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Assembleia não quer pagar a conta de Ferraço com Hartung

As críticas disparadas pelo presidente da Assembleia Legislativa, Theodorico Ferraço (DEM), contra o governador Paulo Hartung (PMDB), na entrevista publicada nessa quarta-feira (13) no jornal A Gazeta, repercutiram negativamente entre os deputados. O sentimento de alguns deputados de que Ferraço estaria colocando o Poder Legislativo em xeque ao envolvê-lo em questões pessoais. 
 
Para alguns parlamentares, Ferraço fez um jogo desde o início do mandato que agradava o Palácio Anchieta. Teria sido ele mesmo quem acelerou a tramitação de todos os projetos do governo, inclusive dos que foram aprovados nas últimas semanas antes do recesso e aprovados a toque de caixa. 
 
Uma das propostas aprovada e que trouxe prejuízo para os deputados foi a PEC que desobriga o governo de publicar os benefícios e incentivos fiscais concedidos em âmbito municipal e estadual a empresas, e o montante envolvido na negociação no prazo de 180 dias após o fim do exercício. A proposta, que é polêmica, precisaria ser mais discutida no plenário, mas tramitou em tempo recorde na Assembleia. 
 
Outra movimentação que é colocada na conta do presidente pelos deputados é a rejeição de questões de ordem levantadas por deputados que não concordavam com as propostas apresentadas ou que tentavam retardar o processo de discussão das matérias. Para um dos deputados que comentou a entrevista, Ferraço cobrou a conta pelas manobras feitas em favor do governo e não recebeu a contrapartida (pessoal) esperada. 
 
Por isso, os parlamentares entendem que ele não pode usar o nome da Assembleia para cobrar uma fatura que é dele. Na entrevista, Ferraço transparece sua intenção de usar a Assembleia como instrumento para pressionar o governador. Mas o comentário entre os deputados é de que a Assembleia não está disposta a pagar uma conta do presidente da Casa com o governador. 
 
Para os meios políticos, Ferraço esperava que Hartung se empenharia com mais afinco na campanha de Norma Ayub (DEM) na disputa à Câmara dos Deputados na eleição 2014. A mulher de Ferraço acabou ficando na suplência. Mais uma vez, o deputado ficou na expectativa de que o governador a acomodasse na bancada, puxando um dos eleitos para o governo, o que também não aconteceu. Tampouco Hartung ofereceu um cargo a Norma no governo.
 
A conta que estaria sendo colocada por Ferraço na mesa agora é a disputa em Itapemirim. Norma Ayub tenta voltar à prefeitura, mas não teria um campo garantindo. Ferraço também estaria articulando um quarto mandato à frente da Assembleia, mas o governo estaria trabalhando o nome de Rodrigo Coelho (de saída do PT) para sucedê-lo no comando da Casa.
 
Na entrevista, Ferraço critica a submissão da Assembleia e deixa transparecer que não vai dar vida fácil para o governo como presidente do legislativo. Ferraço fica na presidência até o fim do ano. Em 2017, o plenário escolhe outro presidente, que comandará o Legislativo até 2018. 

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