O ressurgimento de Rodney Miranda; a consolidação das alianças partidárias após as convenções; e mais

É Goiás ou Espírito Santo?
Mesmo quando tudo parece definido, o cenário eleitoral ainda pode nos reservar algumas surpresas. Uma delas foi o anúncio da candidatura do ex-secretário estadual de Segurança Pública e ex-prefeito de Vila Velha Rodney Miranda para senador no Espírito Santo. Ele será, na verdade, o único representante nas disputas eleitorais do Estado filiado ao pequeno Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB), sigla com histórico de alianças fisiológicas, mas que ultimamente vinha se articulando com o bolsonarismo. Nos últimos anos, Rodney tem ficado por Goiás, onde ocupou, de de 2019 a 2022, o cargo de secretário de Segurança na gestão do ex-governador Ronaldo Caiado (PSD), pré-candidato a presidente em 2026. O ex-prefeito vilavelhense se candidatou a deputado federal em 2022 no Estado goiano pelo Republicanos, obtendo apenas 4,8 mil votos. A convenção partidária que referendou a candidatura de Rodney este ano foi realizada na terça-feira (4), com apenas sete pessoas presentes, e em formato virtual, o que é bastante inusitado. Será que ele vai optar pelo voto em trânsito?
Trajetória
Um breve resumo da trajetória de Rodney Miranda no Espírito Santo: delegado aposentado da Polícia Federal (PF), ficou conhecido como secretário estadual de Segurança nas primeira duas gestões do ex-governador Paulo Hartung (atualmente no PSD), de 2003 a 2010, muito marcado por acompanhar operações policiais de rua, sempre paramentado com colete à prova de balas e pistola na cintura. Saiu do cargo por um breve período, entre 2005 e 2007, por conta do escândalo dos grampos telefônicos na Rede Gazeta. Foi eleito deputado estadual em 2010 (mais votado) e a prefeito de Vila Velha em 2012. No entanto, nem chegou ao segundo turno das eleições municipais de 2016, perdendo para Neucimar Fraga (então no PSD) e Max Filho (PSDB, o vencedor naquele pleito).
Todos os 11 do Senado
Dito isso, as convenções partidárias terminaram, portanto, com 11 candidatos a senador aprovados para as eleições de outubro no Espírito Santo. A chapa da frente ampla governista será formada por Renato Casagrande (PSB) e Rose de Freitas (MDB). A de oposição de direita, por Maguinha Malta (PL) e Evair de Melo (Republicanos). Sergio Meneguelli (PSD), Leonardo Monjardim (Novo), Marcos do Val (Avante), Callegari (DC) e Rodney Miranda (PRTB) sustentarão palanques independentes, sendo os três primeiros mais próximos da oposição; Callegari, dos governistas; e Rodney, ainda sem definição clara. À esquerda, os candidatos são Fabiano Contarato (PT) e Professor Fabian (Psol), mas a Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) tende a apoiar informalmente Casagrande como segundo nome – e ainda não anunciou uma definição.
Frente ampla governista
A finalização das convenções também nos permite saber as alianças consolidadas para a principal disputa majoritária. A frente ampla governista, com a chapa formada pelo governador Ricardo Ferraço (MDB) como candidato a reeleição e o vereador de Vitória Camillo Neves (PP) de vice, contempla sete partidos e federações: Agir, Partido Democrático Trabalhista (PDT), Partido Socialista Brasileiro (PSB), Movimento Democrático Brasileiro (MDB) e Podemos, além das federações formadas por União Brasil e Progressistas (União Progressista, UPB); Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) e Cidadania. Trata-se de um amplo arco partidário, incluindo desde siglas com viés progressista (PSB e PDT) até agremiações do “Centrão” que flertam com o bolsonarismo (UPB), o que contribuirá para obter o maior tempo de propaganda de televisão – algo que ainda tem muita relevância, mesmo em tempos de campanhas digitais.
Oposição de direita
No grupo de oposição de direita, estão fechados o Republicanos e o Partido Liberal (PL). O Democrata declarou apoio a Lorenzo Pazolini (Republicanos) para governador, mas consta na ata que a definição do partido sobre as majoritárias ficou para a Executiva estadual consolidar depois. Ainda resta saber quem será o vice de Pazolini. Tem circulado nos bastidores a possibilidade de Leonardo Monjardim ocupar essa vaga, mas ele já está registrado na disputa para senador e teria que fazer retificações junto à Justiça Eleitoral. Além do mais, demonstrou insatisfação com supostos movimentos de Evair de Melo para atrair integrantes do Novo para a sua suplência, o que pode ter azedado o clima. Tudo é possível, mas o mais provável é que o companheiro de chapa do ex-prefeito de Vitória saia do PL ou do próprio Republicanos (o nome de Soraya Manato, que deixou a disputa para a Câmara dos Deputados, também tem sido especulado).
Campo progressista
O campo progressista será representado pela Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) no pleito deste ano, com a chapa puro-sangue do Partido dos Trabalhadores formada pelo deputado federal Helder Salomão e pela vereadora de São Mateus (norte do Estado) Professora Valdirene. O Partido Socialismo e Liberdade (Psol) tentou se juntar formalmente à coligação, mas esbarrou na resistência da Rede Sustentabilidade, com quem está federado, que preferiu o apoio aos governistas. Cada partido, portanto, vai apoiar o campo de sua preferência, mas sem coligação. Inclusive, Laís Garcia, porta-voz da Rede no Estado, discursou na convenção do MDB a favor da “continuidade” na gestão estadual.
PRD, Solidariedade e DC juntos
O Democracia Cristã (DC) optou por lançar o deputado estadual Callegari para senador e atraiu o apoio da Federação Renovação Solidária (PRD e Solidariedade), cuja Executiva estadual consolidou essa resolução na quarta-feira (5), após a realização da convenção. Nem o DC e nem a federação fecharam questão sobre alianças para governador, mas estão mais próximos do espectro governista.
Esquerda radical
À esquerda, uma das principais novidades foi o lançamento de um palanque próprio da Unidade Popular pelo Socialismo (UP). A agremiação da esquerda radical, que fundou seu diretório estadual este ano, aprovou as candidaturas de Rafael Demuner ao Governo do Estado e Dionary Sarmento para vice-governadora, além de Luisa Kirchmayer e Gabriel Costa como candidatos a deputado federal. A UP (não confundir com a União Progressista, UPB) é crítica ao lulismo e, por isso, vai ficar de fora da aliança do campo progressista. Entretanto, a Unidade Popular ainda não definiu se vai apoiar algum nome para senador e deputado estadual. Há também conversas com outros grupos do mesmo campo, como o Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR), que não possui registro oficial atualmente, mas nada acertado por enquanto.
Missão do MBL no Estado
O Missão, partido de extrema direita recém-criado pelo Movimento Brasil Livre (MBL), também estreará com um palanque próprio para o Governo do Estado, com uma chapa puro-sangue formada por Breno Barcelos e Victor Oliveira. A sigla também tem dez nomes para deputado federal, mas não anunciou o que pretende fazer com relação às candidaturas de senador e deputado estadual.
Independentes
Alguns partidos também se mantiveram neutros com relação à disputa para governador neste primeiro momento e tampouco formalizaram alianças para o Senado (como aconteceu no caso do DC e da Renovação Democrática). O caso mais emblemático foi o do Partido Social Democrático (PSD), que decidiu, na última hora, bancar a candidatura do deputado estadual Sérgio Meneguelli a senador. O Avante, de Marcos do Val, também está nesse barco, assim como o Novo, de Leonardo Monjardim. Todos os três, porém, dialogam mais com a oposição de direita.

