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Sábado, 08 Mai 2021

Ejaculação feminina, essa fantástica desconhecida

“Eu já tinha ouvido falar sobre ejaculação feminina, uma amiga me contou que teve, mas eu sempre achava que era uma coisa meio forçada, tipo filme pornô, e nunca pensei muito no assunto. Mas, há um tempo, estava me masturbando e quando cheguei ao orgasmo senti um jato de água na minha mão. Na hora achei estranho, que pudesse ser xixi, mas eu não estava com vontade de fazer xixi, e também não tinha cheiro de xixi. Fiquei ali naquele estado de êxtase e ao mesmo tempo de estranheza, por não saber o que era aquilo, e aí que fui lembrar dos relatos da amiga, e que era a ejaculação feminina!”.



“Eu percebi que aumentou muito após os 40 anos. E com um namorado em especial. Era um relacionamento de muita excitação, muita sedução, muitas fantasias, e eu jorrava. Toda vez que transava com ele, tinha que trocar o lençol. Pensava que era excitação natural do ato, mas ficava com um pouco de vergonha, porque achava que tinha xixi junto. Foi quando ele disse: ‘eu adoro sua cachoeira’ e fiquei mais tranquila”.



Os relatos são de duas capixabas, aqui identificadas como Luisa Albuquerque e Ana, respectivamente. Empresária e professora, aos 27 e 51 anos, ambas fazem parte de um grupo ainda seleto de mulheres que têm consciência sobre sua capacidade de ejacular durante o sexo, seja em masturbação ou com um parceiro. 



Toda mulher pode ejacular? É possível que sim, acreditam os também poucos estudiosos do assunto no Ocidente. No livro O Orgasmo Múltiplo da mulher, de 2008, os autores Mantak Chia e Rachel Carlton Abrams relatam que a ejaculação feminina foi documentada no Ocidente na década de 1950, mas só recentemente tem sido aceita como um fenômeno concreto na imprensa leiga. Nas tradições orientais, no entanto, ela é conhecida há milênios. 



“Há vários milhares de anos, Su Nu, conselheira sexual do Imperador Amarelo, comentava a importância das ‘três águas’ das mulheres e descrevia as ‘emissões copiosas’ do coração íntimo (sinônimo da área da vagina) de uma mulher, durante a excitação sexual”, informam Mantak e Rachel, citando ainda que “o primeiro livro popular sobre o ponto G e a ejaculação feminina” teria sido publicado na América em 1982, por Alice Ladas, Berverly Whipple e John Perry. Em sua pesquisa, o trio entrevistou anonimamente 1.183 mulheres profissionais liberais nos Estados Unidos e no Canadá. Delas, 40% informaram soltar um fluido no momento do orgasmo. 



Segundo Mantak e Rachel, a ejaculação feminina pode variar de apenas algumas gotas ao suficiente para encharcar os lençóis. “Algumas mulheres ejaculam em um jorro impressionante enquanto outras (provavelmente a maioria) gotejam um fluido, que é mais frequentemente identificado como ‘mancha úmida”, descrevem. “Você talvez já ejacule e sequer saiba disso”, provocam. 



Antes de décadas recentes, afirmam, “muitas ejaculadoras se preocupavam com o fato de que pudessem estar urinando com o ato sexual. Infelizmente, algumas delas até sofreram correção cirúrgica do que foi equivocadamente interpretado pelos seus médicos como incontinência urinária”, lamentam. 



A análise do conteúdo do fluido, porém, feita por Ladas, Perry e Whipple, assim como várias outras equipes de pesquisa, revelou que o sêmen feminino é bem diferente da urina. “O sêmen feminino tem um teor muito mais alto de açúcar do que urina. Tem também uma concentração muito mais baixa dos produtos residuais que fazem a urina cheirar, digamos, como urina – ureia e creatinina”, explicam. 



Sexo é vida



A psicóloga Claudia Calil, adepta da Medicina Psicossomática e da Neurociência, entende que o baixo conhecimento sobre o assunto no Novo Mundo acontece “diante de tanto machismo”, em que “a mulher cala o corpo não se permitindo prazer diante da vida e até mesmo o prazer de ser mulher”. 



“Assim são as relações ‘frígidas”, adverte Claudia. “Quando a mulher não é convidada a se conhecer, quem irá conhecer o próprio corpo da mulher, quais são os toques? Como ela gosta e deseja ser abraçada e tocada?”, incita.  



O atual machismo, explana, permite apenas ao homem o direito ao gozo. “O homem passa a ser o dominante, ativo, enquanto a mulher é apenas uma figurante passiva que sente o prazer por ser dominada por este homem que detém tudo, prazer, vigor e energia”, compara. 



