A expectativa do PT em relação ao apoio do ex-governador; a indefinição sobre a segunda vaga para o Senado; as chapas da federação; e mais

Em compasso de espera
A Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB, PV) realizou convenção partidária nesta quinta-feira (30). Como esperado, houve a confirmação dos petistas Helder Salomão como candidato a governador e Fabiano Contarato para tentar reeleição a senador, além da consolidação das chapas de candidatos a deputado federal e estadual. Entretanto, a segunda vaga para o Senado ficou em aberto. Até o momento, apenas o presidente estadual do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), Neio Pereira, falou em público o que já é dado como certo nos bastidores: a federação está perto de abraçar Renato Casagrande (PSB) como segundo nome, uma estratégia para trazer o ex-governador para a campanha do presidente Lula no Espírito Santo. Mas será que Casagrande vai assumir compromisso com os petistas?
Declaração de voto é campanha?
Na convenção do Partido Socialista Brasileiro (PSB), realizada no último fim de semana, Renato Casagrande afirmou que votará no atual presidente, tendo em vista que o seu partido indicou novamente Geraldo Alckmin para vice de Lula. Entretanto, isso não é garantia de que subirá no palanque petista. Na frente ampla governista, da qual ele faz parte, a esmagadora maioria das lideranças torce o nariz para os lulistas. Na campanha de 2022, o ex-governador chegou a ser beneficiado no segundo turno por um insólito “CasaNaro”, movimento de apoiadores do então presidente Jair Bolsonaro (PL) que fez campanha pelo “socialista”. Em 2018, Casagrande ficou neutro na disputa presidencial de segundo turno entre Bolsonaro e Fernando Haddad (PT). Vale destacar que, naquele pleito, o PSB não tinha coligado com os petistas e o ex-governador apoiou Ciro Gomes (então no PDT) no primeiro turno.
E o Fabian?
Professor Fabian (Psol), esse sim um pré-candidato a senador que abraçou o “Time do Lula” no Espírito Santo, estava presente na convenção, mas foi citado pouquíssimas vezes e, ao que tudo indica, não haverá (pelo menos oficialmente) uma chapa “Fafa” (Fabiano Contarato e Fabian) para o Senado. A Rede Sustentabilidade, com quem o Partido Socialismo e Liberdade está federado, também não ajudou nisso. Os psolistas apoiam Contarato, Fabian, Helder e Lula. Já a Rede pretende apoiar Contarato, Casagrande, Ricardo Ferraço (MDB) e Lula. Devido ao impasse entre as duas siglas, a federação não vai coligar com ninguém nas majoritárias.
Mulheres negras
A convenção também serviu para confirmar quem vai ser a candidata a vice junto com Helder Salomão: Professora Valdirene (PT), vereadora de São Mateus (norte do Estado) – portanto, uma chapa petista “puro-sangue”. Em sua fala, Valdirene destacou a importância de se investir em políticas de interiorização e de olhar com mais atenção para as populações tradicionais. Como anunciado anteriormente, a gari Evani Reis (PT), presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Asseio, Conservação, Limpeza Pública e Serviços Similares no Espírito Santo (Sindilimpe-ES), foi escolhida como suplente de Fabiano Contarato. Assim, haverá duas mulheres negras com certo destaque nas candidaturas do campo progressista. Neio Pereira foi colocado como segundo suplente de Contarato.
Espaço pequeno
O espaço escolhido para a realização da convenção não foi suficiente para comportar todo mundo e teve gente que ficou de fora. Se a estratégia era de fato fazer volume, deu certo. Cada pré-candidato levou seu time para o campo, com faixas, cartazes e muita agitação. A chapa de candidatos a deputado federal tem dez nomes (sete do PT, dois do PCdoB e um do PV), e a de candidatos a deputado estadual, 27 (22 do PT, três do PV e dois do PCdoB). Um ponto a se destacar é que o PT é dividido em correntes internas, o que acaba criando pequenos partidos dentro do partido e que competem entre si.
Federal
Da chapa federal, Jack Rocha (PT) é a única que vai tentar reeleição. Os deputados estaduais petistas João Coser e Iriny Lopes vão buscar vagas na Câmara dos Deputados dessa vez. O vereador de Vila Velha Rafael Primo (PT) também vai tentar uma cadeira em Brasília. Outro nome da chapa é o do ex-secretário estadual de Saúde Nésio Fernandes (PCdoB), que está em pré-campanha há um bom tempo. Também compõem a chapa: Adalto Costa, Jailson Coutinho e Olga Lipaus, todos do PT; Jaqueline Lopes (PV); Maria da Adventista (PCdoB).
Estadual
Na chapa estadual, estão incluídos vários nomes do PT com relativa experiência eleitoral, incluindo quatro vereadores da Grande Vitória (Açucena, de Cariacica, Pacheco, de Viana, e Karla Coser e Professor Jocelino, de Vitória), dois ex-deputados estaduais (Professor Roberto Carlos e José Carlos Nunes), um suplente de deputado estadual (Júlio da Fetaes, que teve 11,5 mil votos em 2022) e uma ex-vereadora da Serra (Elcimara Loureiro). Célia Tavares, que foi candidata a prefeita de Cariacica e é do grupo de Helder, também estará na disputa. Outro que vai apostar novamente em uma candidatura é o professor Maurício Abdalla, da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), que obteve 8,1 mil votos para estadual em 2022. A chapa também tem a presença de: Adriana Pessim, Carlos Lyrio, Devarli Corrêa, Edson Baiense, Professora Eliane Gomes, Genilton Lobão, Jorge Antônio, Márcio Marques, Pastor Mauro Luiz, Ramon Matheus, Rogério Favoretti e Thiago Amurim (PT); Herikson Locatelli e Regina Lovati (PV); Isabella Mamedi e Raul Mesquita (PCdoB).
Ex-prefeito de Marataízes
Chama a atenção, ainda, a presença de Tininho Batista (PV), ex-prefeito de Marataízes (litoral sul), na chapa de candidatos a deputado estadual. No ano passado, a Câmara de Vereadores do município rejeitou a prestação de contas do ex-gestor relativas ao ano de 2020, o que pode inviabilizar sua candidatura (apesar de a inelegibilidade não ser automática). O Tribunal de Contas do Estado (TCE-ES) também emitiu pareceres indicando rejeição das contas de Titinho de outros anos.
Desistências
O ex-deputado federal Marcus Vicente (PP) anunciou nas redes sociais que não vai mais disputar as eleições deste ano, devido a “recomendação médica”. Já o também ex-deputado Carlos Manato (Republicanos) teria desistido da disputa ao Senado Federal, mas para concorrer a outra vaga: como deputado federal, no lugar da esposa, Soraya Manato, outra ex-deputada.

