Moradora afirma ter sido ofendida pelo vereador e empurrada por homens da equipe

Uma moradora de Vila Velha, Débora Dahnster, registrou um boletim de ocorrência após relatar ter sido ofendida e agredida durante uma abordagem do vereador Devacir Rabello (PL), candidato a deputado estadual, no último domingo (27) na praia de Itapuã, em Vila Velha. Segundo ela, o episódio começou depois que pediu ao político que não utilizasse sua imagem em um vídeo de campanha.
Débora afirma que estava na praia com uma amiga e a mãe dela quando Devacir e integrantes de sua equipe chegaram ao local em um minitrio. O grupo parou no calçadão, em frente ao ponto onde as três estavam na areia. Ela conta que usava um boné com referência ao presidente Lula e tinha um adesivo do político. Ao perceber a presença delas, Débora afirma que Devacir teria descido para a faixa de areia acompanhado de integrantes da equipe e começado a gravar material de campanha.
Ao notar que estava sendo enquadrada nas imagens, a moradora decidiu fazer um pedido para que sua imagem não fosse utilizada: “Eu sei que o local é público, você pode fazer a sua campanha, só que eu queria que você não me filmasse. Eu não queria aparecer na gravação e não autorizo o uso da minha imagem”.
Segundo ela, Devacir respondeu inicialmente que não estaria filmando-a e, em seguida, passou a fazer comentários sobre sua aparência e sua posição política. Ela afirma que o vereador teria dito: “Primeiro que eu não filmo mulher feia” e, posteriormente, “você é muito feia, olha para você. Olha o seu cabelo”. Ainda segundo Débora, as ofensas continuaram com referências ao fato de ela ser apoiadora de Lula.
Na sequência a situação teria escalado. Débora afirma que integrantes da equipe de Devacir desceram do calçadão e se aproximaram dela e da amiga. Segundo ela, cerca de dez a 15 pessoas participaram da discussão, com provocações e gestos intimidatórios. “Eles não vieram de início batendo. Eles vieram de uma forma ostensiva e ficavam botando o dedo na cara”, contou.
A moradora afirma que, durante o confronto, dois homens a empurraram. Um deles, segundo ela, seria um integrante da equipe identificado como Murilo. Débora diz ainda que foi chutada e ficou com um hematoma na perna. Segundo a moradora, um vídeo publicado posteriormente pelo próprio Devacir em suas redes sociais permitiu que ela identificasse que havia sido empurrada por dois homens. Ela afirma que, no momento da confusão, acreditava que apenas uma pessoa havia praticado a agressão. “Depois que o próprio Devacir postou o vídeo, dá para ver perfeitamente no ângulo que eu sou empurrada por dois homens”, afirmou.
O vereador publicou imagens do episódio em suas redes sociais em vídeo em que ironiza a denúncia e afirma que se trata de uma “fake news” e de uma “guerra de narrativas”.
Débora afirma que, durante o episódio, ela e as demais mulheres que estavam no local foram chamadas de “maconheiras” e “Bolsa Família”, além de terem sido alvo de outras ofensas relacionadas à aparência, ao cabelo e ao posicionamento político.
Ela classifica as manifestações como misóginas, machistas, racistas e classistas. Débora acrescenta ainda que, antes do episódio envolvendo seu grupo, Devacir teria parado o minitrio próximo à ciclovia e discutido com duas mulheres que passavam pelo local. Segundo ela, uma delas teria reclamado porque o veículo estava parado na passagem. Ela afirma que o vereador também teria respondido às críticas com ofensas relacionadas à aparência e ao posicionamento político das mulheres.
Depois do episódio, segundo Débora, o vídeo publicado por Devacir passou a receber comentários ofensivos contra ela e as demais mulheres. Ela afirma que encontrou mensagens com acusações e xingamentos de cunho sexual e relacionados ao uso de drogas. A moradora também critica o candidato por acolhido as manifestações curtindo alguns comentários e afirmado que iria “caçar” petistas.
Débora afirma que registrou boletim de ocorrência no dia seguinte ao episódio. Segundo ela, durante o atendimento policial, foi informada de que a ocorrência seria inicialmente registrada como lesão corporal e que outras possíveis condutas seriam avaliadas durante a investigação.
Ela também relatou ter recebido orientação sobre os procedimentos posteriores, incluindo a realização de exame de corpo de delito. A moradora afirma que pretende levar o caso também à Justiça Eleitoral e à Câmara Municipal de Vila Velha. Ela diz que pretende apresentar os vídeos e demais registros que possui. “Eu gostaria que ele fosse punido pelas atitudes dele, que ele recebesse as consequências”, afirmou.

Decisão anterior do TRE
O episódio ocorre em meio a uma campanha na qual Devacir já foi alvo de decisão da Justiça Eleitoral relacionada à utilização de sua estrutura de campanha para abordar adversários políticos. Em 3 de setembro, o Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo determinou que o candidato se abstivesse de utilizar carro de som ou minitrio para impedir ou perturbar atos de propaganda eleitoral de candidaturas adversárias. A decisão foi tomada em representação apresentada pela Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PV e PCdoB.
Na decisão, o juiz auxiliar do TRE-ES Robson Luiz Albanez afirmou, em análise preliminar, que os vídeos apresentados no processo indicavam manifestações de conteúdo hostil e depreciativo dirigidas a candidatos, filiados e simpatizantes adversários. O magistrado destacou, contudo, que a decisão não impedia Devacir de realizar propaganda própria nem de fazer críticas políticas, inclusive contundentes, dentro das regras eleitorais.
A ordem estabeleceu multa de R$ 10 mil por descumprimento, limitada inicialmente a R$ 100 mil. Em outro processo, também relacionado ao uso do minitrio, o TRE-ES determinou que o candidato não utilizasse carro de som fora das hipóteses permitidas pela legislação eleitoral, como carreatas, caminhadas, passeatas, reuniões e comícios. Século Diário buscou a assessoria do vereador para manifestação. No entanto, não houve retorno até esta publicação.