Uma solução para equilibrar a desigual distribuição da “permissão para sentir prazer”, acredita a psicóloga, passa pela educação sexual. “A educação sexual deve ensinar que a energia sexual é a energia de vida e não deve ser banalizada, negligenciada ou punida”, ressalta. “Sexo não é pornografia. Sexo é uma ponte para conexão com outro indivíduo. A energia sexual é a força de vida e pode ir para o sexo, que é o ato propriamente dito, ou para a criatividade”, orienta.



Num mundo onde metade dos homens sofre com ejaculação precoce e a maioria das mulheres sequer conhece a existência da ejaculação feminina, é preciso mesmo rever profundamente o que se entende por sexo e revelar muitos dos mistérios sobre a anatomia do prazer feminino. Para o bem de homens e mulheres! Pois enquanto quase todas as filosofias espirituais milenares do Oriente enfatizam os benefícios da não-ejaculação masculina, a visão ocidental, centrada no falo masculino, impinge sofrimento também ao homem, que vai pro ato sexual preocupado principalmente em ejacular, fazendo com que o ato sexual praticamente só possa se considerar de fato consumado se ocorre a ejaculação masculina. 



Água sagrada



“A mãe terra, que é feminina, tem seus mistérios e segredos”, lembra Claudia. A mulher tem o seu gozo que se faz necessário para encher as águas do planeta”, poetiza, fazendo referência ao documentário Sacred Water, do cineasta francês Olivier Jourdain.



Lançado em 2016, o filme se passa em Ruanda, na África Oriental, onde a cultura popular cultiva o conhecimento milenar das técnicas que levam a mulher a ejacular e, assim, conservar vivas as águas do planeta. 



Em sua coluna, a jornalista Nathalia Ziemkiewicz, especialista em educação sexual, comenta o documentário. “Tudo começa com as preliminares, vocês conversam, se acariciam, se sentem à vontade, não têm pressa”, publicou Nathalia, transcrevendo a fala de um ruandês documentado na obra de Olivier. 



Uma das sequências descritas no filme, aborda a colunista, consiste no homem segurar o pênis ereto e utilizar apenas a ponta do órgão para estímulos externos, dando leves batidinhas por toda a vulva, massageando os lábios vaginais, o clitóris e o períneo de diferentes formas – círculos, zigue-zague, de cima para baixo.



Depois é que se parte para a estimulação interna, penetrando lentamente e, ainda segurando o pênis com as mãos, alternando os movimentos dentro do canal vaginal. “No primeiro terço da vagina (em média a três centímetros de profundidade), as paredes são mais sensíveis. Ali vale friccionar bem a glande em vários sentidos e ritmos. A intensidade do vai e vem aumenta à medida que ela fica excitada ou pede”, relata a jornalista, já fazendo menção à técnica ruandesa Kunyaza, voltada a favorecer o jorrar das águas femininas sagradas. 



“A sensação é de uma água morna escorrendo. Antes, durante e depois da penetração. É preciso que haja longas preliminares, masturbação com dedo e língua”, ensina a professora Ana, personagem do início desta matéria. “Quem teve paciência pra fazer isso, ganhou minha cachoeira de presente”, diverte-se. 



“Ri muito de mim mesma”, conta a empresária Luisa. “Achava que me conhecia, mas na verdade, estamos sempre nos conhecendo, e quando se fala das potências do orgasmo da mulher, tem sempre muito para se conhecer, experimentar, se permitir e descobrir!”, consagra.

Burarama, a queridinha do cinema capixaba

Bucólico é uma boa palavra para descrever Burarama. Distrito de Cachoeiro de Itapemirim, o local traz aquele ar de interior, com uma população tranquila e receptiva, uma praça, bares, casas antigas e um entorno próximo de uma floresta e com montanhas, com destaque para a Pedra da Ema, símbolo do local, por conta de uma sombra formar a imagem do animal no meio do rocha.

Atravessou o samba

‘Lutas pela Reforma Agrária e igualdade de gênero têm que ser concomitantes’

O I Encontro Nacional de Mulheres Sem Terra acontece entre os dias 5 e 9 de março em Brasília e representa a culminância de um longo processo de conquista de espaço, voz e decisão femininas dentro do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), uma das mais importantes organizações sociais do país. 



Não que o MST seja mais ou menos feminista ou machista que outras entidades ou a sociedade brasileira como um todo. O que está em pauta no I Encontro é como essa polarização se reflete na luta pela justiça fundiária no Brasil. 



Para Eliandra Rosa Fernandes, dirigente nacional do MST pelo Espírito Santo, está claro que as duas lutas são sincrônicas. “Nós não vamos fazer primeiro a reforma agrária pra depois fazer a luta pela igualdade de gênero. Tem que ser concomitante”, assevera. 



