Categoria faz greve de 24h na região metropolitana e interior do Estado
Os trabalhadores terceirizados da limpeza urbana (garis, margaridas e coletores) realizam nesta sexta-feira (15) uma paralisação de 24 horas em municípios da região metropolitana e do interior do Estado, em adesão ao movimento nacional da categoria. A mobilização integra uma campanha nacional pela aprovação urgente do Projeto de Lei nº 4.146/2020, que regulamenta a profissão e estabelece um piso salarial nacional de R$ 3.036 para a categoria.

Segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Asseio, Conservação, Limpeza Pública e Serviços Similares no Estado do Espírito Santo (Sindilimpe-ES), o principal objetivo é pressionar o Senado Federal a votar o PL 4.146/2020, aprovado pela Câmara dos Deputados em dezembro de 2025. Apesar de o texto já ter recebido apoio de dezenas de parlamentares, a proposta ainda aguarda tramitação para votação no plenário da Casa presidida pelo senador Davi Alcolumbre (União-AP).
O movimento dos trabalhadores começou às 0h desta sexta-feira e segue até as 23h59, com concentrações nas bases. A presidente do Sindilimpe-ES, Evani Reis, afirmou que a paralisação é uma resposta à histórica desvalorização da categoria. “Somos essenciais à saúde pública, ao meio ambiente, à higiene urbana e ao regular funcionamento das cidades. Precisamos ter melhores salários e melhores condições de trabalho”, cobra a dirigente sindical.
A proposta em discussão no Congresso prevê não apenas o piso salarial nacional, mas também aposentadoria especial após 25 anos de atividade, adicional de insalubridade de 40%, jornada de trabalho de 40 horas semanais, além de benefícios como vale-alimentação, cesta básica e plano de saúde.
A diretora do Sindilimpe, Rosimere Vieira Gomes, conhecida entre os trabalhadores como Neninha, destacou que o projeto representa sobretudo reconhecimento profissional para garis e coletores. Segundo ela, atualmente muitos trabalhadores exercem funções fundamentais para a cidade sem que exista regulamentação nacional específica para a atividade. “O que estamos pedindo é o aumento que regulariza o salário, que tenha aposentadoria especial e que classifique os trabalhadores como gari e coletor, porque assim, passam a ter uma profissão”, explica.
Rosimere descreve como a ausência de regulamentação impacta diretamente os direitos previdenciários da categoria. “É um trabalho que mexe com lixo, com contaminação. Tem a parte hospitalar e muitos trabalhadores que saem adoecidos, por isso a categoria quer uma aposentadoria especial, que seria com 25 anos”, defende.
Ela também ressaltou a importância da garantia do adicional de insalubridade em nível nacional. “Isso ficaria também para aposentadoria, porque na maioria dos municípios capixabas, hoje os funcionários só recebem esses 40% de insalubridade se estiverem trabalhando”, sustenta.
Outro ponto defendido pelo sindicato é a padronização nacional da jornada de trabalho. Rosimere afirma que algumas regiões já possuem jornadas reduzidas, enquanto outras ainda mantêm condições diferentes. “A regulamentação regulariza o salário, a insalubridade, a aposentadoria especial e aquela jornada de seis horas”, ressalta.
De acordo com o movimento nacional, mais de 1,1 milhão de trabalhadores da limpeza urbana participam da paralisação em todo o país. A categoria denuncia que milhares de profissionais terceirizados ainda recebem remunerações inferiores ao salário mínimo em diversos municípios brasileiros.

O coletor Sérgio da Cruz, que atua na região da Serra, reforça que a aprovação do projeto pode mudar significativamente as condições de vida dos trabalhadores da coleta urbana. Ele relata que a atividade envolve riscos permanentes à saúde física e mental, além de exposição constante a materiais contaminados. Muitos profissionais adoecem durante a carreira e enfrentam dificuldades para conseguir afastamento adequado e reconhecimento previdenciário, acrescenta.
Para Sérgio, a mobilização nacional demonstra a união da categoria para conquistar direitos históricos em prol do reconhecimento social dos garis e coletores. A regulamentação representa mais do que ganhos salariais, destaca, “pode trazer dignidade e valorização para quem trabalha diariamente limpando as cidades”.
A categoria considera que o reconhecimento legal da profissão pode garantir proteção social, melhores condições de saúde e segurança e valorização de um trabalho considerado essencial para o funcionamento das cidades.
O sindicato informou que os atos no Espírito Santo são organizados de forma pacífica, com concentrações em bases operacionais da categoria na Grande Vitória. A entidade afirmou ainda que permanece aberta ao diálogo com empresas terceirizadas, prefeituras e órgãos públicos.
“Somos os primeiros agentes de saúde”, define Evani, ao resumir a luta da categoria que, apesar da importância para a saúde pública e para o meio ambiente, ainda enfrenta baixos salários, terceirização e precarização das condições de trabalho em diversas regiões do país.

