Julgamento de Vilson Luiz Ballan, dono do Sofá da Hebe, está marcado para agosto em Vitória

O júri popular do empresário Vilson Luiz Ballan, acusado de matar o jovem Breno Rezende de Carvalho, de 25 anos, na Rua da Lama, em Vitória, foi marcado para o dia 27 de agosto, às 9h, no Fórum Criminal de Vitória. Onze testemunhas devem ser ouvidas, entre acusação e defesa.
O crime praticado pelo proprietário do bar Sofá da Hebe provocou indignação pela banalidade da motivação: segundo a investigação, Vilson abordou Breno para cobrar o pagamento de uma cerveja de R$ 16 que já havia sido quitada. Um garçom do estabelecimento e os amigos da vítima confirmaram, na ocasião, que a bebida estava paga, mas, mesmo assim, o empresário insistiu na cobrança e iniciou a discussão que terminou no assassinato do jovem com uma facada.
De acordo com a denúncia do Ministério Público do Espírito Santo (MPES), Breno estava com amigos no bar e, após a discussão, atravessou a rua em direção ao bar Caldeirão. Vilson foi atrás do grupo já armado com uma faca e atacou o jovem de forma repentina, dificultando qualquer possibilidade de defesa. Breno chegou a tentar reagir, mas morreu no local.
Para o tio da vítima, Max Célio de Carvalho, cada nova movimentação do processo reacende a dor da família, mais de um ano após o crime. “Cada vez que chega uma nova etapa do julgamento, cada recurso negado, tudo fica latente de novo”, relata.
Vilson segue preso preventivamente desde poucos dias após o assassinato. Segundo Max, a família nunca acreditou que o caso deixaria de ir a júri popular, principalmente pela forma como a investigação foi conduzida. “Eles utilizaram de todos os recursos possíveis, mas tanto os investigadores da Polícia Civil quanto a Procuradoria de Justiça nos deixaram tranquilos em relação à possibilidade do júri. Tudo foi muito bem conduzido”, avalia.
A investigação da Polícia Civil apontou qualificadoras como motivo fútil e recurso que impossibilitou a defesa da vítima. Para a família, todos os agravantes do crime estão caracterizados no processo. “Todos os agravamentos que podem existir em uma sentença de assassinato estão presentes no caso dele. Então, com certeza, estamos esperando a pena máxima”, destaca.
Max aponta que uma das últimas movimentações da defesa foi a renúncia do advogado que acompanhava o empresário desde o início do processo, o que foi interpretado como uma tentativa de atrasar o julgamento. “Isso cria ansiedade na família, porque parece mais uma tentativa de empurrar o júri”, observa. Apesar disso, Max avalia que o Judiciário agiu rapidamente para evitar novos adiamentos. “O juiz aceitou a renúncia, mas determinou que ele apresentasse outro advogado e, se não apresentasse, seria nomeado defensor público para marcar o júri”, conta.
O tio do jovem também descreveu as consequências emocionais deixadas pelo assassinato. A família, ressalta, passou a lidar com traumas permanentes desde a morte do jovem. “Coisas com as quais a gente não convivia e está convivendo agora. São vários membros fazendo terapia, minha mãe chega nas comemorações e sente a ausência. É uma agressão para a vida toda”, enfatiza.
Ele afirma que, mesmo nos momentos de convivência familiar, a ausência de Breno permanece presente. “Às vezes a gente está reunido, descontraído, mas alguém lembra e fica aquele silêncio automático. A gente vai tocando a vida que tem. Temos outras crianças e outros jovens na família, e precisamos cuidar dessa dor também”, reconhece.

O caso provocou forte repercussão no Espírito Santo e gerou protestos na Rua da Lama após a missa de sétimo dia da vítima. Amigos e familiares realizaram um ato em frente ao Sofá da Hebe pedindo justiça e cobrando punição para o empresário. A expectativa é que uma nova mobilização aconteça durante o julgamento.
Max também destaca a importância da atuação das instituições e da imprensa para evitar que o caso caísse na impunidade. “Quando as instituições realmente trabalham, faz diferença. E eu incluo a imprensa nisso. A cobertura foi fundamental. Polícia Civil, investigadores, delegados, procuradoria, Polícia Militar, todo mundo teve papel importante para que não fosse mais um caso de violência gratuita com impunidade”, reforça.
Max também defende que regiões de lazer e concentração noturna tenham reforço de segurança pública. O crime, para ele, levantou discussões sobre a falta de proteção nesses espaços. “Eu sou totalmente favorável a espaços de lazer para a juventude, mas o aparato de segurança precisa estar presente nesses locais. A rua de lazer tem que vir acompanhada de policiamento”.
O perfil social do acusado também torna a responsabilização desafiadora na estrutura de Justiça Brasileira, que historicamente trata de forma desigual pessoas de diferentes classes sociais, sendo mais rigorosa com a população pobre e mais permissiva com pessoas socialmente privilegiadas, enfatiza Maxc. “O assassino sempre foi uma pessoa de classe média, teve privilégios. A gente sabe que, para essa categoria, a impunidade costuma ser maior”, critica.
De acordo com familiares, Breno era conhecido pelo jeito tranquilo e carismático e vivia um momento de crescimento profissional quando foi morto. “O que gostaríamos é que as pessoas guardassem a lembrança do sorriso sincero que ele tinha e de como cuidava dos amigos”, recorda o tio.