Ao longo da história do Movimento, recorda, as mulheres sempre foram e são “as primeiras a ir pro front contra a polícia e pistoleiros, a iniciar a ocupação. Depois de assentadas, ficavam em casa, não participavam das assembleias, das decisões sobre crédito, sobre o que plantar. Hoje, não! Esse debate vem junto”, testemunha. 



No início do Movimento, há 35 anos, era muito comum mulheres sem documentos, sem carteira e trabalho ou de identidade, e que não constavam nos contratos de comodato da terra. “Em caso de separação a terra ficava com os homens. Hoje, não!”, exemplifica, falando ainda do trabalho junto ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), para que o primeiro nome no contrato seja o da mulher. 



Houve, constata Eliandra, uma considerável “elevação do nível de consciência das companheiras, que aprenderam a falar em público, a fazer um ‘debate de igual pra igual’ em espaços de direção”. “Hoje, há muitas mulheres fazendo viagens internacionais, representando o MST no mundo”, comemora.



Com isso, ganha em qualidade não só a vidas mulheres, mas todo o Movimento. “Crianças, juventude, agroecologia ... as mulheres são as principais a defender a agroecologia, a diversificação da produção. Esse olhar da produção de subsistência, do quintal, da saúde alternativa, é muito feminino e a gente consegue trazer esses temas pro diálogo com a sociedade”, observa. 



São questões que compõem todo do movimento e toda a sociedade, não apenas o universo das mulheres sem terra. “A ocupação da terra é o nosso principal instrumento de luta, mas há várias outras coisas que compõem o movimento, ligado à proposta da reforma agrária popular, e que é importante que toda a sociedade compreenda, porque é uma luta de todas. É a partir da reforma agrária que você produz alimentos saudável, preserva o meio ambiente, a educação de qualidade”, explica.



Estopim 



O ano de 2000 foi um marco da trajetória de conquista de espaço. Foi quando surgiu o Setor de Gênero no MST, o qual Eliandra foi coordenadora. Seis anos depois, outro marco, com o protesto das mulheres sem terra do Rio Grande do Sul contra os monocultivos de eucalipto, em que promoveram um grande ato no viveiro da então Aracruz Celulose (hoje Suzano), com grande repercussão na mídia nacional. 



“Foi o estopim pra que todas as mulheres do MST, nos diversos estados, também fizessem lutas contra o capital”, explica, citando outro ato contra a Aracruz Celulose, desta vez no Espírito Santo, no porto da empresa,, em Barra do Riacho, Aracruz, norte do Estado, junto com mulheres da Via Campesina da região sudeste. 



A conjuntura política brasileira atual coloca um novo desafio para os movimentos sociais e as mulheres. “Um governo extremamente machista, fascista, homofóbico. Momento muito perigoso, em que até pra fazer lutas e mobilizações é preciso ter muito mais cuidado. Um governo que manda matar, que libera a polícia pra matar. Essas coisas se colocam com muito mais responsabilidade pra nós do MST. A gente se compromete mais ainda na organização das mulheres pra enfrentar esse momento”, contextualiza. 



Caravana capixaba



Moradora do Assentamento Vale da Vitória, em Nestor Gomes/São Mateus, no norte do Estado, Eliandra ressalta o “feminismo camponês e popular” como parte indissociável da luta pela terra. “O patriarcado é uma das bases que fortalece o capitalismo”, expõe. Ou, nas palavras do grito de luta do I Encontro Nacional, “sem feminismo não há socialismo”. 



A caravana capixaba para Brasília no início de março deve ser formada por dois ônibus, com mulheres de diversos assentamentos e acampamentos. Uma nova investida da Suzano, que reativou pedidos judiciais de reintegração de posse contra seis acampamentos do MST, deixa em alerta o movimento no Espírito Santo. Mas a disposição é de não arrefecer, ao contrário!



A identidade capixaba no Encontro, conta Eliandra, vai se expressar pelos produtos da marca Terra de Sabores, que caracteriza pela produção feitas nos assentamentos do MST no Estado, como geleias, licores, cafés. Também pelas técnicas alternativas de saúde da assentada Sanuza Motta e seus fitoterápicos, ervas, massagens, heiki. Além de manifestações artísticas e gastronomia. 



“Estamos todas despertas!”



O 1º Encontro Nacional das Mulheres Sem Terra deve reunir três mil mulheres, vindas dos 24 estados onde há coordenações do MST, além de aproximadamente 500 convidadas. Na cartilha com orientações políticas e práticas para a organização do evento, as organizadoras afirmam que “há 35 anos, realizam a luta pela Terra, por Reforma Agrária e por Transformação Social”. 



