Liderança de associação militar, Pazolini e Hartung, uma união “explosiva”

A filiação ao Republicanos do presidente da Associação de Praças da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros Militar do Espírito Santo (Aspra-ES), sargento Jackson Eugênio Silote, para disputar a Assembleia Legislativa, tem dado o que falar nas redes sociais, com direito a vídeos de protestos, críticas e até ameaças de desligamento da entidade. O motivo é claro: o partido escolhido é o mesmo do ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini, candidato ao governo que tem como um dos seus principais entusiastas e padrinhos o ex-governador Paulo Hartung (PSD), algoz dos militares desde 2017, em decorrência da greve da PM. A repercussão gerou um outro vídeo com o presidente do Projeto Político Militar (PPM), Tenente Fernandes, publicado nessa quarta-feira (6), incluindo ainda o Tenente Assis, candidato à Câmara dos Deputados e que seguiu o mesmo caminho partidário. Fernandes exalta o nome dos dois como integrantes que agregam ao projeto, dizendo que o primeiro alcançou mais de 8 mil votos em 2022, e o outro mais de 50 mil; aponta um “novo momento, de maturidade, crescimento e avanços”; e cita, sem entrar em detalhes, “narrativas de pessoas que não participaram de nenhum movimento anterior”, como o realizado há “dois a três meses atrás”, o que remete às articulações por reajuste salarial para tropa junto com o benefício destinado pelo governo do Estado ao topo da corporação, em dezembro de 2025, pleito não atendido. Sargento Eugênio assumiu a Aspra depois de greve, em meio a ações judiciais e prisões de militares, e por muitas vezes se posicionou contra Hartung, manifestando a revolta da categoria, inclusive recentemente, na Câmara de Vitória, ao falar das demandas da área. Participou também, na mesma função, do período seguinte, do ex-governador Renato Casagrande (PSB), que culminou na anistia aos PMs envolvidos no movimento, decisão que PH apontou como “política” e “extremamente grave”. Agora, resolveu fazer uma guinada eleitoral logo para perto do nome rejeitado pelos militares há noves anos, e as reações “vieram a cavalo”. No tabuleiro deste ano, não tem dúvida nem conversa “torta”: Pazolini, Hartung e seus respectivos partidos são uma coisa só!
Posições
Entre os vídeos que circulam, estão o da diretora social da Aspra, cabo Lorena Nascimento, e da subsecretária das Mulheres de Vila Velha, sargento Rose do Carmo. Ambas criticam o atrelamento e uso da associação representativa para projetos pessoais, e apontam diálogo e avanços nas relações com os governos de Casagrande, agora representado por Ricardo Ferraço (MDB).
Posições II
Lorena crava que a posição do sargento Eugênio não representa o posicionamento da diretoria da associação e “muito menos o pleno sentimento de toda a tropa da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros”. Afirma, ainda, que a “Aspra é uma entidade independente e que não pode ser utilizada como instrumento de articulação política ou moeda de troca para projetos pessoais”.
Posições III
Sargento do Carmo lembra que Hartung “declarou guerra à Polícia Militar em 2017, dizendo que não ficaria pedra sobre pedra”, e completou: “nós sabemos o que nos custou!”. Ela também defende a manutenção da interlocução com a atual gestão, para avançar nas demais demandas ainda pendentes dos praças.
Refresco de memória
A greve da PM eclodiu em 4 de fevereiro de 2017, com duração de 21 dias, resultante da falta de diálogo, do arrocho fiscal e do sucateamento das forças de seguranças impostos pela gestão de Hartung. Já durante o movimento, o ex-governador se mostrou inábil para negociar e pôr fim à paralisação, o que agravou a situação.[
Refresco de memória II
Em seguida, vieram os processos de perseguição e intimidação denunciados por militares, por meio de punições, o que Hartung defendeu até não ter mais pernas – ele desistiu de se candidatar à reeleição em 2018 na esteira dos impactos gerados à sua imagem, com repercussão nacional – e o faz até hoje, anos depois.
Juntos e misturados
Nas articulações das disputas deste ano, o ex-governador faz declarações públicas de apoio a Pazolini desde quando ele foi reeleito, em 2024. Quer dizer, antes ainda de se filiar ao PSD e da decisão oficial do partido de integrar o palanque do ex-prefeito, o que aconteceu há pouco tempo.
Juntos e misturados II
Os dois não desfilaram, até agora, lado a lado, e há quem diga que essa é a melhor estratégia, para não perder votos justamente das forças de segurança. Mas, já há algum tempo, Hartung se reúne regularmente com o operador da campanha de Pazolini e presidente estadual do Republicanos, Erick Musso. Fora o que o ex-governador interfere e mexe nos bastidores…
Corda bamba
A atual polêmica deixa no ar o caminho que o Projeto Político Militar tomará em relação ao governo do Estado. Vai “bancar” Pazolini custe o que custar? Ou se concentrará em nomes de outros cargos, para evitar mais divisões e insatisfações internas? O grupo já se reuniu com o senador Magno Malta, do PL, mas a candidatura própria perdeu força nos últimos meses…
Mistureba
Vale lembrar que o ex-prefeito ainda insiste numa aliança com o PL, e o partido, inclusive, também não se “bica” com Paulo Hartung. Na hipótese desse tripé Republicanos-PSD-PL sair, vai saber como ficará esse palanque…
Nas redes
“O Republicanos agora conta com grandes nomes da segurança capixaba. É a união da estratégia política com a coragem militar. O objetivo? Proteger ainda mais o nosso estado. O convite foi aceito e o trabalho já começou. Não vamos decepcionar!”. O PPM trabalha para que nossos pré-candidatos possam estar em partidos que realmente possam disputar a eleição com respeito e igualdade e competitividade”. Tenente Fernandes

