Empregados vão votar na segunda-feira (21) se aceitam ou rejeitam acordo apresentado

A greve dos empregados da Caixa Econômica Federal continua ao menos até a próxima segunda-feira (21) no Estado, quando os trabalhadores votarão, em assembleia, a nova proposta apresentada pelo banco. Ao todo, 74 unidades da instituição, entre agências e setores administrativos, estão fechadas, segundo o Sindibancários/ES. A nova rodada de negociação foi realizada na quarta-feira (16) e avançou pela madrugada de quinta (17), quando a Caixa apresentou os novos termos.
A proposta apresentada agora é diferente dos termos rejeitados pelos empregados no início da greve. Em 11 de setembro, 90% dos bancários capixabas da Caixa que participaram da assembleia votaram contra o acordo então apresentado. Naquele momento, uma das principais críticas era justamente a mudança nas regras do Saúde Caixa, plano de assistência à saúde dos empregados.
O banco agora propõe ampliar, a partir de 2027, de 6,5% para 9% da folha de pagamento o limite de sua participação no custeio do plano. A proposta também mantém o chamado pacto intergeracional e o Saúde Caixa dentro do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). Para 2026, não haverá reajuste nas mensalidades e a Caixa deverá assumir o déficit do plano. A partir de 2027, porém, passam a valer novas regras de contribuição.
A nova negociação ocorreu depois de a Caixa suspender um comunicado enviado aos empregados no início da paralisação, que havia sido interpretado pelos trabalhadores como uma ameaça de retirada de direitos. No domingo (13), o banco informou a suspensão das medidas e a reabertura da mesa de negociação. Naquele momento, 66 agências estavam paralisadas no Espírito Santo.
Além da alteração no custeio, a proposta prevê a criação, em até 60 dias, de um grupo de trabalho para discutir mudanças na gestão do Saúde Caixa. A discussão deverá envolver governança, estrutura, prestação de contas e novas fontes de receita. A Caixa também se comprometeu a disponibilizar pelo menos um empregado em cada Gerência de Pessoas (Gipes) e Representação Regional de Pessoas (Repes) para atuar exclusivamente com questões relacionadas ao plano.
Desde as primeiras rodadas da campanha salarial, a representação dos empregados havia cobrado que a Caixa ampliasse sua participação no financiamento do plano e retirasse o limite de 6,5% da folha. Em uma das propostas anteriores, o banco chegou a apresentar regras que previam cobrança de acordo com a faixa etária dos usuários, o que foi rejeitado pela representação dos trabalhadores. Na nova proposta, segundo o sindicato, é mantido o modelo solidário, sem cobrança diferenciada por faixa etária.
A negociação também trouxe mudanças em mecanismos de avaliação e remuneração variável dos empregados. No chamado Super Caixa, a proposta prevê alterações nos critérios utilizados para calcular resultados individuais e da unidade, além de mudanças na premiação pela habilitação no programa.
Outro ponto discutido foi o atendimento híbrido, relacionado aos sistemas Figital e Genesys. Segundo a proposta divulgada pelo sindicato, não haverá penalização relacionada a esse indicador em 2026, e a Caixa deverá continuar avaliando o projeto antes de definir seu modelo para 2027.

A empresa também se comprometeu a discutir mudanças no trabalho remoto e no Plano de Funções Gratificadas (PFG) em grupos específicos de negociação. Para os empregados da área de Tecnologia da Informação, o estudo de um piso salarial específico foi incorporado, segundo o sindicato, a um trabalho que já vem sendo realizado pela consultoria Deloitte. Outro ponto da proposta é o pagamento de um prêmio extraordinário de R$ 3 mil por empregado, relacionado ao cumprimento do Índice de Eficiência Operacional (IEO) de 2026. De acordo com a proposta apresentada pelo banco, o índice já havia sido atingido em junho.
A Caixa também manteve os direitos já previstos nos acordos coletivos específicos e na Convenção Coletiva de Trabalho da categoria. Caso a nova proposta seja aprovada, o dia de paralisação realizado em 20 de agosto será abonado. Os demais dias úteis de greve deverão ser compensados no prazo de até 180 dias, conforme os termos apresentados.
Antes da votação, os empregados da Caixa participam nessa sexta-feira (18) de uma plenária virtual convocada pelo Sindibancários/ES para discutir a proposta e avaliar os próximos passos da mobilização. A votação, porém, será realizada somente na segunda-feira (21), em assembleia. A greve da Caixa começou no Estado no último dia 10 de setembro, após os empregados rejeitarem a proposta apresentada pelo banco durante a campanha salarial. No início do movimento, 54 agências capixabas estavam fechadas. A paralisação também ocorre em outros estados brasileiros.
A mobilização ganhou força nos dias seguintes e chegou a 66 agências paralisadas em 14 de setembro. Na quarta-feira (16), os bancários realizaram um ato em frente à agência da Praia do Canto, em Vitória, justamente no dia em que a Caixa retomou as negociações. Entre as principais reivindicações apresentadas pelos trabalhadores estava a mudança nas regras de custeio do Saúde Caixa. Com a apresentação da nova proposta, a paralisação não será encerrada imediatamente. Os trabalhadores continuarão em greve durante o fim de semana e somente na segunda-feira decidirão, por meio de assembleia, se aceitam ou rejeitam os termos apresentados pela Caixa.