“Seguimos firmes na construção do MST, fazendo o enfrentamento às cercas do latifúndio, do patriarcado, do racismo e pautando este debate com o conjunto da organização”, relatam. 



Diante disso, salientam, todos os debates, análises e espaços políticos e culturais do Encontro estarão permeados pelo que o MST tem definido politicamente no último período: lutar contra a violência do capital sobre nossos corpos e territórios; lutar contra a reprodução do capital no campo, o agronegócio, o hidronegócio e o mineronegócio; compreender, aprofundar e consolidar o debate do Feminismo Camponês e Popular na construção da Reforma Agrária Popular; nos colocarmos em movimento para a construção e consolidação da Jornada Nacional do Trabalho de Base, por meio da formação política da militância, da confraternização e do intercâmbio cultural das diferentes regiões do país; avançar na compreensão e elaboração sobre o patriarcado e o racismo como elementos estruturantes do capitalismo; seguir construindo nosso projeto de Reforma Agrária Popular, que implica em outras relações com a natureza e entre os seres humanos, produzindo alimentos saudáveis, através da agroecologia; reafirmar a importância da participação da Juventude, das Mulheres, Negras e Negros, LGBT na construção da Reforma Agrária Popular e no enfrentamento a todas formas de violência; manter vivo o princípio e valores humanistas e socialistas, entre nós e com os povos em lutas e resistência.



“Estamos todas despertas!”, afirmam. 

Fabio Pinel mostra seu dom de cantar

Foto: Italo Spagnol

Ana Martins Marques e suas influências

A poesia de Ana Martins Marques tem como tema principal o trabalho de representação das coisas, sua figuração, um modo de redesenhar poeticamente objetos e coisas que aparentemente estão tomadas em si mesmas como suficientes, acabadas, contidas num mundo objetivo bem resolvido, e que na poesia de Ana ganha contornos novos de uma percepção aguçada e sensível aos sinais.

‘Fechar escolas do campo é arbitrariedade’, avalia Comitê de Educação do Campo

“Esse Levantamento não pode ser tomado como argumento para justificar o fechamento de escolas do campo no Espírito Santo”. A afirmação, categórica, é do Comitê de Educação do Campo do Espírito Santo (Comeces), em um documento com “anotações sobre o relatório do Tribunal de Contas”, relatório este que tem sido utilizado por várias prefeituras capixabas como justificativa para fechar pequenas escolas do campo. 



“Hora nenhuma o relatório fala em fechar escolas do campo. Ele fala da necessidade de organização, de cada município, com suas particularidades e demandas especificas, pensar conjuntamente com o Estado as soluções pra melhor atender as comunidades”, enfatiza Carminha Paolielo, uma das autoras do estudo do Comeces. Usar esse relatório do Tribunal de Contas como argumento pra fechar escolas do campo, enfatiza a educadora, é “praticamente uma arbitrariedade”.



“Eles [o Tribunal de Contas] fizeram um plano e mediram a distância entre uma escola e outra, mas reconhecem que isso é limitado, porque as escolas não são assim, não retrata as condições de estrada, subidas e descidas, desvios. Eles dizem que os dados não são completos, precisariam ser mais detalhados. Se o próprio Tribunal reconhece isso, por que os municípios não reconhecem?”, inquire. 



O relatório do TCE-ES foi feito por meio da Secretaria de Controle Externo de Educação e Segurança Pública (SECEXSES). Trata-se de um levantamento que atende à fiscalização prevista no Plano Anual da instituição, visando “levantar e analisar oferta e demanda por vagas nas redes públicas estadual e municipais de ensino, considerando os níveis, etapas e modalidades da educação básica, sua distribuição nos estabelecimentos de ensino, quantitativo de profissionais e as evoluções nos indicadores pertinentes”.



Os casos de escolas concorrentes, assim denominadas aquelas que se encontram numa distância igual ou inferior a três quilômetros, devem ser estudadas caso a caso, enfatiza o estudo do Comitê Estadual, “pois o que importa é a distância entre as residências e as escolas e não entre as escolas. Menos ainda se essa distância é medida em linha reta”, acentuam os autores. 



O Comeces aponta das principais lacunas do levantamento, algumas delas mencionadas pelo próprio TCE-ES. A primeira é o fato dos dados referentes aos anos de 2015 a 2018 terem sido extraídos do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas em Educação Anísio Teixeira (INEP) e, portanto, provenientes de fonte oficial. “No entanto, os dados de 2019, obtidos por meio do questionário enviado aos jurisdicionados, são auto declaratórios, não tendo sido validados”, adverte o Comitê. 



