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Bancários da Caixa rejeitam nova proposta e mantêm greve por tempo indeterminado

Acordo foi rejeitado por 62% dos 1.352 empregados em assembleia

Sérgio Cardoso/Sindibancários

Os funcionários da Caixa Econômica Federal no Espírito Santo rejeitaram a nova proposta de Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) apresentada pelo banco e decidiram manter a greve por tempo indeterminado. A votação ocorreu nesta segunda-feira (21), em assembleia on-line convocada pelo Sindicato dos Bancários, com participação de 1.352 empregados, sendo que 832 participaram da votação, o equivalente a 62%, votaram contra a proposta; 512 foram favoráveis e oito se abstiveram.

Com a decisão, 66 agências da Caixa continuam em greve no Estado, segundo o Sindibancários. A categoria também aprovou a continuidade da paralisação e foi convocada para uma plenária on-line nesta terça-feira (22), às 19h, para organizar os próximos passos do movimento. A nova proposta havia sido apresentada pela Caixa após uma rodada de negociação realizada na quarta-feira (16), que avançou pela madrugada de quinta (17). Os novos termos alteraram pontos que haviam provocado forte resistência dos empregados, especialmente em relação ao Saúde Caixa, mas não foram suficientes para obter aprovação da categoria.

Entre as mudanças apresentadas pelo banco estava a ampliação, a partir de 2027, de 6,5% para 9% da folha de pagamento do limite de participação da Caixa no custeio do Saúde Caixa. Para 2026, a proposta previa a manutenção das mensalidades sem reajuste e o compromisso de que a empresa assumiria o déficit do plano. A proposta também mantinha o Saúde Caixa no Acordo Coletivo de Trabalho e preservava o chamado pacto intergeracional. Segundo os termos apresentados, seria criado ainda, em até 60 dias, um grupo de trabalho para discutir mudanças na gestão do plano, incluindo questões de governança, estrutura, prestação de contas e novas fontes de receita.

Outro compromisso previsto era a disponibilização de pelo menos um empregado em cada Gerência de Pessoas (Gipes) e Representação Regional de Pessoas (Repes) para atuar exclusivamente em questões relacionadas ao Saúde Caixa. A nova proposta também mantinha o modelo solidário do plano, sem cobrança diferenciada por faixa etária. A mudança representava uma alteração em relação a uma proposta anterior, que havia sido criticada pelos trabalhadores por prever contribuições relacionadas à idade dos usuários.

Além do Saúde Caixa, a Caixa apresentou alterações em mecanismos de avaliação e remuneração dos empregados. No programa Super Caixa, estavam previstas mudanças nos critérios utilizados para calcular resultados individuais e das unidades, assim como na premiação pela habilitação no programa. Em relação ao atendimento híbrido, envolvendo os sistemas Figital e Genesys, a proposta previa que não haveria penalização relacionada ao indicador em 2026. A empresa também deveria continuar avaliando o projeto antes de definir seu modelo para 2027.

A negociação previa ainda discussões específicas de trabalho remoto e sobre o Plano de Funções Gratificadas (PFG). Para os empregados da área de Tecnologia da Informação, o estudo de um piso salarial específico foi incorporado, segundo o sindicato, a um trabalho já realizado pela consultoria Deloitte. Outro item era o pagamento de um prêmio extraordinário de R$ 3 mil por empregado, condicionado ao cumprimento do Índice de Eficiência Operacional (IEO) de 2026. De acordo com a proposta apresentada pela Caixa, o índice já havia sido atingido em junho.

A empresa também se comprometeu a manter os direitos previstos nos acordos coletivos específicos e na Convenção Coletiva de Trabalho da categoria. Caso a proposta fosse aprovada, o dia de paralisação realizado em 20 de agosto seria abonado, enquanto os demais dias úteis de greve deveriam ser compensados em até 180 dias.

A greve dos empregados da Caixa começou no Espírito Santo em 10 de setembro, depois que os trabalhadores rejeitaram as propostas apresentadas durante a campanha salarial. Na primeira votação, a rejeição da proposta específica da Caixa chegou a 96% entre os empregados que participaram da assembleia. A mobilização ganhou força nos dias seguintes. Inicialmente, 54 agências capixabas estavam fechadas. Em 14 de setembro, o número chegou a 66 unidades paralisadas. Posteriormente, durante a rodada de negociação que resultou na nova proposta, o sindicato informou que 74 unidades da instituição, entre agências e setores administrativos, chegaram a estar fechadas.

Um dos principais pontos de conflito desde o início da greve foi o Saúde Caixa. Os trabalhadores questionaram mudanças apresentadas anteriormente pela empresa para o custeio do plano, incluindo alterações nas contribuições dos titulares e dependentes, no teto de comprometimento da renda familiar e na coparticipação. A categoria também reagiu a um comunicado enviado pela Caixa no início da paralisação, interpretado pelos trabalhadores como uma ameaça de retirada de direitos. Em 13 de setembro, o banco recuou da medida e informou a suspensão das alterações, além de solicitar a reabertura das negociações com as entidades representativas. A nova rodada de negociação foi realizada poucos dias depois, resultando na proposta submetida à votação nesta segunda-feira.

Sérgio Cardoso/ Sindibancários

Banco do Brasil

Os trabalhadores do Banco do Brasil também tinham entrado em greve no último dia 10 de setembro, mas aprovaram a proposta de ACT apresentada pelo banco e retornaram às atividades na última segunda (14), enquanto a mobilização dos trabalhadores da Caixa prosseguiu. No caso da Caixa, com a rejeição da nova proposta nesta segunda-feira, o sindicato deve organizar a continuidade do movimento junto aos empregados. A plenária convocada pelo Sindibancários/ES para esta terça-feira (22) deve discutir justamente os próximos passos da greve após a decisão da categoria. A paralisação permanece por tempo indeterminado, enquanto a definição de uma nova rodada de negociações ou de outros encaminhamentos vai depender da continuidade das tratativas entre a representação dos trabalhadores e o banco.

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