Bancários do BB aprovaram ACT enquanto Caixa reabriu negociação
A greve dos empregados da Caixa Econômica Federal continua no Espírito Santo, com 66 agências paralisadas, enquanto os trabalhadores do Banco do Brasil encerraram a paralisação e retornaram ao trabalho nesta segunda-feira (14). No BB, 76% dos empregados que participaram da assembleia realizada neste domingo (13) aprovaram a proposta de Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2026-2028 e decidiram pelo fim da greve. Na Caixa, a mobilização continua por tempo indeterminado, enquanto o banco recuou de um comunicado interpretado pelos trabalhadores como uma ameaça de retirada de direitos e pediu a reabertura das negociações.
A continuidade da greve ocorre depois de um recuo da Caixa em relação a um comunicado enviado aos trabalhadores no início da paralisação. Na sexta-feira (11), o banco enviou uma comunicação eletrônica informando que iniciaria alterações normativas internas e nos sistemas para refletir o encerramento do acordo coletivo. Para os empregados, a medida foi entendida como uma ameaça de retirada de direitos conquistados durante as negociações, incluindo o Saúde Caixa.
Segundo o dirigente do Sindibancários/ES André Tosta, o anúncio foi considerada um desrespeito ao processo de negociação que ainda estava em andamento. “Foi entendido por nós, trabalhadores da Caixa, como uma ameaça, um enfrentamento de retirar de direitos e de desrespeito com o processo negociado de greve que estava em andamento”, afirmou.
No domingo (13), entretanto, a Caixa enviou um novo comunicado às unidades revogando a orientação anterior e solicitando a reabertura das negociações com as entidades representativas. “Ela mesmo recuou desse movimento de ameaça. Então, a Caixa recua, a greve da Caixa continua”, disse a liderança. A reabertura da mesa, porém, ainda não tem data definida. Também não foi apresentada uma nova proposta aos empregados. Quando a Caixa apresentar novos termos, o Sindibancários deve realizar uma plenária para avaliação e, posteriormente, convocar uma assembleia para que os trabalhadores decidam pela aprovação ou rejeição da proposta.
Após uma década desde a última greve, a atual mobilização supera a adesão alcançada em paralisações anteriores, observa o dirigente. Segundo ele, a categoria conseguiu interromper o funcionamento de uma quantidade de unidades que não havia sido alcançada nem mesmo nas grandes greves realizadas entre 2003 e 2016. O diretor aponta que outro diferencial é maior a participação dos gerentes, segmento que historicamente apresentava menor adesão.
Caixa Econômica
A greve dos bancários da Caixa e Banco do Brasil começou na última quinta (10), depois que os empregados rejeitaram as propostas apresentadas pelos bancos durante a campanha salarial. No Estado, a rejeição foi expressiva: 96% dos empregados da Caixa Econômica recusaram a proposta específica de ACT, enquanto 83% também votaram contra a proposta da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). A proposta da Caixa envolve mudanças em benefícios e condições de trabalho. Um dos principais pontos de conflito é o Saúde Caixa, plano de autogestão dos empregados.
Entre as alterações propostas estão o aumento da contribuição do titular de 3,5% para até 4,5% da remuneração-base, conforme a idade, e o aumento da mensalidade por dependente, que poderia chegar a R$ 660. A proposta também prevê elevar de 7% para 9% o teto de comprometimento da renda familiar. Outro ponto rejeitado pelos trabalhadores é o aumento da coparticipação em consultas de pronto-socorro, de R$ 75 para R$ 150. O limite anual de coparticipação por grupo familiar também passaria de R$ 3,6 mil para R$ 4,8 mil. Para o Sindibancários, as mudanças ameaçam características históricas do plano, como os princípios de solidariedade e de pacto intergeracional. A entidade também critica a previsão de reajustes vinculados à idade dos participantes.

Banco do Brasil
A greve do Banco do Brasil durou dois dias e ocorreu no contexto de uma campanha salarial marcada por mobilizações nacionais e pelo descontentamento da categoria com as negociações. A decisão dos empregados do BB ocorreu após uma mudança no cenário nacional da campanha salarial. Segundo o Sindibancários/ES, na sexta-feira (11), a maioria das bases estaduais que estavam em greve já havia aprovado o ACT. Estados como Maranhão, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte também decidiram encerrar a paralisação. Entre as bases de maior expressão que ainda não haviam deliberado estavam Espírito Santo e Bahia, que aprovaram o acordo nesse domingo.
Além dos 76% que votaram pela aprovação do ACT e pelo encerramento da greve, 22% rejeitaram a proposta e defenderam a continuidade da paralisação, em assembleia no Estado. Outros 2% se abstiveram. Com o resultado, os empregados do Banco do Brasil voltaram ao trabalho normalmente em todo o Estado nesta segunda-feira.
Na avaliação do dirigente do Sindibancários no Estado, Igor Chagas, a decisão de iniciar a greve foi acertada diante do cenário existente naquele momento. Ele afirmou que a insatisfação dos trabalhadores já vinha sendo demonstrada desde a paralisação nacional de 24 horas realizada em 20 de agosto e que as negociações específicas com o Banco do Brasil também avançavam sem resultados considerados satisfatórios para a categoria. O dirigente destacou ainda que os dois dias de greve tiveram importância para a mobilização dos empregados, especialmente porque muitos participaram de uma paralisação pela primeira vez desde a última greve, em 2016.
A categoria, segundo Igor, deve continuar mobilizada mesmo após o encerramento da paralisação. Entre os próximos desafios apontados por ele está a discussão sobre o custeio da Cassi, plano de assistência à saúde dos funcionários do Banco do Brasil e seus familiares. Outro ponto destacado pelo sindicato foi a inclusão de dispositivos relacionados à Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT). De acordo com Igor, a representação dos trabalhadores terá participação na construção do mapa de riscos psicossociais previsto pela norma.
Enquanto os empregados do Banco do Brasil encerraram o movimento após a aprovação do ACT e retornaram às atividades, os trabalhadores da Caixa permanecem mobilizados e aguardam uma nova rodada de negociação. Até que uma nova proposta seja apresentada e submetida à categoria, as 66 agências capixabas continuam paralisadas.