Outras fragilidades identificadas: não foi analisada, nem considerada nas análises, a infraestrutura das escolas; não fizeram parte da análise informações relativas ao quantitativo de profissionais do magistério e sua distribuição dentro da rede; não foi considerado na análise as rotas de transporte escolar nem especificidades, tais como relevo, geografia, clima e urbanização, e, por tal razão, as distâncias utilizadas nas análises se referem à distância em linha reta, e não à distância viária; não foram analisados os motivos porque algumas escolas são preteridas pelos alunos, realidade apontada durante reuniões prévias com algumas secretarias municipais de educação; foram consideradas apenas o número de matrículas das escolas, excluindo-se dados sobre a demanda manifesta e a busca ativa. 



Escolas multisseriadas



“A escola multisseriada é uma alternativa fantástica pra educação do campo”, ressalta a educadora. “Ela pode ser um caos ou não, depende de investimento, organização”, esclarece Carminha. “Não se pode simplesmente fechar uma escola e colocar as crianças no transporte, porque se sabe as dificuldades de acesso e riscos de vida que as crianças correm nas estradas. O fechamento de uma escola do campo não pode ser assim, sem sequer seguir as resoluções do Ministério da Educação que regulamentam isso”, assevera a educadora. 



A análise do Comeces está sendo compartilhada com educadores de todo o Estado, especialmente os que atuam em municípios onde as prefeituras têm fechado escolas dizendo-se orientas pelo Tribunal de Contas. Exemplos são Pancas, no centro-oeste capixaba, Santa Teresa, na região central-serrana, e Cariacica, na Grande Vitória. 



Em Pancas, relatam educadores locais, nos últimos três anos, foram fechadas mais de 40 escolas. Os últimos casos, detalham, foram escolas de bairros para crianças de seis a nove anos, que “terão que se deslocar a pé para fora de suas comunidades para um prédio super lotado e sem estrutura de segurança física, nesse último sem nenhum diálogo ou escuta dos pais e professores”.



Há ainda duas escolas do Córrego Paranazinho, em que “as crianças vão sair da comunidade, atravessar a cidade para estudar em uma escola de outra região sem nenhuma consulta aos pais”. Em outras duas, as crianças foram transferidas para “o prédio da antiga secretaria de educação, ao lado da matriz, no centro, mais de 300 crianças de seis a nove anos. Sem grades nas salas e sem nenhuma estrutura adequada e de segurança”.



“Reiteramos aqui nosso apoio às comunidades, na luta contra o fechamento de escolas, pela garantia do direito à Educação do Campo, inclusive na Modalidade da Educação de Jovens e Adultos (EJA)”, solidarizam-se os autores e integrantes do Comeces.

 

Dois carnavais, ou muitos

É carnaval e estão sozinhos, cada qual ruminando suas saudades

TJES adia julgamento de ação que aumenta piso salarial de professor em Vitória

O julgamento da ação da Prefeitura de Vitória para anular a fixação do piso salarial dos professores da rede municipal em 50% acima do valor nacional da categoria, que seria nessa quinta-feira (20), foi adiado pelo desembargador do Tribunal de Justiça, Sérgio Bizzotto, que acatou o pedido do vereador Roberto Martins (PTB), autor do projeto. Um novo julgamento é esperado para logo depois do feriado de Carnaval. 



Roberto Martins pediu adiamento do julgamento por considerar que os desembargadores responsáveis pela análise da ação ainda não tiveram tempo de apreciar a manifestação por escrito dele e também dos Professores Associados pela Democracia (PAD/Vix). O projeto foi aprovado na Câmara de Vereadores em novembro de 2019 e contestado pelo prefeito Luciano Rezende (Cidadania). 



Pela proposta de Emenda à Lei Orgânica nº 1/2019, os 4.732 professores que compõem a rede de educação de Vitória receberão um salário de R$ 3,8 mil por 40 horas semanais de trabalho. Aprovada por unanimidade, com o apoio inicial dos vereadores Luiz Paulo Amorim (PV), Cleber Felix (PP), Sandro Parrini (PDT) e Neuzinha de Oliveira (PSDB), aumentou o piso salarial dos servidores do magistério para 50% maior que o piso nacional, que atualmente é de R$ 2,5 mil/40h.



Os Professores Associados pela Democracia (PAD/Vix) contestam o prefeito: “Mais uma vez, Luciano Rezende demonstra seu descompromisso com a educação de Vitória. Após aprovação na Câmara Municipal de um projeto de lei que altera a Lei Orgânica do Município valorizando o piso do magistério em 50% acima do piso nacional, o representante máximo do poder executivo municipal impetrou uma Adin [Ação Direta de Inconstitucionalidade] contra a emenda da lei orgânica que garantiria uma maior valorização aos professores/as”.



