Maurício Leite: de aliado de Pazolini para anfitrião de evento eleitoral de Ferraço/Casagrande

De aliado do ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos) para anfitrião de evento eleitoral do governador Ricardo Ferraço (MDB) e do seu antecessor, Renato Casagrande (PSB), no maior colégio da Capital, Jardim Camburi. Assim se resume o atual contexto do vereador Maurício Leite (PRD) no tabuleiro político. Os sinais de mudança já eram emitidos há algum tempo, mas ganharam agora novos contornos, com atuação efetiva como cabo eleitoral. O evento, chamado “Encontro de Amigos”, realizado na segunda-feira (1), foi convocado por Maurício, que tem reduto no bairro, reunindo aliados e pré-candidatos do campo palaciano, puxados por Ferraço e Casão, candidatos ao governo e ao Senado. Nessa terça-feira (2), em discurso no plenário, o vereador adotou as “entrelinhas”. Citou “falácias” e “briga de direita e esquerda”; disse que nunca subiu na tribuna da Câmara para “discutir política partidária”; e que “sempre trabalhou mais para o centro” e “respeitando as diferenças”. Depois agradeceu aos participantes do evento e soltou mais frases como: “gosto de ir e ser recebido onde sou convidado” e “sempre me dediquei a saber receber quem me busca e abre os caminhos”. Também se referiu ao mandato passado, para dizer que esteve ao lado do ex-prefeito, “trabalhando pelo interesse público”, mas que também “sempre bateu nas portas do governo do Estado, porque nunca deixou de atender a comunidade Jardim Camburi e a cidade de Vitória”. A virada de Maurício tem outro ingrediente, a eleição de seu filho, Tercelino Leite, também presente ao encontro, para o comando da Associação Comunitária de Jardim Camburi (Acajac), em 2025. O pleito contou com a influência de muitos atores políticos interessados no potencial eleitoral do bairro, e Tercelino e Maurício receberam apoio Pazolini. Já neste ano, o vereador passou a ser visto nas movimentações do G16, grupo que se insurgiu no legislativo contra a tentativa de interferência do ex-prefeito nas eleições internas, culminando em seguida com o “abraço” definitivo ao bloco palaciano, principal grupo a ser liquidado por Pazolini. São as voltas e as nuvens da política…
Time
O palanque de Ricardo Ferraço reúne outros nomes do G16. Uns óbvios, pela situação partidária, como Aloísio Varejão, Bruno Malias e Pedro Trés, do PSB; André Brandino e Baiano do Salão, do Podemos; Camillo Neves (PP); e João Flávio (MDB). Outros nem tanto, como o próprio Maurício Leite, e Aylton Dadalto, que é do Republicanos de Pazolini, mas rompeu com seu grupo de origem.
Confetes
Por falar em Aylton e Camillo Neves, também nesta semana, o vereador do Republicanos exaltou o colega de plenário como cotado para ser vice de Ricardo. Embora a superfederação formada por PP e União tenha lugar de destaque no palanque, o nome ainda não aparece nas cotações de bastidores. A conferir!
Pose para foto
Ainda na Câmara, o vereador de Vitória Pedro Trés (PSB) voltou a falar em plenário, nessa quarta (3), do caso envolvendo Pazolini e a atividade realizada no Centro Municipal de Educação Infantil (Cmei) Zelia Vianna de Aguiar, em Santa Luiza. Ele exibiu foto do ex-prefeito sorridente ao lado do painel com os desenhos do seu próprio rosto, para provar que ele tinha pleno conhecimento do fato. Pazolini ainda era prefeito na ocasião.
Bate-rebate
Trés também informou que reuniu seis assinaturas para convocar a secretária de Educação, Juliana Roshner, e que deixou a última necessária para o presidente da Comissão de Educação, Leonardo Monjardim (Novo), que também é líder do Governo, já que ele defendeu, em sessão anterior, que a situação fosse investigada. Monjardim reagiu à provocação e tentou jogar luz, mais uma vez, em servidores da escola, tirando Pazolini do foco.
Só aumenta…
Junto com Pedro Trés, assinaram o documento os vereadores Ana Paula Rocha (PT), Bruno Malias, Camillo, Jocelino Junior (PT) e Karla Coser (PT). O vereador proponente do pedido defendeu que Juliana explique outra questão: a suspeição de uma possível promoção da professora que aplicou a atividade – o nome até agora não foi divulgado. Ela teria sido eleita diretora em uma escola distante. “Nós queremos saber se isso foi uma recompensa”, disparou.
Andanças
O feriado de Corpus Christi, nesta quinta-feira (4), movimentou logo cedo os candidatos ao governo do Estado. Ricardo Ferraço e Helder Salomão (PT) foram para Castelo, no sul do Estado, onde é realizada a tradicional festa religiosa dos tapetes. Já Pazolini foi para Marechal Floriano, na região serrana, para celebração que também marca a data.
Andanças II
Ao lado de Pazolini, inseparável, o candidato ao Senado, Casagrande. O mesmo fez Helder, em dupla com Fabiano Contarato (PT). No caso do ex-prefeito de Vitória, a candidatura segue indefinida, mas se mantém presente junto com ele nas agendas pelo interior, o deputado federal Evair de Melo (Republicanos).
‘Rota dos votos’
O ex-secretário estadual da Educação Vitor de Angelo (PSB) tem rodado municípios do interior para palestrar a servidores de pastas municipais também da Educação, com o tema “O papel do Gestor Escolar no Processo de Aprendizagem dos estudantes”. Ele chama de “rota da educação”, mas na verdade, é a “rota dos votos” para sua candidatura a deputado federal.
Nas redes
“A sabedoria popular cravou no tempo que em “Time que está ganhando, não se mexe” e Jardim Camburi entendeu a mensagem! (…) nós não podemos nos dar o luxo de apostar em projetos aventureiros, projeto de poder que olha mais pra dentro do que pra fora. No projeto de Ricardo, o diálogo é palavra-chave e o povo é quem protagoniza!”. Camillo Neves e a campanha em favor de Ricardo Ferraço.

