“Time” de Ricardo Ferraço compareceu ao Café com Pólvora em clube de Vila Velha

O Clube de Tiro de Vila Velha (CTVV) promoveu no domingo (5) o Café com Pólvora, o “maior encontro armamentista do Espírito Santo”, segundo a organização. O evento, além de reunir Colecionadores, Atiradores Desportivos e Caçadores (CAC), também serviu de palanque pré-eleitoral. Só que as principais “estrelas” não foram políticos tradicionalmente identificados com a extrema direita, e sim integrantes do grupo governista no Estado.
A começar pelo governador Ricardo Ferraço (MDB), cada vez mais interessado em mostrar suas credenciais à direita. Nas redes sociais, ele destacou ter sido o primeiro governador a visitar o CTVV, e afirmou ainda que foi ao evento para compartilhar “ideias e posicionamentos” sobre “segurança, esporte e responsabilidade”. “Todo respeito ao trabalho de vocês. É sempre bom ouvir e dialogar olho no olho”, saudou Ricardo, que gravou vídeo treinando alguns tiros.
Outros que compareceram foram o prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (PSDB); o presidente da Assembleia Legislativa do Estado (Ales), Marcelo Santos (União); o deputado federal Messias Donato (União); e o deputado estadual Callegari (DC) – os dois últimos, bolsonaristas insuspeitos. Vale destacar ainda que Diego CTVV, instrutor do estabelecimento, é pré-candidato a deputado estadual pelo União Brasil. Em 2024, recebeu 565 votos para vereador de Vila Velha.
Callegari, em um vídeo gravado para se defender de supostos ataques por confraternizar com figuras governistas, disse que Ricardo Ferraço se manifestou no evento contra a “ideologia de gênero”, contra o aborto, a favor do porte de armas e a favor da anistia aos golpistas de 8 de janeiro de 2023.
Não ficou muito claro o objetivo exato do grupo governista na visita ao evento. Marcelo Santos afirmou, em nota, que recebeu convite de Diego e do proprietário do CTVV, Wallace Vial, e destacou que “a presença do presidente teve caráter institucional, como ocorre em agendas com diferentes segmentos da sociedade civil, com o objetivo de dialogar, ouvir demandas e acompanhar temas de interesse público debatidos no Estado”.
O fato é que, por convicção ou conveniência, Ricardo Ferraço tem feito movimentos cada vez mais à direita, avançando sobre o terreno dos principais adversários nas eleições, como ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos). Não à toa, deputados estaduais de oposição, como Capitão Assumção, Danilo Bahiense (ambos do PL) e o próprio Callegari (DC), tem adotado uma postura mais conciliatória com a gestão estadual.
Brigas no campo conservador
Por outro lado, boa parte da extrema direita continua querendo distância de Ricardo Ferraço e do grupo dele. O vereador de Vitória Leonardo Monjardim (Novo), líder do Governo na Câmara e pré-candidato a senador, afirmou na sessão desta segunda-feira (6) que foi ao encontro armamentista, mas deu meia-volta ao se surpreender com as autoridades presentes.
Já Dárcio Bracarense (PL), colega de Monjardim na Câmara, afirmou que ficou sabendo da presença do grupo governista antes do evento começar, e por isso não compareceu. Bracarense, que defende uma candidatura própria do PL para governador, opinou que “confusões” dentro do campo conservador estão abrindo caminho para captura de pautas da direita por figuras como Ricardo Ferraço.
Antes de Dárcio, Armandinho Fontoura (PL) subiu à tribuna da Câmara para fazer um mea-culpa sobre o seu elogio a Ricardo por conta da articulação da vinda da fábrica da GWM. Ele informou que tomou um “puxão de orelha gentil” do deputado federal Gilvan da Federal, presidente do Partido Liberal em Vitória, e reafirmou que segue o direcionamento da sigla. Fontoura disse ainda que deixaria a liderança do partido da Câmara, mas que nem ele nem Bracarense faziam questão da posição.
Entretanto, Dárcio discordou. Ele argumentou que a ausência de uma liderança para o PL na Casa “faz falta”, e criticou Gilvan da Federal, a quem classificou como “inabilitado” para exercer a Presidência do Partido Liberal em Vitória, tendo em vista que ele vive “entre Piúma [litoral sul] e Brasília”. Bracarense também se contrapôs ao elogio de Fontoura à vinda da GWM, pelo fato de ser uma empresa chinesa, e anunciou que presente entrar com uma ação civil pública contra a doação do terreno em Aracruz (norte do Estado) pela gestão estadual.
Ao que tudo indica, as disputas internas no campo da direita ainda vão render bastante nas próximas semanas.
Século Diário questionou o governador Ricardo Ferraço e o prefeito Arnaldinho Borgo sobre o motivo do comparecimento ao encontro armamentista, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.

