
Embora tenha a maioria da próxima bancada capixaba no Congresso Nacional, o governador eleito Paulo Hartung (PMDB) terá dificuldades de interlocução com o governo Dilma, reeleita nesse domingo (26). Se o histórico de Hartung com o PT já não era bom, ficou ainda pior com o processo eleitoral deste ano. Vai contar com quem para fazer esse papel? Dos 11 parlamentares do Estado que são seus aliados – excluindo os dois petistas eleitos, Helder Salomão e Givaldo Vieira -, não restaram nomes com espaço para isso. As poucas opções assumiram posições duras em relação ao governo Dilma e o rompimento dificilmente será contornado. E aí resta somente uma saída: a senadora eleita Rose de Freitas (PMDB), que tem trânsito em Brasília e saiu ainda mais fortalecida da disputa deste ano. Logo ela, quem Hartung traiu nessas eleições… O governador eleito, quem diria, vai ter que baixar a crista. A política dá voltas.
Mérito próprio
A relação de Hartung e Rose, não é novidade, nunca foi boa. A deputada federal passou anos sendo perseguida por ele. Nessas eleições, conseguiu impor sua candidatura ao Senado por meio da nacional do PMDB. Mas logo foi isolada pelo governador eleito e venceu, mais uma vez, em carreira solo.
Estratégia
Diante da necessidade da presidente Dilma recompor suas forças no Congresso, Rose é uma das peças-chave do tabuleiro. Certamente, vai entrar nas negociações da cúpula do PMDB. Apesar de ter integrado o palanque do presidenciável Aécio Neves, já faz discurso manso em relação a Dilma e afasta a condição de parlamentar da oposição.
Sem chance
Fora ela, no Senado estão Magno Malta (PR) e Ricardo Ferraço (PMDB). Magno não só rompeu com Dilma, como prometeu destruí-la, mas não chegou nem perto disso e saiu “liso” dessas eleições. Já Ferraço, antes mesmo de assumir a coordenação da campanha de Aécio no Estado, havia vestido a camisa de oposição ao governo petista, a ponto de integrar o movimento dos dissidentes do PMDB contra a aliança com o PT.
Ausente
Na Câmara, o único nome com condições de fazer esse papel seria Sérgio Vidigal (PDT), que integrou o Ministério do Trabalho e Emprego. O ex-prefeito da Serra também saiu fortalecido do processo eleitoral, como o deputado federal mais votado do Estado. Mas embora o PDT tenha firmado aliança com o PT por aqui, Vidigal não atuou para ajudar o candidato petista ao governo do Estado, nem Dilma. Ficou ao lado de Hartung, que representou o palanque de Aécio.
No mais…
Os outros deputados federais eleitos e reeleitos não têm papel de destaque em Brasília, nem nunca tiveram.
A que preço?
Tem coisa nessa homenagem exagerada e sem noção do sindicato dos servidores da Assembleia Legislativa e do Tribunal de Contas do Espírito Santo (Sindilegis) publicada no jornal A Tribuna, nesta terça-feira (28). Com a fotos de todos os deputados desta legislatura, a entidade fala de “gestão histórica” e “liderança experiente, democrática e humanitária” do presidente da Casa, Theodorico Ferraço (PMDB). Há,há,há!
Sob encomenda
O Sindilegis matou dois coelhos com uma cajadada só. Levantou a bola dos deputados estaduais, que precisam recuperar a imagem da Assembleia, e ainda deixou o espaço para o governador eleito Hartung aparecer e, logo de início, fazer cena com a história dos 11,98%. Sim, porque uma homenagem dessa só pode ser de caso pensado. Nada é de graça.
Lideranças
O PSOL no Estado busca novos militantes. Em evento nesta sexta-feira (31), fará apresentação do partido aos interessados; e no dia 1º, sábado, um balanço das eleições, com debate sobre projetos futuros.Tudo isso no Sindicato dos Bancários, Centro de Vitória.
140 toques
“Pelos discursos de Dilma, não há nada a esperar na área ambiental”. Sergio Abranches – no Twitter
PENSAMENTO:
“Aquele que se acha o sal da terra, o príncipe, o mais inteligente, tem muita dificuldade em negociar”. Maria da Conceição Tavares