Em mensagem nas dedes sociais, a entidade denuncia: “Se não bastasse a não reposição da totalidade das perdas inflacionárias, aproximadamente 27%, acumuladas nessa gestão, o prefeito inviabiliza uma possibilidade de ampliação da qualidade da educação de Vitória. E, sobretudo, deprecia seus professores, impedindo-os de possuírem um salário mais compatível com a qualidade do trabalho oferecido à sociedade capixaba”. 

 

Poetisa popular ganha homenagem nos muros da Serra

Foi escrevendo poesias ainda criança que Angelina Francisca dos Reis conseguiu se alfabetizar. Apesar de sua escolarização ir apenas até a 5ª série do Ensino Fundamental, ela é uma trovadora da vida, poetisa popular, construindo seus versos que já viraram livros. Natural de Aimorés, em Minas Gerais, onde nasceu em 1936, ela veio ao Espírito Santo em 1966, inicialmente morando no Bairro da Penha e hoje em Feu Rosa, na Serra. Mulher negra, ativista das causas sociais, é referência para muitos, e teve sua história registrada em graffiti e em vídeo no qual conta sua história enquanto é mostrado o making of da pintura do painel, elaborada coletivamente por Starley, Keka, Moris e Dentin, integrantes da FG Crew. As atividades fazem parte do projeto HistoriArte, que desde 2014 usa o graffiti para contar histórias de pessoas importantes, sobretudo para as comunidades periféricas. Na última temporada, além de Angelina, foi homenageado o DJ Jerê, também de Feu Rosa, que em breve terá um vídeo com entrevista divulgado. Foto: FG Crew

Estado cria ‘Comissão do Caso Iases’ para investigar assédio institucional

As diversas denúncias de assédio institucional por parte da direção do Instituto de Atendimento Socioeducativo do Espírito Santo (Iases), principalmente contra as mulheres, serão investigados pela Comissão Temporária Especial do Caso Iases, instituída por meio da Resolução nº 2/2020 do Conselho Estadual de Defesa dos Diretos da Mulher do Espírito Santo (Cedimes), vinculado à Secretaria de Estado de Direitos Humanos (SEDH).



A resolução foi publicada no Diário Oficial dessa quinta-feira (20), um dia após um ato de protesto em frente ao Palácio da Fonte Grande, no Centro de Vitória, em que servidores do Iases e membros do Sindicato dos Trabalhadores e Servidores Públicos do Estado (Sindipúblicos/ES), mais uma vez, denunciaram os casos de perseguições, coações e ameaças praticadas diariamente dentro da Instituição, e que têm causado diversos transtornos e até adoecimento de muitos servidores. 



Os manifestantes foram recebidos pela secretária de Direitos Humanos, Nara Borgo, que, segundo relata o sindicato, garantiu que irá intermediar uma solução junto à diretoria do Iases, em conjunto com os conselhos regionais de Serviço Social e de Psicologia (CRESS e CRP, respectivamente).



“Precisamos que o Iases respeite seus profissionais. É inadmissível que a direção de uma autarquia pratique atos que venham a prejudicar tanto os servidores quanto os seus assistidos. Esperamos que durante a reunião possamos sair com um consenso de resolutividade para garantir o que é o desejo de todos, um ambiente seguro e saudável para a realização da socioeducação”, comentou o presidente do Sindipúblicos, Tadeu Guerzet. 



No início do mês, o Sindipúblicos realizou uma assembleia geral extraordinária para tratar das denúncias de assédio institucional. “O diretor-presidente do Iases [Bruno Pereira Nascimento] tem feito um mandato autoritário, com uma série de nomeações, licitações e compras que a gente desconfia”, disse, na ocasião, o presidente do Sindipúblicos/ES, citando processos seletivos em que os resultados dos aprovados não são divulgados, além de contratação de empresas cujos serviços podem ser feitos por servidores efetivos do órgão. 



Outro caso destacado por Tadeu foi a retirada de dois servidores efetivos que atuavam no setor de formação de agentes do Instituto e os transferiu para a Unidade de Internação Provisória (Unip) I, na sede de Cariacica. 



“A gente sabe que esses servidores são contra a contratação de empresas terceirizadas para realizar formação de agentes. Eles diziam que a equipe técnica própria era capaz de formular e aplicar as formações, não precisava de contratação de terceirizados, gastar dinheiro público sem necessidade. Ele [Bruno Pereira Nascimento] tem feito muito isso, retaliar servidores dentro do Iases”, denuncia.



A Resolução do Cedimes é assinada por sua presidente, Juliane de Araújo Barroso, e estabelece as seguintes entidades e organizações como integrantes da Comissão Especial do Caso Iases: secretarias de Estado de Direitos Humanos e Justiça (SEDH e Sejus) e Superintendência Estadual de Comunicação Social (Secom) – pelo poder público; e Fórum de Mulheres do Espírito Santo (Fomes), Associação Brasileira das Mulheres de Carreira Jurídica (ABMCJ), Santa Sapataria, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e Conselho Regional de Contabilidade (CRC) – pela sociedade civil. 

