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Diretora do Sindilimpe é presa pela Romu durante protesto em Vila Velha

Atos denunciam pagamentos atrasados, demissões e “perseguições políticas”

Trabalhadores terceirizados da limpeza e conservação realizaram protestos nesta segunda-feira (11), em municípios da Grande Vitória, para denunciar demissões apontadas como “perseguição política”, atrasos salariais e episódios de repressão durante manifestações da categoria. Em Vila Velha, durante um ato em frente à sede da empresa Localix, a diretora do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Limpeza e Conservação do Espírito Santo (Sindilimpe-ES), Evani dos Santos, foi levada por agentes da Ronda Ostensiva Municipal (Romu), como relatam trabalhadores e dirigentes sindicais.

Vitor Taveira

Até a publicação desta matéria, o sindicato ainda não tinha informações detalhadas sobre a condução da diretora sindical, nem confirmação oficial sobre para onde ela teria sido levada. A situação aumentou a tensão durante os protestos, realizados também na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), no campus de Goiabeiras, em Vitória, onde trabalhadores terceirizados da empresa Soluções cobraram o pagamento de salários atrasados referentes aos contratos mantidos nos municípios de Vitória e Serra.

O Sindilimpe aponta retaliações, insegurança trabalhista e sucessivos problemas relacionados aos contratos de terceirização na região metropolitana. Segundo a entidade, isso tem ocorrido mesmo após cobranças feitas às administrações municipais para que adotem providências em relação às empresas denunciadas, incluindo a abertura de novos processos licitatórios para substituição das prestadoras de serviço.

De acordo com a diretora do sindicato, Rosimere Vieira Gomes, o protesto em Vila Velha foi motivado pela demissão de diversos trabalhadores ligados à coleta de lixo e limpeza urbana após mobilizações recentes da categoria. “Mandaram vários pais e mães de família embora na semana passada”, afirmou, relacionado as decisões à participação em paralisações e manifestações organizadas pelo sindicato.

Rosimere relata que representantes do Sindilimpe foram até a sede da empresa Localix para tentar negociar a reintegração dos trabalhadores dispensados. A tentativa de diálogo, porém, terminou em confronto com agentes de segurança. “A Guarda Municipal já chegou com spray de pimenta, batendo nos manifestantes”, declarou. A diretora também afirmou que trabalhadores vêm denunciando critérios políticos nas contratações e desligamentos realizados pela empresa terceirizada em Vila Velha.

Divulgação

No último mês de abril, trabalhadoras terceirizadas da limpeza já haviam denunciado agressões durante um protesto em frente à prefeitura, sob gestão de Arnaldinho Borgo (PSDB). Na ocasião, a categoria cobrava o pagamento de salários e do tíquete-alimentação atrasados de funcionárias vinculadas à empresa Soluções. Diretoras da entidade foram atingidas com spray de pimenta e agredidas durante a ação da Guarda Municipal, como denunciou o Sindilimpe na ocasião.

O episódio levou o sindicato a cobrar novamente providências do Executivo municipal em relação às empresas terceirizadas e à atuação das forças de segurança durante manifestações trabalhistas, manifestando repúdio à ação da Guarda Municipal de Vila Velha agiu contra as trabalhadoras. A entidade reforçou que a realização de greve é “direito e instrumento de luta da classe trabalhadora” e criticou a recusa da prefeitura em permitir que os manifestantes utilizassem os banheiros e entrassem para beber água.

Durante os atos, manifestantes também questionaram o forte aparato policial mobilizado para acompanhar as manifestações. Segundo Rosimere, em determinados pontos da mobilização havia “mais polícia do que gente”. Ela também reitera que os problemas nos contratos têm sido recorrentes. “Vitória sem pagamento. Serra sem pagamento. Vários lugares desrespeitando os direitos dos trabalhadores”, criticou.

Até o momento, não foram divulgados oficialmente os números exatos de trabalhadores demitidos em Vila Velha. O sindicato informou que ainda realiza o levantamento das dispensas ocorridas nos últimos dias. Enquanto aguardam respostas sobre a situação de Evani dos Santos e as reivindicações apresentadas durante os atos, trabalhadores seguem mobilizados e não descartam novas paralisações ao longo da semana.

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