Via esburacada e sem manutenção afeta mais de 600 trabalhadores diariamente

Os trabalhadores da Unidade de Tratamento de Gás de Cacimbas (UTGC), em Linhares, norte do Estado, realizaram nesta segunda-feira (27) um ato com paralisação parcial das atividades, para denunciar as condições precárias da estrada que liga a sede do município à unidade industrial. A mobilização foi organizada pelo Sindicato dos Petroleiros do Espírito Santo (Sindipetro-ES), e incluiu interdição da via, panfletagem e cobrança por providências imediatas do poder público.
De acordo com o diretor do sindicato, Valnísio Hoffmann, a situação da estrada é antiga e vem sendo denunciada pela entidade há anos, sem qualquer solução definitiva. Ele relata uma série de acidentes nos últimos anos, incluindo casos com mortes em trechos críticos da estrada. A via, antes estadual, foi municipalizada há mais de sete anos, como explica o dirigente, o que transferiu à Prefeitura de Linhares a responsabilidade pela manutenção.
“A prefeitura não faz serviço de recapeamento. A Petrobras acaba fazendo em situações emergenciais, porque o sindicato cobra pela questão da segurança. Mas não é papel da empresa assumir essa responsabilidade”, afirma.
Segundo Hoffmann, o cenário atual é de abandono. Trechos extensos da estrada estão sem asfalto, com buracos e partes de terra, o que tem provocado riscos constantes para quem utiliza a via diariamente. “Tem duas partes de terra, quase um quilômetro, e o restante do asfalto praticamente não existe mais. Quando o ônibus precisa ir para a contramão para desviar de buracos, pode encontrar outro veículo vindo no sentido oposto. É um perigo constante”, relata.
A estrada é utilizada por mais de 600 trabalhadores da UTGC, além de estudantes e moradores da região. O fluxo inclui dezenas de ônibus e veículos leves todos os dias. O sindicato aponta que os impactos vão além do risco de acidentes. “São vários pneus estourados, prejuízos para as empresas, e trabalhadores afastados por problemas de saúde. Tem gente com lesão na coluna por conta dos buracos, trabalhador que chega a bater no teto do ônibus”, destaca Hoffmann.

Ele também chama atenção para a ocorrência de acidentes graves em pontos críticos da via. “Já houve mortes em uma das curvas, onde a estrada está mal acabada e tem desvio improvisado. A prefeitura sabe disso, mas não temos retorno”, reitera.
Durante o ato desta segunda-feira, os trabalhadores interditaram parcialmente a estrada por cerca de duas horas, na altura do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), no último bairro antes da área industrial. Com faixas e distribuição de panfletos, denunciaram o que classificam como descaso da prefeitura e cobraram a aplicação de recursos públicos na recuperação da via.
Um dos pontos levantados pelo sindicato é o volume de royalties recebidos pelo município. Hoffmann diz que, apenas no último ano, Linhares recebeu mais de R$ 95 milhões provenientes da atividade petrolífera. “A gente questiona: cadê esse dinheiro? Não é possível que não se possa investir nem 10% desse valor para resolver um problema tão grave, que afeta diretamente a vida de centenas de trabalhadores”, critica.
O dirigente também afirma que a insatisfação da categoria tende a crescer caso não haja solução rápida. “O recado para a prefeitura é que nós não vamos esquecer desse descaso. Se não houver resposta, vamos intensificar as mobilizações”, avisa. Não estão descartadas novas interdições, inclusive totais, além de atos em frente à sede da prefeitura, sob gestão de Lucas Scaramussa (Podemos), nos próximos dias.
A mobilização conta com ampla adesão dos trabalhadores, informa o sindicato, e envolve diferentes setores da operação da UTGC, incluindo equipes de manutenção, segurança, planejamento e serviços de apoio. A situação da estrada também afeta diretamente o funcionamento das atividades, com atrasos e aumento de custos operacionais.
“Essa é uma demanda antiga e fundamental. Estamos lutando por segurança, dignidade e condições adequadas de deslocamento. Vamos continuar pressionando até que haja uma solução definitiva”, enfatiza o dirigente.

