A eleição para o governo do Estado deixou a classe política sem rumo no Estado. De 2002 a 2010, foram oito anos vivendo em um regime duro, de pressão constante sobre as lideranças, enfraquecimento dos partidos políticos e anulação da oposição por meio de um arranjo político e institucional que classificava qualquer voz dissonante como uma afronta ao Estado e ao projeto de reconstrução ética comandado pelo então governo Paulo Hartung (PMDB).
A ascensão de Renato Casagrande (PSB) ao governo do Estado estabeleceu um diálogo com a classe política horizontal, mas as forças ocultas que se movimentavam dentro do próprio Palácio Anchieta em favor do enfraquecimento do governo trouxeram prejuízos a Casagrande.
A classe política e empresarial não queria o retorno do sistema antigo, mas o recall do ex-governador, aliado à ajuda da mídia corporativa, favoreceu seu retorno.
Depois da eleição, algumas lideranças ficaram sem saber o que fazer, já que o perfil do ex-governador traz preocupação para algumas delas. Hartung estabelece uma política de que quem não está com ele, está contra ele, e neste sentido, precisa ser desclassificado para evitar o confronto.
Desta vez, porém, a situação será diferente e a classe política que ensaia criar um nicho de oposição entende que Hartung não é mais um ser inatingível, desceu ao patamar dos demais homens públicos, que precisam, sim, dar explicações, e pretende cobrá-las.
Depois do susto inicial, as lideranças entendem que não há por que temer o ex-governador e, se houver erros, eles têm de ser apontados. Até porque o arranjo institucional não será desta vez unânime. Nem todas as instituições estão dispostas a fazer o jogo de perseguição que manteve sob a bota do Executivo os demais poderes.
Não será tão simples sacar uma nova denúncia contra o crime organizado, toda vez que um problema na gestão for apontado para desviar o foco. O Espírito Santo mudou, o eleitor mudou, e mesmo que não se possa mais falar de política em parte da mídia capixaba, as pessoas não precisam mais dos meios de comunicação convencionais para fazer circular a informação.
As promessas de campanha de Hartung são abstratas, mas se os resultados práticos não aparecerem como resposta para a população, o governador será cobrado e terá que se explicar.

