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As princesas tristes

Nem sabia que as pessoas acordavam tão cedo

Acordo com o telefone gritando às seis da manhã. Dormi tarde na noite anterior e estou de mau humor, mas e se for boa notícia? “Temos o prazer de informar que você passou no concurso…” Que concurso? Não fiz provas nem participei de maratonas literárias, menos ainda de competições para cargo público vitalício.

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A voz ignora minhas perguntas. “Apresente-se em nosso departamento com documentos e foto recente”. Pergunto o endereço e…o clique do telefone, ao ser desligado, soa como uma trovoada. Deve ser trote, coisa de desocupados, mas quem tem coragem de ignorar um telefonema desses? Corro para a banca de jornais da esquina e surpresa! Já está aberta e tem gente comprando revista…nem sabia que as pessoas acordavam tão cedo.

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Todos os  jornais só falam de uma guerra no Irã, que pode levar o mundo dito civilizado a uma terceira guerra mundial. O Irã?! A única coisa que sei sobre esse país é que é a terra do Aladim e se chamava Pérsia. Quem iria entrar em guerra com essa herança cultural da humanidade? Apesar dos Aitolás, o país tem muitas mulheres famosas, a começar pela Sherazade, exímia contadora de histórias. O que não causa surpresas, pois ainda nos dias de hoje, contar histórias é uma profissão comum e bem remunerada no Irã.

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Mas houve também uma Princesa Soraya, que por não saber contar histórias, foi desprezada pelo esposo, o Xá Reza Pahlevi, porque a  “princesa dos olhos tristes” era estéril. Quem casa com reis, imperadores, xás, ditadores e afins corre esses riscos, mas graças a ela o nome  Soraya se tornou popular no Brasil. Se não fosse tão bonita, quem se lembraria dela? O Khan casou de novo com a bela Farah Diva, mas o nome não colou entre as brasileiras. Com o domínio dos aiatolás, essa saiu do palácio de mãos vazias.

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A crise no Irã vai trazer de volta as bicicletas, os cavalos de montaria e as carruagens, o que resolveria o problema da poluição global. Esse misterioso país voltaria a se chamar Pérsia e as contadoras de histórias voltariam à moda. Se é que vai sobrar gente para ir de um lugar para o outro e cavalos para nos transportarem. Se tudo correr bem, estaremos aqui no ano que vem.   

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Até o momento em que escrevo essa coluna, nada encontrei nos jornais sobre meu concurso público. Todos ocupados com as façanhas do presidente – outra guerra ou outro salão de baile? Procuro no catálogo telefônico o número que me acordou mais cedo num sábado distante. Tarefa complicada, de vez que não estão listados em ordem numérica. Como tenho pressa, estou também percorrendo as repartições públicas da Grande Miami…se não encontrar, vou aprender a contar histórias.

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