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Amigos de músico assassinado vão realizar ato na véspera do julgamento

Guilherme Rocha morreu em 2023; ex-policial militar responderá pelo crime em Júri Popular

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Familiares e amigos do músico Guilherme Rocha, assassinado em 2023, em Vitória, vão realizar um ato em sua homenagem na Praça Mário Elias da Silva, em Jardim Camburi. O evento acontecerá a partir das 19h30 da próxima terça-feira (19), um dia antes do julgamento do ex-policial militar Lucas Torezani de Oliveira, acusado pelo crime.

Semanalmente, às terças-feiras, é realizado um projeto de jazz no local em que acontecerá o ato, e desta vez os responsáveis abriram espaço para a celebração direciona a Guilherme Rocha. O evento deverá contar com apresentações de músicos que eram próximos da vítima.

“Nossa intenção é recuperar a memória dos fatos e também fazer com que o Guilherme seja lembrado com uma das coisas que mais gostava, que é a música, além de reforçar o pedido para que a Justiça seja feita”, comenta Alexandre “Testinha”, músico, vice-presidente da Associação Comunitária de Jardim Camburi (ACJC) e amigo de infância de Guilherme.

A advogada de defesa de Lucas Torezani de Oliveira pediu o adiamento do julgamento, alegando que não poderia estar presente devido a um problema de saúde. Entretanto, segundo “Testinha”, a informação é de que o Tribunal do Júri está mantido para quarta-feira (20).

Guilherme – também conhecido como “GuiGui” ou “Pagodinho” – tinha 37 anos e foi assassinado na madrugada do dia 17 de abril de 2023, às 3h, com um tiro fatal que atingiu o ombro e atravessou o peito. Ele morava em um condomínio em Jardim Camburi com a esposa e a enteada de 12 anos, e desceu de seu apartamento para pedir ao soldado Lucas Torezani que abaixasse o som.

Conforme imagens de câmeras de videomonitoramento registradas no dia do crime, em certo momento, Lucas retira a arma da cintura, primeiro encosta no ombro de Guilherme, e depois bate com ela em seu rosto. O músico reage colocando a mão na arma e é empurrado por um amigo do PM. Depois, segue em direção à porta e já cai executado. O crime gerou comoção e cobranças por Justiça.

O soldado chegou a alegar “legítima defesa” e foi liberado logo após a ocorrência. Entretanto, as investigações descartaram a tese, e Lucas Torrezani foi preso temporariamente no Quartel da Polícia Militar do Espírito Santo. Posteriormente, sua prisão se tornou preventiva e, após ser expulso da PM, foi encaminhado para um presídio comum.

Na época das investigações, o delegado da Divisão de Proteção a Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Marcelo Cavalcanti, responsável pelo caso, apontou “requinte de crueldade” e “frieza” do policial. As imagens mostram Lucas dando dois goles na bebida logo após matar Guilherme, além de não socorrer a vítima. “Não teve compaixão, queria executá-lo, mesmo”, enfatizou.

Marcelo Cavalcanti relatou, ainda, que Lucas esperou que a vítima morresse, além de ter impedido a esposa de Guilherme de socorrer o marido. Cavalcanti constatou que o PM tinha o hábito de beber no condomínio, promovendo “algazarra” e “zoada”, sempre na entrada do bloco da vítima, e não de onde morava, “para não incomodar seus familiares”. Por esse motivo, já existiam cinco ocorrências contra ele em dois meses, como reforçado pela síndica, Mônica Bicalho.

O amigo de Lucas, Jordan Ribeiro de Oliveira, foi indiciado junto com ele por homicídio duplamente qualificado por motivo fútil e sem possibilidade de defesa, mas responde em liberdade.

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