
O episódio pelo qual governo do Estado e deputados da base das poluidoras impediram que um deputado, no caso Gilsinho Lopes (PR), participasse da CPI do Pó Preto, mesmo não sendo um expert no assunto, dá bem a ideia de quem manda no Espírito Santo: as poluidoras. Quando se olha para dentro do governo e para as os financiamentos de campanha das últimas eleições no Estado (como também das demais), é visível que quem paga a conta da maioria dos eleitos são as poluidoras, principalmente Vale, AcelorMittal e Aracuz Celulose (Fibria), no caso do Espírito Santo.
Em Vitória, o prefeito Luciano Rezende (PPS), como um devoto servidor das empresas, está se incumbindo de trocar o seu secretário de Meio Ambiente, tirando o inerte Cleber Guerra para colocar no seu lugar o vereador Max da Mata (PSD). Um cara que aguenta tranco, para junto do deputado estadual Rafael Favato (PEN), presidente da CPI do Pó Preto, segurar a barra das poluidoras.
O maestro
Evidente que elas estão dentro de um sistema que tem à sua frente, como regente, o governador Paulo Hartung (PMDB). Até porque, os interesses políticos de PH não trombam com esse poder que exerce no Estado as principais poluidoras. A ponto inclusive de gerar a tal da unanimidade de poder, com grande durabilidade.
Cultura do café
Levando em consideração que esse poder, restrito a PH e às poluidoras transnacionais, foi criado pela condição dos investidores capixabas, que representam de um modo geral empresas voltadas para o campo da especulação que nasceu com a comercialização do café.
Paternalismo estatal
Daí em diante as atividades dos nossos empresários foram quase todas destinadas à especulação. Quase nada de indústria. Porque lucro na indústria leva anos. E nesse campo da especulação, o empresariado capixaba é mestre e muito criativo. O lucro vem rápido. Muitas fortunas nasceram de um dia para o outro. Uma das bases desse enriquecimento relâmpago é o Fundap, substituído agora por outro mecanismo de DNA semelhante, que hoje é o Sincades. E como não podia deixar de ser, nas tetas do governo do Estado.
Loteamento
Onde entra PH nisso? Ele é o regente, como dito há pouco. Viu que o preço do poder das poluidoras é exercido em campos demarcados. A Aracruz Celulose (Fibria), por exemplo, quer total condição de exercer o poder em suas áreas de atuação. E continuar impune. Plantou um mundo de eucalipto no Espírito Santo e há décadas impõe violações a quilombolas e indígenas.
Loteamento II
A Vale implanta novas usinas em Tubarão na hora que quer, mesmo que represente mortes e doenças para os que vivem na Grande Vitória. A constatação mais clara do poder que a Vale desfruta está na cumplicidade dos prefeitos de Vitória, onde o seu poder de destruição é mais devastador. A ponto do então prefeito João Coser (PT) e, agora, Luciano Rezende (PPS) terem desmontado um núcleo que cuidava do pó preto na Secretaria de Meio Ambiente.
Tá tudo dominado
Mesmo assim, o casamento de PH com elas pode perfeitamente ser temporal. Mas não deixa ser o melhor que elas fizeram até agora. Renato Casagrande (PSB) passou pelo governo, como não poderia ser, submeteu-se também aos poderes dessas poluidoras que vieram de fora para tomar conta do Espírito Santo.
Luz no fim do túnel
Só que agora tem reação popular ao pó preto. O povo decidiu ir para as ruas. Há riscos, com certeza. Pois a causa das poluidoras é muito nefasta, principalmente em relação à Vale e Arcelor.
PENSAMENTO:
“A casa é a sepultura das mulheres”. Goya