 

Produtivos e organizados, acampamentos temem reintegração a favor da Suzano

“Estamos reconstruindo as comunidades destruídas pelo eucalipto. Além de fazer a terra cumprir sua função social, na geração de alimento e de emprego, estamos reconstruindo as comunidades impactadas pelo eucalipto. Córrego Bom Jesus, em Aracruz. Em volta dessa igreja (imagens abaixo) era tudo eucalipto, hoje é alimento e seres humanos”. 

Confira a agenda dos blocos de Carnaval na Grande Vitória

PÓS-CARNAVAL

Reciclafolia já aproveitou mais de 50 toneladas de fantasias no carnaval

Quando os desfiles de Carnaval terminavam, o entorno do Sambão do Povo se enchia de restos de fantasias dos foliões, que podiam inclusive ir longe e chegar à baía de Vitória pela foz do RIo Santa Maria, que passa ao lado do sambódromo.

‘Bloco dos voluntários’ faz mutirão de Carnaval no Parque Nacional do Caparaó

Fotos: Cecilia Nakao



Senso de pertencimento na prática. No Caparaó Capixaba, uma comunidade que abraça seu parque nacional mostra que, nos momentos mais difíceis, são os moradores e empreendedores do entorno que arregaçam as mangas e financiam as mudanças possíveis. 



Sem orçamento federal por parte do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e Ministério do Meio Ambiente (MMA), vários comércios de Pedra Menina e arredores e os mais diversos Amigos do Parque Caparaó, como eles passaram a se chamar, têm se unido para tirar pedras e troncos caídos após as enchentes de janeiro, para recuperar os bloquetes que foram parar no rio e reformar a estrada da portaria capixaba do Parna. Tudo com total apoio e coordenação da equipe local do Parna. “A equipe daqui tem se desdobrado para apoiar nosso trabalho”, observa Cecilia Nakao, uma das integrantes do Amigos do Parque.



Neste sábado de carnaval, a turma pegará no pesado de novo. “É o bloco dos voluntários”, brinca Cecilia, reproduzindo a brincadeira feita para animar ainda mais os voluntários. 



A intenção é manter os mutirões semanais aos sábados, até que essa parte do trabalho seja concluída. “Temos recebido muitas doações de materiais de construção e outras lojas da região”, conta. 







O grupo inicial conta com dez pessoas e continua aberto para novos integrantes, que podem fazer inscrição pelo e-mail do Circuito Caparaó Capixaba: [email protected]. Os participantes assinam termo de responsabilidade com o ICMBio, recebendo instruções técnicas e material de trabalho. 



Muito mais do que o Pico



O Circuito é formado por cerca de trinta empreendimentos turísticos do entorno direto e indireto do Parque no lado do Espírito Santo, nos municípios de Dores do Rio Preto, Divino de São Lourenço, Ibitirama e Guaçuí. 



Por enquanto, a portaria de Pedra Menina continua fechada, mas será reaberta à visitação assim que o primeiro quilômetro da estrada esteja transitável com segurança ao menos para pedestres. Já o acesso capixaba ao Pico da Bandeira ainda está sem data para reabrir, visto que até o último acampamento, da Casa Queimada, as obras exigem máquinas pesadas, que somente o governo federal, a princípio, pode custear. 



Em paralelo, o Circuito Caparaó Capixaba intensificará sua campanha permanente de divulgação dos inúmeros atrativos turísticos do Parque e do entorno capixaba do Parque, com diversas cachoeiras, mirantes, propriedades rurais e trilhas no coração da Mata Atlântica. 



“O Caparaó é muito mais do que o Pico da Bandeira. O turismo em unidade de conservação pode ser muito melhor aproveitado aqui e é o que estamos construindo aqui “, testemunha Cecilia. 

 

Corregedoria arquiva processo do Capitão Assumção por incitação ao crime 

Arquivamento. Esse foi o desfecho do processo aberto na Corregedoria-Geral da Assembleia Legislativa para apurar quebra de decoro e incitação ao crime do deputado Capitão Assumção (PSL), que em setembro de 2019 ofereceu uma recompensa de R$ 10 mil a quem matasse o assassino de uma jovem em Cariacica, em discurso pronunciado no plenário do Legislativo.  

