sábado, junho 20, 2026
25.7 C
Vitória
sábado, junho 20, 2026
sábado, junho 20, 2026

Leia Também:

Skatistas querem rediscutir projeto de 40 pistas após suspensão de edital

Comunidade defende diversidade de modelos e diálogo com municípios de todas as regiões do Estado

Aline Dantas – Foto: Redes Sociais

Representantes da comunidade skatista capixaba voltaram a se reunir com a Secretaria de Estado de Esportes e Lazer (Sesport) para discutir políticas públicas voltadas à modalidaade no Espírito Santo. Desta vez, o foco principal foi um projeto para construção de 40 pistas de skate distribuídas entre municípios do norte, sul e Grande Vitória, além de mecanismos de fomento para realização de campeonatos estaduais da modalidade.

A reunião marca a continuidade de um diálogo iniciado no ano passado entre o governo estadual e representantes do skate. Em março de 2025, integrantes da Associação Capixaba de Skate (ACSK) e da Confederação Brasileira de Skate (CBSK) defenderam a criação de uma legislação estadual para regulamentar a construção de pistas, alegando que a falta de critérios técnicos e de consulta à comunidade vinha resultando em equipamentos inadequados e desperdício de recursos públicos.

Na ocasião, o presidente da entidade, Tiago Uliana, e a vice-presidente da confederação, Aline Dantas, alertaram que muitas pistas construídas no Estado não atendiam às necessidades dos praticantes e acabavam se tornando espaços subutilizados ou até perigosos para a prática esportiva.

Embora a proposta de regulamentação tenha sido temporariamente deixada em segundo plano por causa das restrições do calendário eleitoral, os skatistas conseguiram abrir uma nova frente de discussão relacionada à infraestrutura da modalidade, relata Tiago. Em maio, a associação tomou conhecimento de uma licitação que previa a construção de dezenas de pistas de skate em diferentes regiões, mas o projeto utilizaria um único modelo para todas as localidades. “Repetir 40 pistas iguais não seria muito bom. Cada comunidade tem uma realidade diferente, cada cidade tem demandas específicas, e o skate possui várias modalidades. É preciso pensar a localização e o tipo de pista de forma estratégica”, afirmou.

Acervo pessoal

De acordo com ele, a licitação acabou sendo suspensa antes da contratação da empresa responsável pelas obras. Embora a justificativa apresentada pela secretaria tenha sido a necessidade de contenção de gastos, a suspensão foi recebida positivamente pela comunidade do skate, que já demonstrava preocupação com o projeto apresentado. “A gente estava preocupado porque o projeto não era muito bom. Quando soubemos da suspensão, aproveitamos a reunião para discutir formas de melhorar essa proposta e pensar em alternativas mais adequadas”, explicou.

Durante o encontro, o atual secretário estadual de Esportes, Paulo Marcos Lemos, teria se comprometido a manter o diálogo com os representantes da modalidade e discutir possíveis alterações antes de um eventual relançamento do edital. Tiago aponta que a intenção é construir um processo mais participativo, ouvindo praticantes de diferentes regiões do Estado para definir prioridades e modelos de equipamentos. Entre as sugestões debatidas estão pistas para diferentes modalidades do skate, estruturas cobertas e investimentos voltados a municípios do interior que necessitam de reformas ou não possuem equipamentos adequados. “Tem cidades que precisam reconstruir as pistas que já existem e outras que precisam de novas estruturas. A ideia é discutir tudo isso com a comunidade antes”, reforça.

Apesar da mobilização em torno das pistas, a proposta de uma lei estadual para regulamentar a construção desses espaços não avançou desde o ano passado. “Resolvemos não trabalhar muito essa questão por ser um ano político. Vamos aguardar a renovação da Assembleia para retomar esse debate, quando haverá mais condições para fazer audiências, consultas públicas e toda a construção necessária”. A avaliação da entidade é que uma legislação dessa natureza exige amplo debate com praticantes, especialistas e gestores públicos para evitar que o texto seja elaborado sem participação social.

A reunião também abordou formas de fortalecer o financiamento do skate capixaba. A associação buscou informações sobre mecanismos de incentivo e possibilidades de apoio para a realização dos campeonatos estaduais. Segundo Tiago, a entidade acompanha desde o ano passado processos relacionados à Lei de Incentivo ao Esporte e tenta viabilizar recursos para ampliar a estrutura das competições e fomentar o desenvolvimento da modalidade. A realização de campeonatos estaduais é apontada pelos skatistas como uma das prioridades para fortalecer a formação de atletas e ampliar a participação do Espírito Santo em competições nacionais.

Para a associação, no entanto, as demandas da modalidade vão além da infraestrutura esportiva. Tiago destaca que o skate também precisa ser reconhecido como manifestação cultural. “Antes de ser esporte, o skate é uma cultura. A gente precisa trabalhar o resgate da memória, da história, e também fomentar produções culturais ligadas a esse universo”, afirmou. Entre as reivindicações apresentadas estão projetos de preservação da memória do skate no Estado, incentivo a produções audiovisuais e culturais, e ampliação de escolinhas voltadas à formação de novos praticantes.

A entidade também defende que futuras pistas contem com atividades educativas permanentes. “Eu acredito que toda pista deveria ter uma escolinha. É uma forma de ensinar o uso adequado do espaço, socializar a comunidade e incentivar novos praticantes”, defende.

Embora o projeto das 40 pistas esteja suspenso, os representantes do skate consideram que a reunião representou um avanço na relação com o poder público. Tiago destaca que a comunidade tem conseguido ampliar sua capacidade de diálogo e participação nas discussões sobre políticas públicas.

“O skate sempre teve uma característica mais underground. Com as Olimpíadas, surgiram novas demandas, mais atletas, mais pistas, e uma necessidade maior de organização. Estamos aprendendo a dialogar com o poder público e o governo também está aprendendo a entender melhor as necessidades da nossa comunidade”, avalia. Nos próximos meses, a associação pretende ampliar o diálogo com praticantes de diferentes regiões do Espírito Santo para construir propostas que possam ser apresentadas ao governo estadual quando as discussões forem retomadas.

Mais Lidas