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Uma turista nada acidental

As viagens da ex-primeira-dama Cristina Gomes com dinheiro público estão dando o que falar. Pudera, a mulher do ex-governador Paulo Hartung fez mais de 89 viagens entre os anos de 2007 e 2010 à custa do dinheiro do contribuinte.
 
Após reportagem exclusiva de Século Diário ir ao ar, o escândalo repercutiu na imprensa nacional por meio da coluna do jornalista Cláudio Humberto, que é veiculada simultaneamente em diversos jornais do País, inclusive em A Tribuna
 
Na manhã dessa quarta-feira (14), o escândalo já havia se tornado de domínio público. A “viralização” do caso obrigou o candidato ao governo Paulo Hartung, sabatinado na manhã de ontem (13) pela Rádio CBN-Vitória, a se explicar ao vivo. 
 
Visivelmente irritado, Hartung classificou o escândalo como “baixaria política”. Vamos ver se entendemos. A então primeira-dama viaja 89 vezes com dinheiro público para destinos nacionais e internacionais, se hospeda nos melhores hotéis e o candidato, sem corar o rosto, minimiza os gastos, alegando que estava indo ao exterior em companhia da mulher para captar recursos para o Estado. Por exemplo, a viagem à China, segundo ele, “rendeu” ao Espírito Santo o estaleiro Jurong. Ele considerou a viagem “um gol de placa”. 
 
A explicação de Hartung se enquadra na máxima maquiavélica: “os fins justificam os meios”. O raciocínio seria mais ou menos este. “Ora, se fui à China para captar um importante investimento para o Estado, não importa se minha mulher voou na classe executiva ou se hospedou em hotéis luxuosos. Isso é tudo mesquinharia perto do vultoso investimento que eu trouxe para o Espírito Santo”. 
 
Na entrevista à CBN, o candidato do PMDB recorreu a um sofisma barato para tentar confundir a população e jogar uma pá de cal no escândalo. Ele enfatizou a importância dos investimentos captados para reduzir as três viagens ao exterior de Cristina Gomes a “baixarias políticas”, como se ele não precisasse dar explicações à população sobre gastos envolvendo dinheiro público. 
 
Acrescentou ainda, para que não pairassem mais dúvidas sobre o assunto, que suas contas foram aprovadas pela Assembleia e pelo Tribunal de Contas. Isso é uma piada? Só pode ser. Ou o ex-governador está querendo dizer que as aprovações das contas por essas duas instituições servem como atestado de ficha-limpa? Todo mundo sabe como funcionava a prestação de contas durante os dois governos de Hartung: meramente protocolar. 
 
Mas, voltando à sabatina, Hartung não deu a explicação que a população capixaba queria ouvir. Ele não contou, por exemplo, que a viagem para a China custou aos cofres públicos R$ 22 mil. O valor corresponde à classe business da Air France, uma abaixo da primeira classe. Quem tiver curiosidade de entrar no site da empresa para conhecer os benefícios da classe business vai entender porque a tarifa custa quatro vezes mais que a da classe econômica (R$ 5,5 mil). 
 
O ex-governador, na sabatina, se restringiu às três viagens internacionais como se a farra das passagens terminassem nesses três destinos. Faltou explicar as outras 37 viagens que Cristina Gomes fez para São Paulo e Rio de Janeiro. 
 
Nessas viagens Cristina voou sem a companhia do marido, o que jogaria por terra o sofisma construído pelo ex-governador, de que a mulher viajava à custa do Estado para lhe fazer companhia. Aliás, boa parte dessas viagens incluía as tais hospedagens em luxuosos hotéis, que custaram quase R$ 10 mil aos cofres públicos. 
 
O candidato ao governo pelo PMDB preferiu ignorar as viagens nacionais, mesmo porque seria difícil explicar o que Cristina teria ido fazer tantas vezes nas capitais paulista e carioca, já que o então governador não tinha agenda de trabalho nessas datas e locais que justificassem o pagamento das despesas de Cristina com o dinheiro do contribuinte que, com toda a certeza, não paga impostos para bancar turismo de primeira-dama.
 
O assunto ainda não esgotou. Há muita coisa para Hartung explicar. A Assembleia, que à época teria aprovado as contas do então governador, como ele mesmo alegou, tem agora a oportunidade de revê-las, como já fez o deputado Sandro Locutor (PPS) com o pedido de informações das viagens da atual e da ex-primeira-dama. 
 
A expectativa é conferir se na sessão da próxima segunda-feira (18) os deputados vão retomar o tema que, aliás, continua engavetado na escrivaninha de Theodorico Ferraço (DEM). 

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