Disputa por tempo de rádio e tv aumenta interesse no PL

O PL de Magno Malta está sendo cortejado por um lado e por outro, mas não será surpresa pra ninguém se acabar sozinho mais uma vez. Um afago de Lorenzo Pazolini (Republicanos), um olhar lânguido com aquela ponta de inveja de Ricardo Ferraço (MDB). Mas o interesse maior, sem dúvida está no tempo de tv e rádio que uma coligação ao Liberal traria a reboque. Trata-se de um dos recursos mais estratégicos em uma eleição majoritária, porque funciona como vitrine oficial e obrigatória para os candidatos. Não depende de algoritmos de redes sociais nem de audiência espontânea: é garantido e chega a todos os capixabas em horários nobres. Nessas eleições para o Governo do Espírito Santo, cada coligação já sabe previamente quanto tem, pelo que foi definido pela legislação eleitoral: 90% do tempo total (12min30s por bloco) é distribuído proporcionalmente ao tamanho das bancadas federais eleitas em 2022, e 10% igualmente entre partidos que superaram a cláusula de barreira. Assim, coligações com partidos grandes como União Brasil, PP, PL e PT concentram mais minutos, enquanto legendas menores contribuem pouco.
Tempo, tempo, tempo…
O PL, de Magno, com os 99 deputados federais que detém, tem no bolso pra negociar 2 minutos e 15 segundos. Um manjar dos deuses para Pazolini. Só perde em tempo de exposição para a Federação União Progressista, formada por União e PP, com 106 deputados federais na bancada, que soma 2 minutos e 28 segundos, teoricamente já assegurados por Ferraço. Na sequência, a Federação Brasil da Esperança, o time de Lula, com PT, PCdoB e PV, arrebanham 81 deputados federais e projetam ter 1 minuto e 59 segundos. O MDB do atual governador, tem 42 parlamentares e contribui com mais 59 segundos. O PSD de Paulo Hartung, também tem 42 assentos na Câmara Federal e mantém por hora uma união estável com Pazolini, adicionando outros 59 segundos à frente de direita, enquanto o Republicanos do ex-prefeito da Capital e seus 40 representantes em Brasília agregam mais 56 segundos à coligação.
Cada segundo importa
A Federação PSDB-Cidadania, de Arnaldinho Borgo, está dividida. O prefeito de Vila Velha começou dançando com Ferraço, trocou para Pazolini, mas retornou para o primeiro, que mostrou conduzir melhor as passadas, apresenta-se com 18 deputados federais e 31 segundos de exposição. E o Podemos, de Gilson Daniel, também com 18 nomes na Câmara Federal, traz os mesmos 31 segundos, que tendem a ir para Ferraço, o aliado de primeira hora, mas são cotejados também por Pazolini, dependendo das configurações legislativas. E seguimos para aqueles partidos menores em bancadas federais. O PDT, que tenta emplacar Sérgio Vidigal como vice do emedebista e traz consigo 25 segundos. A Federação Psol-Rede, com 14 parlamentares na capital federal, tem o Psol com foco em Hélder Salomão e a Rede flertando com Ferraço, entregaria 23 segundos. O PSB, de Renato Casagrande, tem o mesmo número de representantes em Brasília, somando para o lado de Ferraço 23 segundos. Avante tem seis deputados e contribui com 10 segundos para Pazolini. O Patriota, com quatro, acrescenta 7 segundos. Com uma bancada igual, vão para Ferraço os 7 segundos do Solidariedade. Por fim, o Novo com 3 deputados contribui com 5 segundos para a campanha do ex-prefeito de Vitória. Tem que se destacar que esses tempos são aproximados e podem variar conforme ajustes do TSE e composição final das coligações estaduais.
Aferição nas convenções
Mantendo-se esse quadro a ser aferido nas convenções, sem o PL e mantendo o PSD na coligação, Pazolini abre com um tempo bastante razoável, com quase 3 minutos de tempo aproximado por bloco. Ferraço ficaria pouco atrás, com 2 minutos e 45 segundos, enquanto Helder teria de forma consistente, mais de dois minutos e 20 segundos de exposição. O PL sozinho tem 2 minutos e 15 segundos. Um temporão que, se bem utilizado, pode se traduzir em votos. Candidatos com mais tempo podem detalhar melhor propostas, responder críticas, mostrar apoiadores e criar jingles memoráveis, influenciando diretamente na decisão do eleitor. E ainda restam para serem contabilizados os tempos da Federação PSDB-Cidadania, que vem dividida: PSDB com Pazolini e Cidadania com Ferraço. Com 18 deputados federais, entrega 31 segundos. Os pequenos Avante, com seis nomes na Câmara, traz 10 segundos; o Solidariedade, tem quatro e soma 7 segundos, o mesmo tempo do Patriota. Ao Novo, com bancada de três, cabem 5 segundos.
Democracia do mais forte
Bom por um lado e muito ruim por outro. Pensado para democratizar o acesso, o horário de propaganda eleitoral gratuita acabou por reforçar desigualdades estruturais: quem já tem bancada grande e poder político ganha mais visibilidade, enquanto novas forças políticas ficam praticamente invisíveis. Isso cria um ciclo vicioso: partidos grandes acumulam tempo, atraem coligações, ampliam exposição e, com isso, aumentam as chances de manter ou expandir bancadas. Em jogo, não se trata apenas de discussão de propostas, como todos temos acompanhado ao longo dos anos, mas da construção de uma narrativa, boa ou ruim, que atinja o principal objetivo: o voto do eleitor.

