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Castigo dos deuses

Assim do  nada, como quem olha pra cima e vê a lua,  descobri porque envelhecemos. Sim, mesmo sem aprofundados estudos nas ciências, pesquisei os motivos de não vivermos nosso período estipulado de vida  no mesmo ritmo acelerado e sadio da juventude, e os resultados foram surpreendentes.  Por que sofremos desgaste físico e mental? Angina, artrite, Parkinson, coluna encurvada, pele franzida, calvície, perda de memória… você sabe do que estou falando, pois quem ainda não tem conhece alguém que acumula pelo menos três desses sintomas.

Minha descoberta importante para as ciências – já sonho com o Nobel – é que não fomos programados para viver muito tempo. Cinquenta anos, não mais, e deveríamos dar lugar aos recém-chegados. Quando os humanoides começaram a caminhar sobre a terra, não havia pajé, benzedeira, bruxa, feiticeiro, Talvez um emplastro, uma infusão de ervas, mais simpatias e benzeções,  e rezar pra dar certo  Por que morrer agora, se a gente pode dar um jeitinho?

 
Diz uma lenda que existiu outrora em um pequeno país perdido nos confins do Himalaia, um monge chamado Fa-Gebhi, com o dom de curar qualquer doença com rituais e infusões sagradas, e tocando em transe a parte do corpo que desvirtuava. Fa-Gebhi foi o primeiro médico! Sua fama se espalhou pelo mundo então conhecido, e muitos peregrinavam até sua aldeia, uns procurando a cura de seus males, outros tentando aprender o segredo de sua magia.
 
Os que procuravam a cura saravam e espalhavam a boa nova, atraindo mais doentes para o  monge. Aos que iam aprender seu segredo, o monge ensinava pacientemente seus métodos: primeiro a oração e a fé na cura, depois pomadas, poções e xaropes, pacientemente obtidos dos extratos de plantas exóticas e de chifres e ossos de animais.  Quando partiam, os bem intencionados  iniciavam uma carreira baseada em alguma intuição e mais erros que acertos
 
Os deuses desse país já extinto se ofenderam com a obra de Fa-Gebhi. “Esse monge pensa ser um de nós, querendo alterar as leis da natureza. Fizemos esse belo planeta para suportar 125 mil pessoas, talvez 150 mil… Não mais! Esticando a vida humana, Fa-Gebhi está depredando a casa que os hospeda e alimenta”, disse Gbu, o deus irado. Então os deuses decidiram castigar o orgulho humano, “Eles controlarão as doenças, mas não poderão controlar o desgaste do tempo”.
 
E assim os homens aprenderam a esticar seu tempo de vida, mas envelhecendo no processo.  Efeito colateral indesejado, surgiu a indústria farmacêutica e seus remédios milagrosamente contidos em pequenas cápsulas; os médicos e curadores, as clínicas e os hospitais; os planos de saúde e o SUS; os suplementos alimentares e as dietas, as academias de malhação, a cirurgia plástica, o botox e a lipo… perdemos o controle.
 
Programado para viver 50 anos, o corpo humano está quase dobrando seu tempo de vida, mas  não conseguiu ainda superar a maldição dos deuses – envelhecemos, e não tem elixir da juventude que dê jeito. No processo, também não aprendemos a preservar a casa que não suporta tantos hóspedes – 1 bilhão em 1804, dobrando para 2 bi em 1927, e dobrando outra vez em 1974: 4 bilhões.  Provavelmente vai dobrar em 2016, pois já estamos em 7.500 bi! Gbu estava certo.

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