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A muralha caiu

A retirada de Gilvan da Federal da chapa do PL; nova iniciativa sobre violência política de gênero; os riscos para Armandinho; e mais

Vinicius Loures/Agência Câmara

Vida que segue

O deputado federal Gilvan da Federal costuma ser chamado de “muralha” pelos pares, em referência ao seu comportamento “combativo” (ou simplesmente truculento). Pois agora a “muralha” caiu de vez. Depois de o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-ES) ter barrado a sua candidatura, o Partido Liberal (PL) teve que substituí-lo na chapa por Lucas Casagrande, vereador de Viana, município da região metropolitana. As tratativas ocorreram diretamente com a Executiva Nacional. O senador Magno Malta, presidente estadual, apenas assinou uma nota protocolar da sigla informando das mudanças, sem se estender muito em manifestações de apoio a Gilvan. No momento, está ocupado tentando eleger a filha Maguinha Malta ao Senado Federal e articulando mobilizações contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Vida que segue.

Não foi só um “cala a boca”

Gilvan da Federal e os bolsonaristas tentam emplacar a tese de “perseguição judicial” à direita, dizendo que ele foi barrado simplesmente por mandar uma colega “calar a boca” na Câmara de Vitória. Mas não foi “só” isso (como se esse tipo de fala tivesse que ser tratada como trivial). Segundo relatos de testemunhas da ocasião, o então vereador ficou cercando a colega Camila Valadão (Psol) mesmo após a discussão no plenário – se isso não é violência política de gênero, então o que é? Vale ressaltar que, naquele mesmo ano de 2021, Gilvan criticou Camila em público simplesmente por ela usar uma blusa de um ombro só. No ano passado, o deputado federal ficou três meses suspenso do mandato após ter dito, em referência à suposta menção à colega Gleisi Hoffmann (PT-RS) em uma planilha de propinas da Odebrecht, que ela “devia ser uma prostituta do caramba”. Sem contar as outras condenações do parlamentar. O apreço pelas mulheres passa longe.

Discussão liberada

Aliás, não está proibido debater e discordar politicamente. A própria Câmara de Vitória tem sido palco de enfrentamentos acalorados, em contraste com a pasmaceira da Assembleia Legislativa do Estado (Ales). O confronto faz parte da política – em que pese o fato de as vereadoras mulheres continuarem reclamando do machismo e do tratamento desigual, o que certamente precisa ser corrigido. Mas o que vimos com Gilvan da Federal ultrapassou todos os limites. E sim, pode existir perseguição judicial (que o digam o presidente Lula e outras figuras de esquerda…), mas esse não foi o caso. Gilvan, inclusive, ainda pode se salvar da condenação nas últimas instâncias, ainda que a candidatura esse ano esteja descartada.

Resolução

Na sessão desta segunda-feira (14) da Câmara de Vitória, as vereadoras Karla Coser (PT) e Ana Paula Rocha (Psol) comemoraram a inelegibilidade de Gilvan da Federal. Além disso, as duas defenderam um projeto de resolução de Karla, que pretende acrescentar um trecho ao Código de Ética do Legislativo especificando violência política de gênero. Já Dárcio Bracarense (PL), adversário interno de Gilvan no PL, criticou a decretação da inelegibilidade por mero “discurso”, alegando que não houve violência física. Ele disse ainda que é pai de meninas e indica às filhas para que, se alguém lhes pedir para calarem a boca, simplesmente “continuem falando”. 

Armandinho sob risco

Além de Gilvan, o vereador de Vitória Armandinho Fontoura (PL) também teve a candidatura a deputado estadual barrada pelo TRE-ES – no caso dele, por conta de uma condenação por falsidade ideológica. No sábado (12), a defesa de Armandinho ingressou com embargos de declaração contra a decisão. Os argumentos contra o indeferimento incluem: a condenação não atingiu a fé pública; falta decisão de órgão judicial colegiado competente; e a legislação sobre inelegibilidade não alcança condenação desprovida da gravidade qualificada exigida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em julgamentos de Ações Declaratórias de Constitucionalidade sobre o tema.

Contra a “cultura do crime”

Também na sessão desta segunda, a Câmara aprovou projeto de Armandinho Fontoura que busca combater a “cultura do crime organizado” em Vitória. A proposta prevê a retirada de símbolos, sinais e nomes que façam referências ou apologia às organizações criminosas ou facções do crime organizado pichadas ou grafadas em imóveis, logradouros, bens e patrimônios públicos. Ana Paula Rocha falou, ironicamente, que se tratava de uma iniciativa do “sargento pincel”, apontando baixa efetividade. Entretanto, não registrou voto. Karla Coser, Luis Paulo Amorim (PV) e Professor Jocelino (PT) seguiram posicionamento da Federação Brasil da Esperança (PT, PV, PCdoB) pela abstenção.

Telão para acompanhar o Xandão

Nesta terça-feira (15), acontecerá a sessão do STF que vai avaliar a possibilidade de investigação do ministro Alexandre de Moraes no inquérito sobre o Banco Master. No Espírito Santo, deputados bolsonaristas estão organizando a instalação de um telão em frente à Assembleia Legislativa, em Vitória, a partir das 7h, para acompanhar o evento coletivamente. “Depois de anos de censura, prisão, tornozeleira e perseguição, o próprio Supremo é obrigado a olhar para o que o ministro fez”, comentou Capitão Assumção (PL)

Agendas no sul do Estado

O candidato a governador Helder Salomão (PT) passa pelo sul do Estado nesta segunda-feira, com caminhadas por Alegre (9h), Mimoso do Sul (12h30) e Cachoeiro de Itapemirim (16h). Os principais concorrentes também estiveram pela região recentemente. O governador Ricardo Ferraço (MDB) passou por Cachoeiro no fim de semana – o pai, Theodorico Ferraço (PP), é o prefeito da cidade.

Léo Camargo contra Creone da Farmácia

Em Cachoeiro, o ex-vereador Léo Camargo (União) rebateu, em vídeo nas redes sociais, o vereador Creone da Farmácia (PL), que teria afirmado que ele não é de direita. Camargo comentou que já ajudou o parlamentar municipal em outras ocasiões, e que só saiu este ano do PL porque foi expulso, com a participação do próprio Creone nesse processo. Os dois são concorrentes por uma vaga na Assembleia Legislativa.

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