Delegada da Polícia Civil vai disputar a Prefeitura da Serra

A delegada Gracimeri Gaviorno, que foi chefe da Polícia Civil do Estado entre os anos de 2015 e 2016, vai concorrer à Prefeitura da Serra nas eleições de outubro próximo pelo Partido Social Cristão (PSC). A filiação ocorrerá no dia 4 de março, com a participação de representantes do RenovaBR, movimento de centro-direita criado para estimular novas lideranças políticas alinhadas com o neoliberalismo. 



A cerimônia será no plenário da Câmara da Serra, às 19 horas, segundo o presidente do Diretório do PSC, o vereador Ailton Rodrigues. Ele explica que a delegada é um nome preparado para realizar uma administração de qualidade e que quer inovar numa gestão transparente, participativa e com foco na segurança pública e na superação de desafios sociais, como o desemprego.



O presidente estadual do PSC, o ex-deputado e vereador por Vila Velha Reginaldo Almeida, elogia a decisão da delegada Gracimeri. “A pré-candidatura mostra que o PSC está cada vez mais estruturado, apostando em novos e bons nomes para apresentar não só à população da Serra, como em vários municípios do Estado".



Gracimeri é delegada de Polícia Civil há 21 anos e disputa sua primeira eleição. “Vou trabalhar para ser a primeira mulher no comando da Prefeitura da Serra, levando minha experiência de gestão pública para a cidade, me dedicando ao fortalecimento da guarda municipal, à redução da violência e buscando ações inovadoras para incentivar o empreendedorismo, trabalhando para a redução do desemprego”, ressalta. 



A delegada é professora de formação e qualificação policial. É graduada em Direito pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), onde também se especializou em Segurança Pública e em Processo Civil. É mestre em Direitos e Garantias Fundamentais pela FDV/ES e doutora em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidad del Museo Social Argentino (UMSA/Argentina).



Foi superintendente de Polícia Técnico-Científica (2013-2015) e chefe de Polícia Civil do Espírito Santo (2015-2016), subsecretária de Integração Institucional da Secretaria de Estado da Segurança Pública/ES (2016-2018) e subsecretária de Cidadania e Inclusão Social da Secretaria Estadual de Direitos Humanos (2018). Atualmente é Ouvidora Geral da Segurança Pública e Defesa Social no Espírito Santo.

 

Dr. Hércules é inocentado na Justiça por dívida de campanha eleitoral

Depois de vários adiamentos, o Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) julgou por unanimidade não haver responsabilidade do deputado estadual Hércules Silveira, o Dr. Hércules (MDB), em ação de cobrança relativa à campanha eleitoral de 2008. Esse era o último questionamento judicial ainda em tramitação sobre o pleito.



O acórdão da Terceira Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Espírito Santo, publicado no Diário da Justiça desta sexta-feira (21), representa mais um passo na campanha do deputado para concorrer à Prefeitura de Vila Velha nas eleições municipais de outubro. Dr. Hércules conta com o apoio das principais lideranças do seu partido e trabalha uma aliança com o Republicanos, liderado no Estado pelo presidente da Assembleia Legislativa, Erick Musso, e o deputado federal Amaro Neto. 



Suspenso no final de março de 2018, após pedido de vistas do desembargador substituto Raimundo Siqueira Pereira, o processo foi retomado com a negação do recurso apresentado pelo deputado, que já havia sido condenado em primeira instância por uma dívida referente à contratação de um veículo “piruinha”, com valor inicial de R$ 16 mil.



No primeiro julgamento, os réus foram condenados ao pagamento solidário de R$ 6 mil cada e entraram com recurso contra a acusação, formalizada por Domingos Pascoal Fraga e seu advogado Wagner Izoton Rocha, proprietário de um veículo utilizado na campanha eleitoral.



 A dívida inicial de R$ 25 mil foi amortizada por meio de um cheque de R$ 16,5 mil, devolvido por falta de fundos. De acordo com a sentença em primeira instância, proferida pelo juiz Cleanto Siqueira, o pagamento deverá ser acrescido de juros e correção monetária calculados desde novembro de 2008.



Nas alegações no processo, os réus justificam que a contratação foi feita pelo Comitê Financeiro da campanha, livrando de responsabilidade os diretórios estadual e municipal do partido e, igualmente, o deputado Hércules Silveira, então candidato a prefeito de Vila Velha.

 

Linhares receberá sua 1° Feira de Produtos da Reforma Agrária

O município de Linhares, no norte do Espírito Santo, será o segundo do estado a receber uma Feira de Produtos da Reforma Agrária, que já teve quatro edições realizadas na capital Vitória.

Vale quanto pesa

O Jornal do Comércio de Porto Alegre publicou interessante matéria sobre reciclagem de lixo. O repórter ouviu os responsáveis oficiais pela gestão dos trabalhos, levantou alguns valores, falou de custos, volumes movimentados, mas não foi ao fundo da questão, presente em qualquer cidade grande ou pequena.