Hartung também estaria preparando o deputado federal Lelo Coimbra (PMDB). Ele foi o segundo mais votado na Capital na disputa de 2014, ficando atrás apenas do também ex-prefeito Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB), que, aliás, não tem sinalizado interesse na disputa de 2016.
Mas a principal ameaça para Renato Casagrande na disputa do ano que vem está dentro de casa. O atual prefeito Luciano Rezende (PPS) faz movimentos incertos no cenário político confundindo a classe política. Ele mantém a aliança com Casagrande, mantendo em sua equipe a vaga socialista, mas busca aproximação com o governador Paulo Hartung, sob a justificativa da manutenção da harmonia institucional. Mas há quem duvide das intenções do prefeito em ter ao seu lado no palanque o ex-governador. Daí, retoma-se a ideia de que para sua garantia o ideal seria que o próprio Casagrande dispute a eleição.
Com a possibilidade de unificação das eleições em 2018, como se discute no campo federal, seria um caminho mais seguro para se chegar à próxima disputa estadual com um capital político calibrado para a disputa ao governo do Estado, pleito que deve fazer parte dos planos do socialista.
Fragmentos:
1 – As contas do deputado federal Max Filho (PSDB) do exercício de 2006 da prefeitura de Vila Velha estão na Câmara Municipal para serem avaliadas. O parecer do Tribunal de Contas é pela aprovação com ressalvas. Mesma situação de Guerino Zanon (PMDB) em Linhares.
2 – Como Max Filho tem dito a interlocutores que não tem interesse na eleição de 2016, diferentemente de Zanon, a possibilidade de aprovação é grande.
3 – A preocupação da atual gestão, que tem maioria na Câmara, é com o ex-prefeito Neucimar Fraga (PV), que esse sim, é candidatíssimo à prefeitura e põe em risco a reeleição de Rodney Miranda (DEM).

