Deputado contra o STF; fogo amigo na direita; “filme” bolsonarista; Ricardo Ferraço ocupa espaço vago; e mais

Assumção sendo Assumção
O deputado estadual Capitão Assumção (PL) subiu ontem à tribuna da Assembleia Legislativa e, mais uma vez, fez um discurso inflamado contra o ministro do STF Alexandre de Moraes. Exibiu um vídeo, onde a cozinheira Raquel de Souza Lopes, de Santa Catarina, passa pela audiência de custódia em Minas Gerais e é direcionada para um presídio, para o cumprimento de sentença de 17 anos de prisão, determinada pelo ministro, por conta da participação nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 em Brasília. Até aí, um discurso coerente, dentro da linha adotada pela extrema-direita. A coisa desandou quando Assumção resolveu cobrar, em alto e bom tom, que parlamentares do partido dele no Congresso atuem efetivamente nessas questões.
Fogo amigo
“Por que vocês não estão falando sobre isso? Senadores, deputados federais do PL: vocês também têm o sangue sujo nas mãos, dessa covardia que Moraes está fazendo. Vocês estão com medo de Moraes?”, bradou. E foi além no fogo amigo. “Vocês foram eleitos para isso. Cambada de covardes! Denunciem na Câmara, denunciem no Senado, dia e noite. Quero ver se esse covarde do Moraes não cai. Mas vocês estão preocupados com seus votos. Está chegando as eleições e vocês estão se lixando pra quem está padecendo como a senhora Raquel. Agora chegou a hora de pedir voto, né?”, ironizou.
Direita dividida
O fato mostra bem como está o imbróglio da direita no Espírito Santo, principalmente dentro do PL, repetindo o que ocorre em âmbito nacional. É tiro, porrada e bomba de todos os lados. Assumpção atira pra cima e acerta o deputado federal Gilvan da Federal e o senador Magno Malta. Por aqui, o vereador de Vitória Armandinho Fontoura elogiou o governador Ricardo Ferraço (MDB), e teve que se retratar imediatamente após, levando uma descompostura pública de Gilvan.
Séries preteridas
Em nível nacional continua a disputa familiar pelo poder do clã Bolsonaro, com ações hollywoodianas, envolvendo filme com orçamento milionário, uma madrasta mal querida, um irmão em exílio voluntário que atravessa as possibilidades de paz, auxiliado por um amigo neto de ditador. Tudo isso atrapalha a tentativa do outro filho eleito pelo patriarca para sucedê-lo no comando e quiçá chegar à Presidência da República. Uma trama que deixaria os roteiristas de “House of Cards” e “Dinastia” com uma inveja necessária.
Espaço vago
Enquanto a extrema direita se digladia, os que se consideram mais ao centro ocupam o território carregando bandeiras duvidosas. O governador Ricardo Ferraço deu mostras claras de que não está preocupado em assumir posições mais radicais. Participou de um evento no fim de semana em um clube de tiro, acompanhado por representantes destros de primeira linhagem. Fez até tiro ao alvo. A ação surpreendeu, inclusive, seguidores da pré-candidatura de Lorenzo Pazolini (Republicanos), que acreditavam estar mais próximos de conquistar esse vácuo deixado pela ausência de definição do Partido Liberal. A indefinição do presidente do PL no Estado, o senador Magno Malta, deixa claro que o espaço do poder nunca fica vago.
Jogo jogado
Com toda essa confusão que está tomando conta da direita, quem sai no lucro é o único pré-candidato efetivamente de esquerda no Estado. Helder Salomão (PT), que vale lembrar foi eleito deputado federal com mais de 120 mil votos, a maior votação entre os eleitos, continua arrebanhando apoios, em andanças pelo Estado. A desarticulação da direita só traz benefícios para quem corre solto.

