Depois de oito anos de asfixia imposta pelo governo Paulo Hartung (PMDB), os deputados estaduais voltaram a respirar na gestão de Renato Casagrande (PSB). O socialista, justiça seja feita, mantém uma relação respeitosa com o Legislativo estadual e demais poderes. Sorte dos deputados, que puderam exercer seus mandatos livres da intimidação que marcou Era Hartung.
Embora faltem mais de dois meses e meio para Casagrande deixar o governo, já se percebe que o clima na Assembleia mudou radicalmente, sobretudo após as eleições do dia 5 último, que sagraram Hartung governador.
A posse é só no primeiro dia de 2015, mas a Assembleia já sente o peso da mão do novo governo. Como um cão feroz disposto a dar a vida para proteger seu dono, o deputado Paulo Roberto (PMDB) vem fazendo uma verdadeira “blitz” na Casa. A missão do parlamentar é obstruir as votações que Hartung entende que irão ter impactos no seu governo.
Com a obstrução da sessão desta segunda-feira (12), a Assembleia passou em branco pela décima segunda vez consecutiva. Paulo Roberto vem manobrando para esvaziar o quórum e obstruir as votações. E ele assume sua estratégia abertamente. Alega que os projetos só deverão ser votados após a equipe de transição do novo governo, nomeada na última sexta-feira (10), analisá-los.
O deputado Cláudio Vereza (PT) observou, corretamente, que o esvaziamento da sessão para obstruir uma votação seria normal, não fosse fruto de uma manobra “encomendada” pelo governador eleito. “Não se trata de uma simples obstrução, se trata de uma obstrução encomendada pelo futuro governador, que nem tomou posse ainda”. E completou: “Essa Casa é que está sendo desmoralizada, ele não [Paulo Hartung]. Ele fica como o gestor preocupado com o futuro do Estado, e a Assembleia, mais uma vez, vai pra vala comum. Acho isso injusto”, protestou o petista.
Às críticas de Vereza se juntaram Da Vitória (PDT), Gilsinho Lopes (PR) e Roberto Carlos (PT). Mesmo outros parlamentares que não tiveram coragem de confrontar diretamente o governador eleito, também se queixavam nos bastidores da manobra de Hartung.
Essa reação da Assembleia é um sinal para Hartung. Ele precisa começar a entender que o Legislativo estadual mudou nos últimos quatro anos. Os deputados reeleitos que se opuseram ao palanque de Hartung ganharam experiência e musculatura. De outro lado, os que entram em 2015 com sangue novo devem encarar Hartung apenas como um governador e não como um ser supremo.
O expediente perverso de controlar os parlamentares por meio do terrorismo é coisa do passado. Os tempos são outros. Alguns deputados já dão o recado escancarado que não são mais vassalos do imperador, que vai precisar rever seus métodos draconianos de governar.

